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OS MOTIVOS QUE LEVAM E GERAM VIOLÊNCIAS NO MEIO SÓCIO-ESCOLAR

Resumo: A violência no contexto sócio-escolar tem se mostrado uma constante negativa no ambiente escolar. Os pressupostos filosóficos educativos ensinados como modelos educacionais no transcurso dos tempos, não alcançam mais um diálogo sócio-interacionista com o sócio-construtivista, para a construção social. Contudo, o modelo educacional que está posto na contemporaneidade, tendo como função ressocializar através do ensino e do aprendizado, no sentido de instruir o indivíduo está fragmentado, e mostrando-se distante da função ressocializadora da educação que conduz a cidadania como pressupostos propostos na Constituição do Brasil de 1988, e, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB de 1996. Este artigo traça uma abordagem discursiva sobe a violência silenciosa que impera nas Redes Sociais e manifesta-se no ambiente escolar, familiar e social, por estar e ser um fator implícito e inerente a cada indivíduo, onde, as frustrações sociais provocam comportamentos agressivos, inadequados e antissociais que contribuem para a crescente violência sócio-escolar.

1. A ESCOLA COMO COAUTORA OU VÍTIMA DO PROCESSO DE VIOLÊNCIA SÓCIO-ESCOLAR

Observando o contexto sócio-educativo atual, percebe-se que as diversas manifestações da violência, sobretudo quando envolvem as crianças, adolescentes e os adultos que estão inseridos no meio como autores ou vítimas, tem sido um grande desafio para os docentes do nosso país e do planeta.

Em pleno século XXI, ainda atribui-se para as Escolas e Universidades a responsabilidade de educar no sentido familiar e social, quando na verdade, a escola contribui com a instrução, aquisição e transmissão de conhecimentos que por sua consequência leva ao ensino, estimulando no ser social o aprendizado adquirido. Ela (a Escola) é coautora deste processo, pois o trabalho pedagógico dentro da escola deve criar condições para que os educandos e educadores se apropriem de conhecimentos, fazendo com que a unidade escolar seja responsável pelo processo de humanização. Cabe a família como preceitua a LDB Lei nº 9.394/1996, artigo 1º que: “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. (BRASIL – LDB LEI Nº 9.394/1996).

No entanto, percebem-se que a família é a principal autora e coautora no processo educacional das crianças, adolescentes, jovens e ou adultos. E a escola, tem papel secundário no processo, a bem da verdade, no entendimento de muitos e para muitos, a escola deve assumir o papel principal, e a família o secundário, quando na verdade é o inverso. O artigo 2º da LDB de (1996), enfatiza que: “A educação, é dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Assim nos questionamos:

2. Quais formas de violência na escola, da escola e contra a escola que mais impactam no contexto socioeducativo?

A violência escolar é um fenômeno de caráter social e complexo que envolve as diversas gamas da sociedade, fato pelo qual, dentro da temática aqui dissertada, ressaltam-se o bullying, as ameaças, as agressões verbais, físicas e psicológicas, feitas por educandos aos educadores, educadores a educandos, educandos a educandos, educandos a sociedade ou vice-versa.

O problema vem se agravando dentro da nossa realidade institucional (à Escola), sendo possível presenciar essa realidade nas Escolas Públicas e/ou da Rede Particular, tendo em vista a reprodução da ideologia dominante e das desigualdades sociais, emparedando professores e alunos em suas normas, regras e leis, impedindo-os de movimentar-se para direcionarem-se de forma autônoma e, sobretudo, transformadora.

O maior impacto desta violência dentro do contexto educacional, sócio-educativo e sócio-inclusivo, estar na manifestação do bullying – que na atualidade, trata-se do maior tipo de violência utilizada pelos adolescentes, jovens e adultos, pois no geral são situações de maus-tratos, de opressões e humilhações. – Das sanções tidas como educativas, – da cessação de direitos dos educandos e educadores, – das brigas entre educandos, – das intimidações entre outros, que por sua vez afetam diretamente o psicológico das crianças, dos adolescentes, dos jovens e adultos, provocando consequências mais gravosas como fobia social, psicoses difusas, estresses, depressões e principalmente leva ao baixo rendimento escolar e acadêmico.

Ressalta-se também, que a violência é uma questão social inter e intrapessoal, pode ser considerada e vista como: pluridimensional, multidimensional e transdimensional, por possuir um caráter complexo, que gera dificuldades de delimitações conceitual, evidenciando assim, um grave fator gerador de violência dentro da estrutura escolar, no que diz respeito, às precárias condições de trabalho dos professores brasileiros, tratando-se de um verdadeiro atentado. Com ênfase, a discriminação social da docência, tendo em vista a clara deterioração de sua posição social, pois para os professores no geral, a docência se tornou uma “profissão pobre”,com a falta de conhecimento, reconhecimento e empoderamento da profissão de docência e de ser docente.

3. Como considerar que a discriminação de pessoas por questões sociais, de gênero, sexo e raça é uma realidade no meio escolar?

Este processo é constante, nos meios de comunicação visual, escrita, audível e falada, onde está difundida pelas diversidades das comunicações através das TICs nas Redes Sociais. Este conjunto de sistemas informacionais, está a apresentar estatísticas da problemática de cunho, local, regional, nacional e internacional. Ou seja, a violência na escola e no mundo acadêmico está generalizada. Para muitos isso não existe, mais é real. Os desequilíbrios sócio-culturais, sócio-educacionais, sócio-institucionais e sócio-interacionista, dentre outros, favorecem planetariamente estes aspectos discriminatórios que permeiam o meio escolar.

Quando nos deparamos com a realidade enfrentada dentro das escolas podemos perceber que existem várias características, como raça, etnia, racismo, discriminação, preconceito, estereótipos e gênero, que através de vários estudos passam ser conceitos como: raça – É um misto de compilações sociais, políticos e culturais, seja nas relações de caráter social e/ou político; etnia – Está condição se refere a um conjunto de elementos, que historicamente ou mitologicamente possuem um ancestral em comum, com características voltadas para a religião, idioma etc, dentro outras semelhanças e que vivem geograficamente no mesmo território; já oracismo – Pode ser considerado como aversão, por vezes oriundo de ódio, em relação às pessoas que possuem uma origem racial observável através de sinais visíveis como, por exemplo: cor da pele, tipo de cabelo, etc; não obstante a discriminação – Pode ser considerada como a prática do racismo e a efetivação do preconceito, pois engloba a falta de valorização para o que pode ser diferente, podem ser praticada no contexto familiar, escolar, religioso, etc; porém, os estereótipos – Tidos como mecanismos de rotulação negativa praticado através de clichês, onde são expostos imagens cristalizadas ou idealizadas de indivíduos ou grupos de indivíduos; assim a questão de gênero – Tem a concepção de um conjunto de ideias e representações sobre o masculino e o feminino, ou seja, é uma construção de caráter biológico que vem a partir dos fatores genéticos.

No tocante, embora mencionados que os aspectos discriminatórios são permeados no meio escolar, ressalta-se que a escola tem papel primordial na construção, reconstrução e na manutenção das identidades sociais de seus educandos e educadores, partindo dos pressupostos de uma reflexão holística sobre a temática violência nas escolas e o contexto sócio-educativo inclusivo.

4. E questiona-se. Como Intervir no ser, na escola e na sociedade?

Uma educação que seja conscientizadora e que sirva para emancipar o ser deverá está imbuída das qualidades e capacidades sócio-educativas inclusivas, que levem e proporcionem cidadania para um melhor nível de envolvimento pessoal, intra e extra-família, intra e extra-social dos educandos, educadores e sociedades. Estes aspectos sociais e institucionais, são fundamentais para a implantação e implementação de projetos e práticas sócio-educativas inclusivas, que reduzam os atos discriminatórios, visando, estabelecer normas, diretrizes e ações coerentes para a conscientização de todos.

Outros fatores observados no processo socioeducativo inclusivo em relação às modalidades de educação para uma melhor interpretação nos vários níveis dentro da escola, utilizaremos as seguintes divisões:

4.1 Educação para a subsistência – Refere-se aos indivíduos que não sabem extrair os proveitos das possibilidades que surgem no meio sócio-educacional, por não terem o discernimento e a compreensão necessária de como utilizar-se dos processos educativos, revelando assim, a necessidade de obter-se o cuidado de saber utilizarem-se dos meios educativos de sobrevivência existentes no “Meio Ambiente e social” com o intuito de desenvolver nestes seres, alternativas de subsistências em sociedade.

4.2 Educação para a libertação – Este modelo sócio-educativo onde está volvida para a necessidade de ampliação da ação educacional, pois, diante da realidade que está posta, e como os homens conseguem tornar-se capazes de atos de responsabilidades necessários em sua vida cotidiana, com a finalidade de superar as questões da inexperiência da democracia, da marginalização econômica, da política, da cultural em sociedade. Assim, o indivíduo deve ser considerado em sua totalidade, não como um objeto que apenas se retroalimenta de informações. Neste contexto, a educação para ser verdadeiramente humanista e transformadora “deve ser libertadora” como sinaliza Paulo Freire e “não opressora”. Todavia, deve impulsionar o ser a conscientização, e o resultado deste confronto sócio-educativo, provocar uma realidade concreta e não a uma abstração social.

4.3 Educação para a comunicação – Este momento alude à necessidade de veiculação dos mecanismos inclusivos através das TICs, que possibilitem a conscientização das pessoas sobre as condições de vida social e em sociedade, enfatizando as experiências e os conhecimentos advindos dos confrontos sócio-educativos inclusivos, deixando claro a natureza fundamental da existência social como instrumentos de sociabilidade, que possibilite as interconexões e as convergências informacionais em um fluxo social contínuo;

4.4 Educação para a transformação – Este aspecto da educação, está voltada para observância e emancipação dos sujeitos no que se refere ao seu contexto e interesse sociável. Promove a transformação política, econômica, intelectual e social. Pois, envolve vários níveis sociais diferentes, deixando claro o caráter transformador da educação para a convivência em sociedade e na sociedade.

Em fim, a educação embora seja um fator primordial e necessária para evolução dos seres humanos, esbarra-se então, em vários tipos de violências, seja dentro ou fora das escolas e sociedades, fato pelo qual, devem ser combatidas, reprimidas e tomadas todas as providências cabíveis e imprescindíveis para que não se propaguem os atos discriminatórios no meio escolar, familiar e social, pois, a mesma tem caráter transformado e não opressor.

5. Há que se questionar ainda! Como lidar com algo implícito do ser (à Violência), quando os comportamentos sociais extrapolam o consciente, compreendendo mundos e coisas diferentes, assumido novas formas, novos contextos e novos comportamentos sociais que levam, geram e ocasionam as angustias sociais?

Neste sentido, a violência sobressai-se da sociedade atualmente constituída e estabelecida, adentrando, os muros das escolas e Universidades, onde antes, era um lugar seguro para os embates acadêmicos, científicos e filosóficos. Hoje, travamos verdadeiras batalhas comportamentais e sociais. É preciso distinguir-se o que éà violência social, violência contra a pessoa, à violência contra a propriedade, violência contra o patrimônio, à violência na escola, à violência à escola e à violência da escola.

A violência social – Pode ser cometida por indivíduos ou pela comunidade, estando diretamente ligada e relacionada ao impacto direto e ou indireto sobre o desenvolvimento social, físico, psicossocial e emocional do ser. Ela (à Violência) é ocasionada por quaisquer tipos de atos e ou motivos violentos, com uma finalidade social, que podem variar de acordo com o país, incluindo conflitos armados, violência de gangues, agressões entre pais e filhos, terrorismo, remoção forçada e/ou segregação social.

A violência contra a pessoa – Infere na promessa explicita de provocar danos ou de violar a integridade física ou moral, a liberdade ou bens de outrem, bem como diz respeito a diversas formas de violência, que pode ser ameaças, brigas, violência sexual, discriminação, bullying, coerção mediante o uso de armas (fogo e brancas) e outros.

A violência contra a propriedade – Está volta para a questão dos furtos, roubos e assaltos, ou seja, no caso das escolas, a prática dos furtos são realizadas por pessoas que possuem acesso à instituição e que acabam por serem tidas como natural pela comunidade envolvida. Porém, em relação ao roubo ou assalto, a comunidade escolar tem uma concepção diferente, pois entendem que são praticadas por pessoas externas e estranha a escola, com emprego de violência exacerbada.

A violência contra o patrimônio – Istodiz respeito à depredação ou vandalismo da estrutura física. Porém, partindo para a estrutura escolar, trata-se da dilapidação do espaço ou do equipamento público ou privado, através de pichações, depredação de muros, janelas, explosão de bombas e danificação de equipamentos pertencente ao meio escolar.

Já à Violência na Escola é aquela que se reproduz no espaço escolar, advinda de um espaço ou meio social. No entanto, a Violência à Escola estar intimamente ligada e relacionada à natureza escolar e as atividades desenvolvidas dentro ou fora das instituições escolares, ou seja, os motivos que levaram o ser a violentar à escola. Por sua vez, estão diretamente relacionados com a instituição, e como os seus agentes institucionais os tratam (educandos, educadores, sociedade) no meio, e no contexto social. Todavia, a Violência da Escola está correlacionada com as práticas que são utilizadas pela instituição dentro e fora do seu espaço escolar que vá ou venham a prejudicar seus agentes, educandos, educadores, sociedades e ou outros do meio social.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Assim, o fenômeno da violência no cenário escolar atual, é mais antigo do que se pensa. O fenômeno é antigo, por sua vez, as práticas violentas nas escolas é que são novas. A escola, espaço que antes era dedicado por excelência à educação, construção e socialização para o ensino e o aprendizado do ser, pelos fenômenos aqui apresentados e dissertados, transformou-se em cenários de agressões, de autoritarismos e de desrespeitos mútuos, ou seja, o fenômeno da violência escolar muda de acordo com os estabelecimentos, processos, atividades, localidades, pessoas e agentes.

Observa-se então, que não basta apenas construir escolas e universidades, é preciso socializar e inter-relacionar as ações educacionais onde, sociedade, educandos, educadores tenham espaços de convivências sociáveis, valorizando a individualidade, intelectualidade e a intimidade de cada um, fomentando o respeito mútuo.

A escola deve ser assim compreendida, como instrumento libertador para a aquisição de conhecimentos, e não, como sinônimo de aprisionamento dos comportamento sociais. Deve estar, e ser livre dos estigmas e preconceitos de classes, credo, raça e cor. O conhecimento deve ser livre e alçado por todos. Não deve ser e nem estar monoteísta e nem tão pouco verticalizada, deve seguir a escala da linearidade, onde todos somos agentes de ensino e consequentemente aprendemos uns com ou outros.

Enfim, o conhecimento não deve ficar aprisionado nos muros das instituições educacionais, deve permear a sociedade em todos os espaços e contextos sociais. Quando este (o conhecimento) não produz emancipação social, política, econômica, intelectual e pedagógica, produz e reproduz atos de indisciplinas que ocasionam as várias formas das violências sócio-escolar aqui dissertadas.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

ABROMOVAY, M.; AVANCINI, M.; OLIVEIRA, H. Violência nas Escolas. O bê-á-bá da Intolerância e da Discriminação. UNESCO, UNICEF. Disponível em: http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_02.pdf. Acessado em: 22 de Set de 2015.

CHARLOT, B. A VIOLÊNCIA NA ESCOLA: como os sociólogos franceses abordam essa questão. Tradução de Sônia Taborda. INTERFACE Sociologias, Porto Alegre, Ano nº 8, Jul – Dez 2002, p.432 – 443. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/soc/n8/n8a16. Acessado em: 22 de Set de 2015.

Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira infância. Violência Social. Tema Editores: Richard E. Tremblay, PhD, Université de Montréal, Canada e University College Dublin, Irlanda. Última atualização: Fevereiro 2012. Tema financiado por: Bernard Van Leer Foundation, CONASS, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Disponível em: http://www.enciclopedia-crianca.com/violencia-social/sintese. Acessado em: 22 de Set de 2015.

Empowering Parents – Child Behavior Help – Child and Teen Bullying: How to Help When Your Kid is Bullied. By Debbie Pincus MS LMHC. Disponível em: http://www.empoweringparents.com/child-and-teen-bullying-how-to-help-when-your-kid-is-bullied.php. Acessado em: 22 de Set de 2015.

NOGUEIRA, I. da S. C. Educação, Cidadania e Violência nas Escolas: Desafios dos Novos Tempos. Dissertação de Mestrado em Educação UNESP/Araraquara. Revista LEVIS Nº 1, 2008. Disponível em: http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/levs/article/view/760/662. Acessado em: 22 de Set de 2015.

NJAINE, K. ; ASSIS, S. G. de. ; COSNTANTINO (Org.) Impactos da Violência na Saúde, 420 p. Rio de Janeiro – RJ, EAD/ENSP2013, Ed. Fiocruz 2014.

PRIOTTO, E. P.; BONETI, L. W. Violência Escolar: na escola, da escola e contra a escola – La violence écolière: dans l´école, par l´école et contre l´école. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 26, p. 161-179, jan./abr. 2009. Disponível em: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/dialogo?dd99=pdf&dd1=2589. Acessado em: 22 de Set de 2015.

ROSA, M. J. A. Violência no Ambiente Escolar: Refletindo Sobre as Consequências para o Processo Ensino Aprendizagem. Revista Fórum Identidades. Itabaiana: GEPIADDE, Ano 4, Volume 8/ Jul – Dez de 2010. Disponível em: seer.ufs.br/index.php/forumidentidades/article/view/1785. Acessado em: 22 de Set de 2015.

SANTOS, H. dos. ; ASSIS, S. G. de. ; (Org.) Caderno do Curso: Fortalecimento de Redes de Atenção e Prevenção à Violência no Território, 132 p. Rio de Janeiro – RJ, EAD/ENSP 2014, Ed. Fiocruz 2014.

WERTHEIN, J. ; ABROMOVAY, M. Violência nas Escolas. Folha de São Paulo – SP 2008. Disponível em: http://www.miriamabramovay.com/site/index.php?option=com_content&view=section&layout=blog&id=5&Itemid=2. Acessado em: 22 de Set de 2015.

DAMASCENO, J. E. ; KARBAGE, M. A. de M. Os motivos que levam e geram violências no meio sócio-escolar, 11 p. Fortaleza – Ce 2015.

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO – Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado
http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/67765/os-motivos-que-levam-e-geram-violencias-no-meio-socio-escolar#ixzz46mE2Tft7

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Felicidade ter ou ser?

Vejo um grande número de pessoas buscando felicidade. Sempre tem os que consideram que a tristeza e a dor podem ser mais produtivas. Talvez pessoas felizes tenham menos pelo que lutar e que as adversidades de alguma forma “empurram” as pessoas para frente, mas não vejo as pessoas desejando serem infelizes a fim de obter estas vantagens.

Acreditamos que sendo mais felizes desfrutaremos mais a vida fazendo valer a pena cada momento. Buscamos felicidade nas compras, nos passeios, nos relacionamentos, nas terapias, etc.

Algumas vezes a busca da felicidade pode se tornar tão frenética que obtemos o inverso, como nos casos compulsivos onde comportamentos são repetidos à exaustão causando sérios prejuízos como por exemplo compras excessivas, ginástica excessiva, beber excessivamente. Creio que há um componente de busca de felicidade, em alguns casos alívio, nas pessoas que usam por exemplo bebida alcoólica em excesso.

Felicidade seria sinônimo de  ausência de problemas?

Respondo à isso com outra pergunta: Será possível uma vida sem problemas? Ou será que felicidade pode existir concomitantemente com todas as adversidades que podem ocorrer a alguém?Creio ser unanimidade que felicidade trata-se de um estado de espirito e não uma situação, lugar, etc. Para alguns felicidade corresponde à capacidade de solucionar,  contornar ou suportar conforme o caso, as adversidades. Estou com alguma tendência em gostar mais destas forma de ver a felicidade.Curiosa pesquisei no dicionário Michaelis e encontrei: 1 Estado de quem é feliz. 2 Ventura. 3 Bem-estar, contentamento. 4 Bom resultado, bom êxito. F. eterna: bem-aventurança.

Principal fonte de felicidade

Alguns se sentem felizes quando estão com pessoas amigas ou familiares, outros parecem que encontram a felicidade viajando, outros em sua religião, e assim creio que pode haver tantas fontes de felicidades quanto grãos de areia na praia. Mas porque ainda assim não há uma receita segura e universal para trazer felicidade à todos?

Mas vejo em minha experiencia que, no âmbito comportamental, a possibilidade de controlar sua própria vida costuma oferecer boa sensação de felicidade. Por exemplo, uma pessoa que decide o que comera no almoço todos os dias pode apresentar um nível de satisfação maior em relação à este momento do que uma pessoa que recebe o alimento sem qualquer possibilidade de escolha. Podemos pensar neste exemplo com todas as demais situações. Não fiz nenhum experimento mas o convido para uma observação: não fornece mais satisfação, ao invés de escolherem por nós, escolhermos o local para onde viajaremos de férias; nossas roupas; os móveis de nossa casa; o filme que veremos, etc?

Posso melhorar meu nível de Felicidade

Creio que além da possibilidade de opções outro fator que melhora o nível de felicidade seria a oportunidade de ser responsável por algo. Parece estranho ao primeiro momento alguém falar que trabalho e preocupação pode deixar alguém feliz, mas eu sempre observo o porque de tanta alegria em cuidar de outra pessoa, por exemplo no caso da mãe com seus filhos, ou em escalas diferentes,  o prazer em cuidar de uma animal, de uma planta, de uma horta? Pensamos tanto no retorno que teremos mas também nos sentimos extremamente bem ao nos percebermos produtivos. Então ser feliz não significa não ter problemas, mas talvez também implique em “procurar por problemas”. Digo isso pois observo a diferença de comprometimento que tem uma pessoa que, por exemplo, procurou um animal, uma horta para cuidas em relação a quem recebeu isto como responsabilidade sem ter solicitado por isso.
Talvez por isso costuma ser mais feliz quem vai para  trabalho animado com as possibilidades deste trabalho, como por exemplo promoção, criar algo ou pagar sua contas, comparado com alguém que só percebe o trabalho como algo ao qual ele seria obrigado a comparecer todos os dias.

Não dá pra ser feliz simplesmente porque eu mereço. Tenho que me esforçar até pra ser feliz?

Como já disse o Dalai Lama, quando perguntado sobre qual seria a fórmula da felicidade: Dedicação, esforço e tempo. Acredito que uma vida sem esforço pode cair em tédio. Não ocupar nosso tempo em atividades que percebemos importantes pode nos levar a falta de objetivos.

Felicidade x Ansiedade: expectativa de um futuro interessante

Acredito que felicidade se refere tanto a resultados positivos, ou seja uma observação positiva do que passou, como um olhar também positivo pelo que estar por vir.
Segundo o Psicólogo americano Daniel Gilbert: Felicidade é capacidade de imaginar um futuro satisfatório.
Mas vejo que em  um bom número de pessoas, especialmente nas ansiosas, ser comum imaginar o futuro pior do que seria provável.  Por exemplo, ao prestar uma prova poderíamos imaginar uma possível aprovação, neste caso o estado de espirito seria mais leve ao responder esta prova, ou no caso de imaginarmos uma reprovação é comum não conseguirmos o mesmo estado de espirito.  Conseguir controlar nossas emoções pode promover felicidade. Sendo assim creio que felicidade pode ser visto também como capacidade de ter controle sobre a própria vida.

Psicologia x Felicidade

Será a psicologia uma opção para busca de felicidade? Eu sempre considerei que poderia ser. Para alguns a psicologia seria basicamente o conhecimento sobre o estado emocional, eu incluo também o conhecimento sobre os sentimentos, pensamentos e comportamentos. Eu considero que o conhecimento pode tanto trazer dor em algumas situações, como por exemplo uma pessoa que identifica um quadro clinico mais debilitante, como também oferece luz que, mesmo que não seja em curto prazo, pode ajudar na adaptação de uma realidade.
Em algumas frentes de atuação do psicologo pode ser mais difícil observar a busca da felicidade, como por exemplo um psicologo que atua na seleção de pessoal de uma empresa. Estaria trabalhando em prol da felicidade destas pessoas? Eu acredito que sim, pois ao ajudar que cada funcionário assuma funções adequadas ao seu perfil esta pessoa, teoricamente mais adaptada, sentiria-se melhor e talvez tenha um melhor desempenho.
Na área clinica pensamos mais rapidamente no tratamento da depressão como o trabalho mais obvio no sentido da felicidade, mas acredito que todo paciente que deseja controlar a ansiedade, um transtorno compulsivo, uma dificuldade em tomar decisão, um relacionamento que não funciona como desejado, etc, estão buscando uma vida mais harmoniosa.
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Equilíbrio emocional

Quando ouvimos falar de treinamento de força, associamos imediatamente ao levantamento de pesos ou algo a ver com força física. Podemos ainda associar a força ao volume da massa muscular, ou a forças externas da natureza, como o vento, a força das marés ou até mesmo a força da gravidade com a qual lidamos todos os dias. Estamos ainda familiarizados com a força de vontade, mas pouco ou nada com o termo força emocional ou fitness emocional. Sabemos que as emoções são poderosas e exercem uma grande impacto na nossa vida, podendo interferir positivamente ou negativamente nos nossos objetivos ou resultados desejados.

FORÇA EMOCIONAL: UMA MAIS VALIA

Aprender a gerir as emoções é uma competência que em muito nos capacita. Ajuda-nos a tomar melhores decisões, a adequarmo-nos melhor às circunstâncias e a lidar de forma mais eficaz com os outros ou com situações desafiadoras. Alguns de nós somos emocionalmente mais fortes do que outros. A pessoa emocionalmente forte pode lidar eficazmente e funcionalmente melhor com desafios exigentes. Não quer dizer que não sofra, que não sinta o impacto avassalador dos acontecimentos, de todo. Claro que sente e sofre com isso, no entanto, a sua capacidade de manter o equilíbrio emocional, suportado pela sua força emocional, permite que se mantenha funcional, adaptado e adequado na sua vida.

Apesar das pressões da vida por vezes serem esmagadoras e a pessoa emocionalmente forte poder ficar abalada, por ser resistente, consegue aplicar estratégias de autoregulação que lhe permitem recuperar e seguir em frente.  A pessoa emocionalmente forte, não se poupará a esforços para encontrar soluções para as dificuldades que surjam, mantendo-se focada em recuperar o seu equilíbrio emocional.

A pessoa que não seja emocionalmente forte, numa primeira fase também irá ficar abalada, quando confrontada com as pressões e os desafios da vida, mas por não ser tão resistente, por vezes cede, perde o foco no caminho da solução ficando mais vulnerável ao aparecimento de problemas psicológicos como a depressão e ansiedade, pode ainda ceder a drogas e álcool para lidar com as situações incapacitantes, enquanto outras podem tornar-se desesperançadas e desistir.

O QUE NÃO SE USA ATROFIA

Muitas pessoas investem em livros de auto-ajuda à procura de respostas, enquanto outros procuram os serviços de um psicólogo para encontrar soluções e algumas pessoas participam em seminários de desenvolvimento pessoal. E tudo isto é uma mais valia que certamente ajudará num determinado grau. No entanto, todas estas formas de ajuda só serão potenciadas se a pessoa partir para a ação e exercitar a sua musculatura emocional. O que muitas pessoas não percebem é a regra: “o que não se usa perde-se” que se aplica ao treinamento da força física, mas também deve aplicar-se ao treinamento da força emocional.

DEFINIR OS LIMITES EMOCIONAIS

Não há uma fórmula mágica para conseguir desenvolver a força emocional, porém, vamos examinar porque é importante e as diferentes maneiras em que podemos melhorá-la. O primeiro passo para o treinamento da força emocional é definir os seus limites. Se conseguir definir os seus limites emocionais, identificando como é que quer sentir-se e o que seria necessário para sentir-se dessa forma, pode começar a ter a noção das estratégias a tomar. Por exemplo, se você quer ser tratado com respeito, você deve saber o quanto você está disposto a tolerar e aceitar  determinados comportamentos dos outros. Quando os seus limites são definidos, você ensina aos outros como quer ser tratado e como devem tratá-lo. Através da definição e consciencialização dos seus limites emocionais, você estabelece uma barreira de proteção e fertiliza o terreno para a construção de força emocional.

Ao conhecer os seus limites emocionais, saberá reconhecer quando está a sair desses limites ou quando eles estão a ser ultrapassados por outros. Por exemplo, se você tem o seu conjunto de limites bem definido e estiver a lidar com uma relação doentia onde é desprezado e humilhado, um alerta soará na sua mente lembrando de seus limites e instigando à ação para criar a mudança. Como já referi, reconhecer os limites emocionais, pode ajudá-lo a tomar as medidas necessárias para se proteger. Acresce ainda a possibilidade de ir fortalecendo as suas emoções e construção de auto-respeito.

A definição dos limites emocionais, assim como a capacidade os reconhecer quando estão a ser colocados em causa ajuda-o a ficar motivado para alcançar o que você quer sentir. À medida que for percebendo as novas fronteiras a cada dia que passa, vai estabelecendo um novo conjunto de regras e objetivos para si mesmo. Essas regras e objetivos permitem que se movimente de acordo com isso, agindo e comportando-se de tal forma que nessa interação os sentimentos que você quer sentir surgirão. A musculatura emocional vai-se desenvolvendo até ao ponto em que você terá a energia necessária para lidar com os desafios que surgem na sua vida.

Dica: Determine ou perspetive o que você quer sentir, e saiba o que está disposto a aceitar. Saiba o que está disposto a fazer para começar a sentir-se emocionalmente forte. E lembre-se, defina as suas fronteiras emocionais.

LIVRE-SE DA BAGAGEM EMOCIONAL QUE O TEM TRAVADO

O treinamento de levantamento de pesos ajuda a reduzir o risco de lesões, aumenta a força muscular e permite ao corpo suportar o stress externo (forças externas).  O mesmo acontece com o treinamento da força emocional, você fica mais capacitado e melhor equipado para lidar com as crises que vão surgindo na sua vida, ficando menos vulnerável. Um passo importante para o treinamento da força emocional é desprender-se da bagagem emocional negativa, paralisante e depreciativa que você possa ter vindo a transportar ao longo do tempo.

É incrível como a bagagem emocional negativa pode permanecer por largos períodos na nossa vida. É como se nos tivéssemos acostumado e ligado tanto a esse passado que torna-se desconfortável o desapego. Você pode ter tido que suportar um trauma grave em criança ou na vida adulta, sentindo-se culpado ou com vergonha acerca de algum evento passado, ou com raiva ou ressentimento. Por exemplo, você pode ter dificuldade em perdoar a alguém pelo mal-estar que lhe infligiu e ter desenvolvido um muro emocional, impossibilitando amar de novo. O treinamento da força emocional só pode ter lugar quando você se libertar do peso desnecessário que transporta em si mesmo e permitir-se a caminhar sem amarras emocionais.

ÃO SE FUNDA AOS ACONTECIMENTOS TRAUMÁTICOS DO PASSADO

Para facilitar o processo de livrar-se da sua bagagem emocional negativa é importante que não deixe que os acontecimentos traumáticos do passado possam definir quem você é. Não deve fundir-se a esses acontecimentos e muito menos confundir-se com eles ao ponto de identificar os seus traços de personalidade com o sucedido. O passado é passado e deve ser usada como lições para o futuro, mas nunca para bloquear o nosso caminho emocional. Evite definir-se por as coisas menos boas que lhe aconteceram no passado, mesmo que tenha contribuído para isso. Aprenda, perceba o que pode fazer de diferente, ou ao invés o que pode evitar fazer. Não deixe que os acontecimentos negativos e traumáticos o definam enquanto pessoa .

Agora é  hora de pôr um fim à velha forma e preparar-se para a libertação emocional.

CONHEÇA A SUA VERDADE

Embarque na aventura de conhecer o seu verdadeiro eu através da definição do seu sistema de valores, aquilo em que acredita, aquilo que faz de você animado, e como você quer ser percebido. Proponha-se a abrir mão de velhas percepções incapacitantes e paralisantes e torne-se emocionalmente forte. Então, como você sabe se precisa de algum treinamento da força emocional?

Responda às seguintes questões:

  • Você fica facilmente zangado, frustrado ou irritado?
  • Como você se avalia a si mesmo?
  • Você carrega um monte de dúvidas?
  • Você fica consumido por pensamentos pessimistas?
  • Quando surgem dificuldades na sua vida, você enfrenta-as ou vai-se abaixo sob a pressão de não conseguir ultrapassar o problema?
  • Você fica muitas vezes triste, sem saber porquê?
  • Você faz autosabotagem aos objetivos a que se propõe?
  • Você vitimiza-se pelos acontecimentos do passado?
  • Você tem dificuldade em expressar os seu sentimentos, com receio de magoar-se?
  • O seu sentimento de culpa, inibe as suas ações?

A construção de força emocional exige uma combinação de autocontrole, disciplina, animo, determinação, coragem e confiança para aprender a lidar com as suas emoções e fortalecê-las.

APRESENTO ALGUNS COMPONENTES IMPORTANTES DO TREINAMENTO DA FORÇA EMOCIONAL:

Condicionamento mental. Tome decisões conscientes para fortalecer as suas emoções. Passe algum tempo sozinho para refletir sobre o que é importante para si e defina os seus limites. Tente perceber o que quer fazer e como quer sentir-se.

Atividade cardiovascular. Os benefícios da atividade física na saúde são evidentes e têm sido muito divulgados. A boa relação com o corpo, reforçado pela atividade física moderada permite melhorar o seu humor através da libertação de endorfinas (químicos que provocam bem-estar) na corrente sanguínea, e energizam-no.

Expresse as suas emoções no seu circulo de amigos e pessoas de confiança. Isso pode ajudar a aliviar a ansiedade, raiva ou stress. Permite ainda ter a oportunidade de trabalhar e processar os seus sentimentos, assim como ter a oportunidade de ser emocionalmente honestocom quem acha que deve.

No inicio da interação com as outras pessoas estabeleça expetativas baixas até que elas ganhem o seu respeito e confiança. Não quero dizer que não se deve mostrar interessado e empático, nada disso, pelo contrário, claro que deve. Mas por vezes, esquecemo-nos que os outros podem não estar no mesmo registo de vida ou de pensamento que nós. Projetamos expetativas nessas pessoas, que nada tem a ver com a forma como olham o mundo, sendo que depois se o retorno deles não for o esperado por nós, temos uma explosão emocional negativa. As interações com os outros devem ser trabalhadas, em conhecimento e desenvolvimento mútuo. Forjadas em acontecimentos e em interrelações fundadas em fatos e experiência vividas, e não em suposições ou ideais fictícios.

Aprenda a apreciar o que você tem e deixe de concentrar-se demasiado no que você não tem. Por vezes os abalos na autoestima e autoconfiança provêem da comparação exagerada com os outros ou até com aquilo que você gostaria de ter e ainda não tem. Foque-se naquilo que tem, nas suas virtudes, nas sua forças e habilidades. Se percebe que pretende melhorar alguns aspetos de si ou da sua vida, ótimo. Com esses aspetos identificados e aceites proponha-se a fazer algo para se ajudar a si mesmo. Crie sentimentos e estados positivos que possam colocá-lo na posse de energia suficiente para trabalhar em algumas das suas fraquezas sem que se sinta mal com isso.

Abra a sua mente e prepare-se para novas informações. Mesmo que possa sentir-se desconfortável ao sair da sua zona de conforto, empurre-se e proponha-se a fazê-lo. Ao estar a experienciar e a processar nova informação vai criando a oportunidade de treinar a sua musculatura emocional.

Não se permita ser vingativo. Aprenda a aceitar alguns acontecimentos que até possam ter sido injustos e permita que a paz entre na sua vida. Por vezes, ruminar muito no assuntos que nos promovem rancor, raiva e indignação só nos faz reviver as situações uma e outra vez, não ajudando em nada a ultrapassar a situação incomodativa.

Permita que os pensamentos positivos possam substituir a negatividade. A capacidade de ir treinando a substituição dos pensamentos negativos que lhe passam na cabeça por pensamento positivos, permite que também reforce a sua habilidade de perceber até que ponto os sentimentos negativos que suportam a negatividade estão a atrapalhar o foco na procura de soluções e de ações que possam criar bem-estar emocional. Expliquei este assunto no artigo: Abandone a negatividade, acabe com o diálogo auto-crítico.

Tenha precaução na ligação que possa ter com algumas pessoas tóxicas que possam interferir na sua vida. Se algumas pessoas não tiverem nada de positivo para oferecer não deve haver espaço na sua vida para elas.

Eduque-se, aprenda e desenvolva-se nas áreas que pretende. Isso permite remover algumas dúvidas que possa ter acerca de si mesmo e construir autoconfiança. Se você for persistente e insistir no seu desenvolvimento pessoal, com o tempo tornar-se-á mais forte emocionalmente. Lembre-se, a repetição é a chave para construir a sua força emocional. Comece hoje mesmo o treinamento para a sua força emocional.

“Não vamos esquecer que as emoções são os grandes capitães de nossas vidas, nós obedecemo-lhes sem nos apercebermos.” – Vincent Van Gogh

“Assuma o controle das suas emoções mais consistentes  e comece conscientemente e deliberadamente a remodelar a sua experiência diária de vida.” – Anthony Robbins

mulher contente

DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA EMOCIONAL

As emoções são a essência que dão sentido à vida, permite-nos sentir o mundo, entender-nos e a relacionar-nos com os outros. Quando estamos conscientes e conseguimos regular as nossas emoções, conseguimos pensar de forma clara e criativa, gerir o stress e enfrentar os desafios, comunicamos melhor com os outros, expressamos confiança e empatia. Mas, se ao invés perdemos o equilíbrio das nossas emoções, ficamos confusos, ficamos com o raciocínio nublado e por vezes caímos num ciclo de negatividade.

O QUE É A CONSCIÊNCIA EMOCIONAL?

Quer estejamos cientes ou não, as emoções são uma presença constante na nossa vida, influenciando tudo o que fazemos. Ter consciência emocional significa saber o que você está sentindo e porquê. É a capacidade de identificar e expressar o que você está sentindo a cada momento entendendo a conexão entre os seus sentimentos e as suas ações. A consciência emocional também permite que você consiga entender o que os outros estão sentindo e simpatizar ou anemizar com eles.

Consciência emocional envolve duas habilidades básicas:

  • A capacidade de reconhecer a sua experiência emocional, momento a momento.
  • A capacidade de lidar com todas as suas emoções, sem ficar angustiado.

PORQUE É A CONSCIÊNCIA EMOCIONAL IMPORTANTE?

Você já se sentiu deprimido, com ansiedade ou raiva? Você costuma agir impulsivamente, fazendo ou dizendo coisas que sabe que não deveria, arrependendo-se depois? Você já se sentiu desconectado dos seus sentimentos ou emocionalmente vazio? Você tem dificuldade em comunicar com os outros e formar ligações significativas? Você sente que a sua vida é como uma montanha-russa emocional, vivendo os extremos dos seus sentimentos e sem equilíbrio emocional?

Se respondeu afirmativamente a algumas das questões anteriores, é porque você está a passar ou já terá passado por uma interferência na sua consciência emocional.

As nossas emoções, e não os nossos pensamentos, motivam-nos. Sem uma consciência do que você está sentindo, é impossível compreender o seu próprio comportamento, regular apropriadamente as suas emoções e ações, e “ler”  com precisão os desejos e necessidades dos outros.

A consciência emocional ajuda a:

  • Reconhecer quem você é: o que você gosta, o que você não gosta, e o que você precisa.
  • Entender os outros e ter empatia com eles
  • Comunicar-se com clareza e eficácia
  • Tomar decisões sábias baseadas nas coisas que são mais importantes para você
  • Ficar motivado e tomar medidas para cumprir as suas metas
  • Construir relacionamentos fortes, saudáveis e gratificantes

COMO DESENVOLVER A CONSCIÊNCIA EMOCIONAL PODE TRAZER EQUILÍBRIO PARA A SUA VIDA?

“A minha vida é uma montanha russa emocional!”

Por vezes a vida tem altos altos e baixos, mas não temos necessariamente que colocar tudo em causa quando estamos a atravessar uma fase menos boa. Ter consciência das suas emoções, aceitá-las, saber que elas podem ajudá-lo a perceber o mundo pode promover a autoregulaçãoemocional e consequentemente caminhar na vida de forma mais equilibrada

“Eu sempre lamento o que eu digo ou faço.”

Aprenda que apesar de por vezes lamentarmos ter determinado tipo de comportamentos que se comprovam como insatisfatórios, quer para nós quer para os outros, nada invalida que possamos perceber, que gatilhos accionamos para perder o controlo dos nossos pensamentos. Expliquei este assunto no artigo: A sua atitude é uma decisão, a importância de ter uma atitude mental positiva.

Eu não tenho energia.”

Por vezes podemos sentir-nos em baixo. Quando você não tem nenhum problema físico, e ainda assim fica sem vontade para fazer o quer que seja, se a sua vontade paralisou, pode estar a ficar deprimido. Quando você está emocionalmente mais consciente, pode conseguir entrar em sintonia com estes sentimentos, percebê-los e desapegar-se deles,  permitindo fazer uma mudança para melhor.

“As pessoas que eu estou interessado não têm interesse em mim.”

Alguns relacionamentos são difíceis, mas você consegue criar laços duradouros quando se torna emocionalmente mais consciente. Isto acontece porque tem uma noção maior e mais clara do que os outros sentem, como reagem a determinados estados seus, e que acima de tudo também comentem erros de juízo, e você pode perceber isso sem que necessariamente fique constrangido ou melindrado.

“Eu não consigo chegar mais à frente, mesmo sendo inteligente e trabalhando duro.”

Às vezes, chegar-se mais à frente na sua carreira, ou obter sucesso num projeto ou desafio, exige mais do que ser-se inteligente ou esforçar-se. Tornar-se emocionalmente mais consciente é um requisito que pode ajudá-lo a comunicar melhor de forma a que os outros percebam a sua posição.

“As pessoas dizem que sou demasiado frio, por vezes me chama de “robô.”

Querer controlar as emoções é um pau de dois bicos. Pode funcionar, mas na grande maioria das vezes vira-se contra nós. Se você se fechou em si mesmo,  não mostrando qualquer emoção, pode ser perigoso. Se for o caso, você beneficiará se aprender a expressar abertamente as suas emoções, sempre que isso possa ajudar a integrá-lo e a relacionar-se de forma saudável com os outros.

AVALIAR A SUA CONSCIÊNCIA EMOCIONAL

Uma elevada consciência emocional é a base que permite a construção da saúde emocional, boa comunicação e relacionamentos sólidos. Muitas pessoas estão pouco familiarizadas com a experiência da consciência emocional. É surpreendente como algumas pessoas podem facilmente responder à pergunta: “O que você está experimentando emocionalmente?”

Qual é o seu nível de consciência emocional?

  • Você pode tolerar sentimentos fortes, incluindo raiva, tristeza, medo, nojo e alegria?
  • Você sente as suas emoções no seu corpo? Se você está triste ou em baixo, experimenta sensações físicas, como por exemplo no seu estômago e no peito?
  • Você toma grande parte das decisões baseadas em “instintos” ou usa as suas emoções para guiar as suas decisões? Quando os sinais do seu corpo lhe transmitem que algo está errado (aperto no estômago, tensão muscular, nó na garganta) você confia neles?
  • Você está satisfeito com todas as suas emoções? Você permite-se sentir raiva, tristeza ou medo sem julgar ou tentar suprimi-los?
  • Você presta atenção à sua experiência a cada mudança emocional? Você percebe uma variedade de emoções durante todo o dia ou está preso em apenas uma ou duas emoções?
  • Você consegue falar confortavelmente sobre as suas emoções? Você comunica os seus sentimentos honestamente?
  • Você sente que, em geral, os outros entendem e simpatizam com os seus sentimentos? Você está satisfeito com os outros sabendo das suas emoções?
  • Você é sensível às emoções dos outros? É relativamente fácil para você perceber o que as outras pessoas estão sentindo e colocar-se no lugar delas?

Se você não respondeu “normalmente” ou mesmo “às vezes” para a maioria dessas perguntas, não fique preocupado, certamente não está sozinho. A maioria das pessoas não estão emocionalmente conscientes, mas você pode aprender a estar, mesmo que tenha vindo a evitar alguns dos seus sentimentos. Ao aprender a reconhecer, e lidar com as suas emoções, você vai desfrutar de maior felicidade e saúde emocional, bem como melhorar os relacionamentos com os outros.

QUANDO NÃO CONSEGUIMOS LIDAR COM O STRESS, AS EMOÇÕES PODEM ESMAGAR-NOS

Provavelmente você terá muitas dificuldades em gerir as suas emoções se não souber como gerir o stress. As emoções são imprevisíveis, fluídas e temporárias. Nós nunca temos plena certeza das nossas respostas emocionais, e quando o stress se faz sentir, nem sempre temos tempo ou oportunidade de restabelecer o equilíbrio emocional, como por exemplo, sair para fazer uma corrida, ou tomar um banho quente de espuma . O que você precisa são ferramentas psicológicasque permitam saber lidar com o stress de maneira rápida e no momento presente.

Dica: A consciência emocional depende de sua habilidade de rapidamente conseguir aliviar o stress.

A consciência emocional requer a capacidade de saber lidar com o stress, em tempo útil. A capacidade de rapidamente reduzir o stress permite com segurança enfrentar as emoções fortes, de forma confiante e tendo um elevado grau de certeza de que você será capaz de manter a calma e o controle, mesmo quando algo perturbador acontece. Assim que saiba como acalmar-se quando começar a sentir-se angustiado, você pode conseguir explorar as emoções que parecem ser desagradáveis ou assustadores.

Para aprofundar o assunto, leia: Descubra o poder dos sentimentos negativos

EMOÇÃO: UMA FACA DE DOIS GUMES

A emoção é uma faca de dois gumes que se destina a ajudar, mas também pode prejudicar. Se você é uma pessoa que não sabe lidar com as suas emoções, ou se vive com uma pessoa que não sabe fazê-lo, pode ter vindo a experienciar sentimentos que podem parecer assustadores e esmagadores. O medo e impotência, são sentimentos que nos podem causar paralisia nas nossas ações, deixamos de agir,  ou desconectamo-nos do mundo, inibindo a capacidade de pensar racionalmente e levando a que possamos dizer e fazer coisas das quais nos possamos arrepender mais tarde.

Muitos comportamentos de dependência e comportamentos não desejados ou inadequados estão enraizados na incapacidade de atender às situações emocionalmente stressantes.

Formas comuns (desvantajosas) de controlar ou evitar as emoções:

  • Distrair-se com pensamentos obsessivos, fantasias escapistas, entretenimento fútil, e comportamentos de dependência, a fim de evitar as emoções que teme ou que não gosta. Assistar à televisão durante horas, jogar jogos de computador e navegar na Internet são formas comuns (prejudiciais) evitarmos lidar com os nossos sentimentos.
  • Colar-se a uma resposta emocional que você se sinta confortável, não importa a exigência ou necessidade da situação. Por exemplo, verbalizar constantemente piadas para encobrir algumas inseguranças ou ficar com raiva o tempo todo para evitar a sensação de medo e tristeza.
  • Evitar as emoções intensas. Se você se sentir angustiando e detroçado pelas suas emoções, você pode lidar com isso fechando-se em si mesmo. Você pode sentir-se completamente desconectada das suas emoções, ou preferir evitar ter determinados sentimentos.

O lado oculto (por vezes vantajoso)  das emoções desagradáveis:

  • A raiva pode ser tanto incapacitadora como reparadora. Se você está fora de controle, a sua raiva pode colocar os outros em perigo ou a si mesmo. Mas a raiva também pode proteger e preservar a vida. A raiva é uma emoção com muita energia que pode ser usado para salvar a vida através da mobilização de todo o organismo. Ou pode ainda transformar-se em determinação nos inspirar à ação criativa.
  • A tristeza pode levar à depressão, mas também pode promover o equilíbrio emocional.O sentimento de tristeza é uma chamada de atenção para algo que não está bem na nossa vida. Normalmente desacelera-nos, faz-nos parar, e eventualmente aceitar o que estamos experimentando emocionalmente. A tristeza pode despertar-nos para a importãncia das coisas, e porque motivo ficamos em baixo. pode ajudar-nos a perceber o que valorizamos e porque razão devemos fazer coisas para voltarmos a sentir-nos bem. Expliquei este assunto no artigo:Tristeza, qual o seu propósito?
  • O medo pode ser debilitante, mas também provocar reações salva-vidas que nos protegem do mal ou até promover os nossos objetivos. O medo é uma emoção profundamente forte, podendo encaminhar-nos para a raiva ou para a depressão. O medo avassalador pode ser uma barreira que nos separa dos outros, ou que nos impede de nos propormos a desafios por receio do fracasso, mas o medo também sustenta a vida pela sinalização do perigo e ou pela forte disponibilização de energia que pode ser transforamda em algo muito bom pela ação da coragem. Expliquei este assunto nos artigos: Medo, livre-se dessa sensação incapacitante e Aproveite o seu medo para atingir os objetivos desejados.

A saber: Evitando as emoções que não gostamos, distanciamo-nos das emoções prazerosas.

Quando nos desconectamos das emoções que não gostamos (as emoções que achamos assustadoras e avassaladoras) corremos o risco de automaticamente afetarmos emoções intensamente positivas como a alegria, que nos equilibram e sustentam em tempos difíceis e desafiadoras. Podemos superar a perda e grandes desafios, mas apenas se mantivermos a nossa capacidade de sentir alegria. As emoções alegres e que nos fazem sentir bem, permitem relembrar-nos que quando enfrentamos tempos difíceis, a vida vale a pena e pode ser maravilhosa, assim como terrível.

mulher triste

ACEITE TODAS AS SUAS EMOÇÕES

Se você nunca aprendeu a lidar com o stress, ou não sabe lidar com pensamentos e sentimentos negativos, ou não sabe lidar com a ansiedade,  ou não saber lidar com a depressão, a ideia de reconectar-se e aceitar as emoções desagradáveis pode ser assustador. Mas se é o seu caso, se sente dificuldade em lidar com algumas destas coisas, está a tempo e tem agora a oportunidade de aprender a lidar com segurança com as suas experiências emocionais. Você pode mudar a forma de experienciar e responder às suas emoções.

O processo de sensibilização emocional envolve reconexão com todas as suas emoções nucleares, incluindo raiva, tristeza, medo, nojo, surpresa e alegria através de um processo de autoaceitação.

AO INICIAR ESTE PROCESSO, MANTENHA OS SEGUINTES FATOS EM MENTE:

As emoções vão e vêm rapidamente, se você deixar. Você pode ter a ideia  que uma vez que se reconecte e aceite as emoções que está evitando, vai ser preso com elas para sempre, mas que não é assim. Se não ficar obcecado com as suas emoções (normalmente as negativas), mesmo os sentimentos mais dolorosos e difíceis tendem a diminuir e a perder o poder de controlar a nossa atenção.

Quando os nossos sentimentos são libertados, as emoções nucleares de raiva, tristeza, medo e alegria vêm e vão rapidamente. Durante todo o dia, você vai ver, ler ou ouvir algo que momentaneamente desencadeia um forte sentimento de algum tipo. Mas se você não ficar demasiado apegado e não se focar apenas nesse sentimento (normalmente negativo), uma emoção diferente em breve tomará o seu lugar. Será tanto mais assim, quanto mais você acreditar que tem capacidade para focar a sua atenção em algo que pode promover um sentimento mais positivo.

A técnica é: Substituir intencionalmente um sentimento negativo e incomodativo por outro que possamos preferir. O que não deve fazer, é lutar contra o sentimento que o atrapalha, mas sim aceitá-lo enquanto experiência no seu corpo, e depois fazer coisas para substitui-lo por um mais agradável. Certamente estará a trabalhar no desenvolvimento da sua força emocional, e consequentemente a treiná-la.

O seu corpo fornece-lhe pistas acerca das suas emoções. As nossas emoções estão estreitamente alinhadas com as sensações físicas sentidas nos nossos corpos. Quando você experimenta uma emoção forte, você provavelmente também sente isso em algum lugar no seu corpo. Ao prestar atenção a essas sensações físicas, você pode entender melhor as suas emoções. Por exemplo, se você sente um aperto no seu estômago  cada vez que  passa algum tempo com uma pessoa especial, você pode concluir (através de uma apreciação errada) que sente-se desconfortável na presença dela, o que na verdade é falso. Expliquei este assunto no final do artigo:Honestidade emocional, uma mais valia para si e seus relacionamentos.

Com exceção de uma dor de cabeça, as sensações físicas são geralmente sentidas em algum lugar abaixo do seu pescoço. Os exemplos incluem:

  • Sensações no seu estômago
  • Tensão nos seus músculos
  • Instintos subtis para mover partes do seu corpo
  • Vislumbres ou “sentimentos viscerais”

Você não tem que escolher entre pensar e sentir. Através do desenvolvimento da consciência emocional, você pode conseguir tirar proveito de ambos, complementando a informação ao seu dispor para intencionalmente decidir que ações tomar. Você saberá o que está sentindo sem ter que pensar demasiado sobre isso e será ainda capaz de usar esses sinais emocionais para entender o que realmente está acontecendo numa situação e agir em conformidade. O objetivo é encontrar um equilíbrio entre o seu intelecto (capacidade de raciocínio) e as suas emoções. O fato é que a consciência emocional irá ajudá-lo a estabelecer limites saudáveis, comunicar-se bem com os outros, prever (até um determinado ponto) o que os outros vão fazer, e tomar melhores decisões.

A consciência emocional é uma habilidade que você pode aprender. A consciência emocional é uma habilidade, o que significa que, com paciência e prática, pode ser aprendida em qualquer momento da vida. Você desenvolve a consciência emocional, aprendendo a entrar em contato com as emoções negativas e incapacitantes e a lidar com os sentimentos desconfortáveis. Quando você sabe como fazer isso, pode tomar decisões deliberadas e ficar no controle, ao invés de tornar-se sobrecarregado, mesmo em situações muito difíceis.

CONCLUINDO

Os nossos sentimentos muitas vezes parecem-se com um cavalo selvagem, tomam conta de nós e julgamos não haver nada que as acalme, ficam desenfreadas. A única maneira de “domesticar” esses sentimentos é aprender a lidar com eles, enquanto toma consciência do seu impacto na forma como pensa e age.

A sensibilização emocional requer prática. Tal como no desenvolvimento da massa muscular na academia, quanto mais você exercitar as suas emoções, mais “músculo emocional” irá desenvolver. Certamente concordará que não se tornaria num fisioculturista após uma ida ao ginásio. Quanto mais você praticar consistentemente, maior serão as mudanças que vai experimentar na maneira de sentir, pensar e agir.

Não fuja das suas emoções  e sentimentos. Elas são suas, manifestam-se em si, fornecem-lhe informação. É essa informação que tem de saber interpretar e perceber, e a partir daí construir respostas que possam ser adequadas às situações que enfrenta.

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Terapia de Casal

1) Conheça a sua sombra

Em primeiro lugar, temos que conhecer os nossos próprios defeitos. Isso porque quando nós não conhecemos o que temos de pior, projetamos tudo nos outros. Ou seja, aquilo que eu acho ruim do outro ser ou fazer, é o que eu mesmo tenho dentro de mim. Antes de criticar o outro, devemos procurar corrigir nossos próprios defeitos. Como no provérbio chinês: “Antes de começar o trabalho de modificar o mundo, dê três voltas dentro de casa”

2) A essência das religiões: Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você

Devemos procurar pensar e agir de maneira positiva. Todos querem encontrar a felicidade! Mas não há felicidade sem a felicidade do próximo. Prejudicar o outro, dizer palavras duras, mentir, ou outras atitudes negativas podem até “parecer” boas no momento, mas só vão dar mais dor de cabeça no futuro.

3) Ame incondicionalmente, sem esperar algo em troca

A maior parte das pessoas confunde amar e ser amado. São duas coisas completamente diferentes! Eu posso muito bem amar alguém que não me ama, não é mesmo? Posso inclusive amar e respeitar alguém que me odeia e que me considera seu inimigo.

Mas estes são casos extremos. No dia-a-dia, é importante pensar no lema do Lions: “dar de si antes de pensar em si”. Ou seja, praticar a generosidade, que se torna realmente grandiosa quando não esperamos receber de volta. Para os mais apressadinhos, e impacientes, é importante lembrar que há sim um retorno de toda ação que praticamos. Mas o retorno pode demorar um pouco mais do que esperado… E além do mais, se vai retornar de qualquer forma, para que ficar sentado esperando?

4) Pense antes de falar

Quantas e quantas vezes dizemos coisas que mais tarde nos arrependemos? Ou mesmo logo depois de termos falado? Portanto, ajuda muito pensar antes de falar. Se estiver com raiva, mágoa, tristeza, ressentimento ou qualquer outro sentimento negativo, faça o que o Osho certa vez contou em uma palestra. Espere 24 horas, e depois diga o que você queria dizer…

5) Não leve tudo tão a sério

Sofremos às vezes por uma única palavra, por um único gesto. Não leve tudo tão a sério! Releve um pouco. Relaxe… O que isto vai ser daqui a dez anos? Ou mesmo daqui a um ano?

6) Perdoe

O perdão é uma prática que deve sempre ser cultivada. Isto porque ninguém é perfeito, não é mesmo? E se errar é humano, como podemos viver sem perdoar? Aos outros e a nós mesmos?

7) Mantenha sua individualidade

Existe um erro também muito comum em relacionamentos amorosos: a idéia de que os dois são um. Isso, é claro, não é verdade. Em um relacionamento existem 2 vontades, 2 pensamentos, 2 sentimentos… Sentir-se unido ao outro é uma experiência interessante, mas há a necessidade de cada um manter a sua individualidade.

Tenha a sua vida, para além de seu relacionamento. Faça coisas que você gosta, que você aprecia. Tenha seu espaço e seu tempo.

8) Seja criativo

Podemos pensar em um relacionamento como sendo a sua história. Os lugares, momentos, músicas… Mas não podemos viver do passado, nem ficar repetindo sempre as mesmas coisas. Por isso, seja criativo. Mude. Para melhor!

9) Viva o Presente – o Agora

Pode parecer uma dica estranha. Mas não vivemos muito no presente… Sempre estamos indo para o passado ou para o futuro, criando ansiedade, medo, tensão. Ao invés disso viva segundo a segundo. No presente, o sofrimento que pode existir, some. Esta dica é muito importante para os relacionamentos amorosos, em que 5 minutos de atraso pode significar o fim.

10) Saiba que você é único(a)

Esta é a saída para não termos ciúme. O ciúme é uma comparação. “Tenho medo de perder quem amo por outra pessoa”. Daí começo a comparar quem sou com a outra pessoa. Mas fique tranquilo. Não há ninguém como você no mundo.

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Por que repetimos os mesmos sofrimentos?

Não importa em que tipo de relacionamento você se encontre, se familiar, afetivo, de amizade, profissional. Escuto esta pergunta o tempo todo: por que eu continuo sofrendo pelos mesmos motivos? Atraindo o mesmo tipo de pessoas? Passando pelos mesmos problemas?

A resposta é bastante simples, embora sua solução demande um bocado de esforço: O responsável é seu Eu Machucado.

Todos nós temos dois EUS ou, se preferir, dois SELFS. Temos o Eu Machucado (ou Self Inferior) e o Eu Superior (ou Self Superior).

O Eu Machucado é sua parte incompleta, é sua porção que questiona seu valor próprio, que não se sente completo, se sente inferior. Seu Eu Machucado vive se perguntando por que você não é suficiente, por que não consegue isso ou aquilo, por que não merece o que deseja. É seu Eu Machucado que não se conforma em não ser amado.

Por outro lado, você também tem um Eu Superior. Talvez ele esteja mais próximo do que chamamos de alma. É sua parte ligada ao amor mais puro e verdadeiro, à sabedoria, à verdade, à sua paz interior. Seu Eu Superior sabe exatamente seu valor, conhece suas forças e aceita que você seja do jeitinho que você é. Este Eu Superior não precisa que outros nos valorizem, nos amem, nos reconheçam; ele já faz tudo isso por você. Ele reconhece sua completude em si mesmo.

Em muitos momentos, operamos a partir de um ou de outro. Mas muitos de nós operamos na maior parte do tempo a partir do Eu Machucado. Ou seja, acreditam que são inferiores, frágeis, incompletos e que precisamos de algo externo para compensar essa falta.

O Eu Machucado procura lá fora (nos outros, nas coisas, nos relacionamentos, no emprego, no dinheiro…) algo que te faça encontrar validação e reconhecimento. Ele acredita que quanto mais você tem (repito: um parceiro melhor, um emprego melhor, uma casa melhor, mais férias, mais dinheiro…) aí sim você será feliz.

Mas … o vazio não é preenchido e você nunca consegue essa felicidade pronta e sem fim.

Na verdade, nos primeiros momentos em que você obtém esse algo externo (dinheiro, amor, férias…) você até se sente muito animado, como se não precisasse de mais nada. É uma falsa completude, porque é da própria natureza do Eu Machucado: ele nunca se sente completo, nunca é o suficiente.

Portanto, quando você vive através da perspectiva do seu Eu Machucado, você está destinado a se sentir como se algo estivesse sempre faltando.

Em relacionamentos afetivos o Eu Machucado fica altamente ativo, pois é nos relacionamentos onde vivemos mais situações em que podemos experimentar sofrimento.

Todos nós já vivenciamos chateações, decepções, dores num relacionamento passado. Muitas vezes essa memória (tantas vezes inconsciente) é originada lá na infância, nos nossos primeiros relacionamentos (pai, mãe, responsáveis, avós, tios, irmãos, primos, professores, coleguinhas…).

Se uma ferida da infância ainda está ativa dentro de você, é provável que você atraia pessoas que lhe farão reviver esse mesmo sentimento. Quer um exemplo? Se você foi rejeitado, é possível que atraia relacionamentos que, no fim, te façam se sentir invisível, rejeitado, sem valor, abandonado.

Seu inconsciente está programado para atrair pessoas que ativam essas feridas. E você pode me perguntar: por que isso acontece? Até quando preciso passar por isso?

A razão para isso é simples e muitas vezes difícil e dolorida: Para você aprender com essa experiência e crescer.

Por exemplo, se você precisa desenvolver sua autoestima, é provável que você atraia todo tipo de pessoas que irão intimidá-lo, desvalorizá-lo, que serão agressivos com você, que irão se opor ao que você pensa e sente, que não reconhecerão o que você faz ou fez por elas. Essa, então, poderá ser sua oportunidade de praticar e desenvolver sua autoestima.

Sei que essa é justamente a parte mais dura de um processo terapêutico, justamente quando você se percebe nessa repetição. Inicialmente quando a repetição é inconsciente talvez você sofra menos. Mais difícil é quando já sabe as origens da repetição, quando já começou a se trabalhar, mas ainda se vê envolta nos mesmos sentimentos. Essa é a parte mais difícil de aceitar.

Mas tente pensar da seguinte forma: Você está repetindo essas experiências e sentimentos para que possa finalmente curar-se.

Você não vai conseguir curar qualquer coisa se não puder senti-la ou enxergá-la. Não podemos curar as coisas que são inconscientes! Essa sensação de desconforto tem de vir à tona para que você consiga crescer a partir disso, a partir do aprendizado.

E como você consegue crescer a partir dessas feridas?

Mais uma vez dou uma resposta simples, mas também difícil: Identificando-se com seu Eu Superior.

Lembra que falei que seu Eu Superior é aquela sua parte que conhece sua essência, sua verdade, seu valor? Pois é. Ele sabe o quanto você é inteligente, digno, capaz, poderoso, engraçado, justo, amoroso. É isso e mais ainda que seu Eu Superior sabe sobre você e ele quer (e quer muito!) que você também saiba disso.

Seu Eu Superior sabe que você é completo, é pleno. Ele também sabe que você tem defeitos (afinal, todos temos!), mas sabe que é justamente essa imperfeição que te faz humano.

Quando você se identifica com seu Eu Superior, sua compulsão por repetir os padrões do passado vão se dissipando. E, aos poucos, desaparece. Mas esse é um processo, não é um evento. Não ocorre em dias ou em meses, pode durar de meses a anos.

E por que demora? Por que tem de ser tão sofrido assim?

Outra resposta simples, mas difícil de encarar: Por que você passou anos e anos vivendo assim, repetindo essa ferida. E não é de um dia para o outro que tudo isso se dissipa. Há um processo que se inicia em tornar tudo isso consciente (o que dói), depois encarar essa realidade, trabalhar em cima dela, lutar contra as auto Sabotagens (pois o Eu Machucado luta ferozmente para se manter ativo e poderoso), reconhecer suas qualidades e defeitos, perceber seu valor e a capacidade de mudar de pequenas a grandes coisas… Enfim, o processo pode demorar. Mas só quem viveu um resultado concreto pode dizer o quanto vale a pena manter-se confiante.

Quando você acorda para a verdade maior do seu Eu Superior, de repente você percebe que essas pessoas “erradas” eram apenas “professores da vida real”. Eles estavam ali, não à toa, para te ensinarem a fazer as pazes com sua Criança Interior.

Sabe aquela frase “A gente cresce no amor e na dor”? Infelizmente, na maioria das vezes, a gente acaba aprendendo na dor. Mas embora seja sofrido, o ponto ao qual devemos nos apegar é justamente o aprendizado, e não a dor do processo.

Esteja certo de que seu Eu Superior está doido para que você lhe dê forças, para que ele possa te mostrar o quanto você tem valor, quem você realmente é, e o que você de fato merece.

Mas recuperar esse amor dentro de você não é um trabalho fácil. Há de se ter persistência para lutar com o Eu Machucado. Por isso sempre digo que é um processo que ocorre de dentro para fora. E não de fora para dentro. Para que isso aconteça, você precisa reconhecer em si um mínimo de valor. Só depois de um “eu mereço” é que você acabará indo em busca de auxílio para significar esses padrões que, hoje, tanto te fazem mal.

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Ansiedade na Adolescência

”Apesar de todo adolescente enfrentar episódios de ansiedade uma vez ou outra, alguns parecem ser mais ansiosos que a média”

A ansiedade é uma reação normal do organismo a qualquer situação de estresse, podendo ocorrer desde uma prova na escola até a falar em público, marcar um encontro ou participar de uma competição. O problema começa quando a resposta a este estresse se torna tão intensa a ponto de comprometer seu desempenho ou seu relacionamento com outras pessoas no dia a dia.

Além de ser uma reação normal, a ansiedade também pode ser considerada uma ferramenta útil. Por exemplo, ao estudar para um teste, um pouco de ansiedade pode ser o tempero que faltava para lhe fazer estudar com mais afinco. Entretanto, quando excessiva, ela pode prejudicar a capacidade de raciocínio.

A partir de que ponto a ansiedade pode ser considerada excessiva?

Existem alguns sinais que sugerem que os níveis de ansiedade ultrapassaram os limites da normalidade. Os principais são:

– Você passa a ficar ansioso, preocupado ou assustado sem motivo aparente.

– Você se preocupa demais com situações ou atividades rotineiras, como preparar uma refeição ou fazer um telefonema.

– Você checa repetidamente se fez uma determinada coisa certa (p.ex.: volta várias vezes para ver se fechou a porta).

– Você simplesmente tem ataques de pânico em certas situações corriqueiras (p.ex.: treme e sente náuseas ou vontade de desmaiar durante uma prova na escola).

Todos estes sintomas significam que, provavelmente, seu nível de ansiedade está além do normal.

Quais os tratamentos da ansiedade?

Uma vez reconhecido o problema, é hora de descobrir como superá-lo. Aprenda com suas emoções: o que lhe traz paz e o que lhe causa ansiedade? Em muitos casos, apenas admitir para si que uma determinada situação pode causar angústia excessiva, e preparar-se antecipadamente para ela, já pode ser o suficiente para liquidar o problema da ansiedade.

Algumas pessoas podem se beneficiar de técnicas simples de relaxamento. Por exemplo: para reduzir seus níveis de ansiedade, dedique diariamente um período de 20 minutos voltado para o relaxamento. Procure um lugar calmo, longe de outras distrações. Desligue o som do computador e do telefone, e sente-se em silêncio, o mais quieto possível, por 20 minutos. Mantenha o foco dos pensamentos naquele momento, eliminando da mente qualquer outra idéia capaz de desviar sua atenção. Enquanto medita desta forma, procure perceber qual ou quais partes do seu corpo se encontram relaxadas ou tensas.

A medida em que você for avançando na meditação, tente imaginar que cada pequeno músculo do seu corpo está se tornando relaxado e livre de tensões. Concentre-se em manter a respiração lenta, e a cada expiração imagine seus músculos ainda mais relaxados – como se, a cada movimento respiratório, você exalasse a tensão para fora de si.

Findo o período de 20 minutos, procure sustentar o estado de serenidade por mais tempo. Após algumas semanas de prática diária, a maioria dos adolescentes é capaz de manter o relaxamento prolongado por várias horas, reduzindo significativamente os efeitos nocivos da ansiedade sobre sua vida.

Quem precisa tomar remédio para controlar a ansiedade?

Cerca de 13% dos adolescentes apresentam uma ansiedade tão intensa que é necessário iniciar algum tipo de remédio específico para controlar o distúrbio.

Existem vários medicamentos que podem ser utilizados para reduzir a ansiedade. A escolha entre um e outro dependerá do tipo e da intensidade dos sintomas.

Distúrbios generalizados da ansiedade ou ansiedade relacionada a certas situações sociais costumam ser tratados com os mesmos medicamentos empregados no tratamento da depressão (p.ex.: fluoxetina, paroxetina, venlaflaxina, amitriptilina, etc). Os efeitos destes remédios em geral levam cerca de 15-30 dias para serem percebidos.

Os benzodiazepínicos são considerados os medicamentos mais específicos contra ansiedade. O diazepam, o lorazepam e o alprazolam, são os benzodiazepínicos mais conhecidos. Eles podem ser utilizados sozinhos ou associados a outros remédios.

Na maioria dos casos, os médicos optam por associar o tratamento medicamentoso com técnicas de psicoterapia (p.ex.: terapia cognitivo-comportamental) para aumentar as chances de melhora e acelerar a recuperação.

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Como atua o musicoterapeuta?

Neste Artigo: A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.

A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.

De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.

Como atua o musicoterapeuta?

O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.

A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a “afinação” do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.

O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.

Indicações da musicoterapia

Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados.

Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.

Que música é a mais indicada?

Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.

Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.

Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.

Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.

A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.

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O papel do arteterapeuta

Olá pessoal, hoje eu gostaria de escrever um pouco sobre o papel do arteterapeuta. Primeiramente, quero ressaltar que a arte como instrumento terapêutico ainda é vista por algumas correntes da psicologia mais conservadoras com certas reservas. Entretanto, a prática da arteterapia existe em torno de 30 anos e dentro da abordagem junguiana a arte sempre esteve presente, pois é uma prática rotineiramente incluída nas condutas terapêuticas. O principal objetivo da arteterapia é de oferecer um apoio e uma assistência às pessoas em dificuldades de aprendizado, sociais e pessoais, de maneira que as atividades artísticas desenvolvidas pelo indivíduo possa induzi-lo para um processo de transformação de si mesmo, assim ajudando-os a integrar-se à grupos sociais de forma mais saudável, crítica e criativa. Ao meu ver, a arteterapia também pode nos ajudar no nosso autoconhecimento, contribuindo para que nos tornamos pessoas melhores.

Os arteterapeutas podem vir de diversas áreas do conhecimento:
Educação: professores, pedagogos etc.
Social: assistentes sociais, educadores etc.
Arte: artistas plásticos, dançarinos, pintores, atores, músicos, fotógrafos, etc.
Saúde: enfermeiros, médicos, psicólogos, psicanalistas etc.
A arteterapia pode ser trabalhada em grupo ou individualmente.

O trabalho com a arteterapia tem crescido muito nos últimos tempos e tem sido trabalhada em diversas instituições da sociedade como, por exemplo: hospitais, prisões, comunidades carentes e empresas.

Uma frase de Jung que me toca muito durante todo o meu trabalho e também uma postura que eu procuro ter e manter é esta aqui: “Conheças todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana – Carl Gustav Jung”.

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Alienação parental e os efeitos psicológicos nos filhos ?

O termo Alienação Parental, foi criado por um psiquiatra Dr. Richard Gardner na década de 80. A pesar das grandes ocorrências antes e depois da criação do termo, ainda não existia uma lei que assegurasse os direitos e deveres desses genitores e que amenizasse os possíveis traumas psicológicos que o filho poderia vir a ter. Em 26 de agosto de 2010, foi publicada a Lei 12.318 de Alienação Parental, em que o seu objetivo era de conferir maior poder ao juiz, para que o mesmo pudesse assegurar a prole uma proteção e seus direitos, mediante ao abuso emocional, psicológico, ou mesmo físico exercido pelos pais sobre os filhos (Fonseca, 2006).

Alienação Parental, não é exercida somente pelos progenitores, mas também por terceiras, como avós, tios, irmãos ou durante o matrimônio dos pais. Nesse contexto de disputa e abusos, a criança começa a se apegar excessivamente em um dos genitores ou protetores, alienando o outro. Por não conseguir elaborar o luto da separação um dos pais, irá utilizar do filho como uma forma de vingança, ou chantagem e até mesmo como um troféu de vitória e soberania. Isso se afirma na fala de Fonseca, (2006): “[…] Essa alienação pode perdurar anos seguintes, com gravíssimas consequências de ordem comportamental e psíquica, e geralmente só é superada quando o filho consegue alcançar certa independência do genitor guardião, o que lhe entrever a irrazoabilidade do distanciamento do genitor”.

Desejo dos Pais Gerando Sofrimento nos Filhos

No início da discussão sobre a Alienação parental há alguns anos atrás, vê-se que a primeira ideia era de que a guarda prioritariamente deveria ser da mãe, julgando que a mesma por ter um instinto materno, seria a mais indicada para um cuidado ideal da prole. Porém com o novo conceito de família e da igualdade de direitos e deveres implantados na nova era, faz-se repensar nesse conceito, onde o instinto de cuidar e proteger pode vim não somente da mãe (Simão, 2007).

Com essas mudanças e o próprio desejo do genitor que gera a Alienação Parental, faz com que além das atitudes de repulsa do filho para com o outro genitor, gera no mesmo, psicopatologias como a SAP (Síndrome da Alienação Parental), cujo filho passara também a promover situações e consciência nele e em outros de que o outro progenitor não possui boa índole ou que foi abandonado, fazendo assim esforços para realmente se afastar do mesmo. Ou seja, o filho passa a ser como uma arma para atingir o outro, pois passa a conviver diariamente com um abuso que muita das vezes é feito em atos sutis quase imperceptíveis (Fonseca, 2006).

Por lei é de responsabilidade dos pais cumprirem as sanções impostas pelo estatuto da criança e adolescente, onde o abuso por meio de correção e disciplina pode gerar crime de maus tratos, pois no artigo 3º do ECA assegura o desenvolvimento físico, psíquico, social, moral e espiritual do sujeito, oferecendo liberdade e dignidade. O não cumprimento dessas normas, principalmente nos casos de Alienação Parental, gera no sujeito vários traumas, que podem levá-lo a desenvolver baixa autoestima, transtornos de identidade, dificuldade de adaptação biopsicossocial, transtorno de condutas, sentimentos de rejeição, dentre outros. Segundo Simão, (2007):

“O pai ou a mãe que, autoritariamente, inviabiliza ou dificulta o contato do filho com o outro genitor exercer abusivamente seu poder parental, especialmente, quando há prévia regulamentação de visitas. […] o pai ou a mãe que frustra no filho a justa expectativa de conviver com o outro genitor, com o qual não reside, viola e desrespeita os direitos da personalidade do menos em formação […].”

Traumas e Psicopatologias

 

A relação de abuso, de denegrir o outro, gera sofrimento e traumas não somente no filho, mas também nos genitores. Isso por que o sentimento de amor é substituído pelo o de ódio. Em que alcançado o seu objetivo o progenitor, não percebe que a recusa e a não interação do filho com o outro lhe causará sofrimentos e rupturas traumáticas. Prejudicando a socialização, o desenvolvimento da personalidade, o que posteriormente poderá levar o filho a se distanciar do alienador, por passar a compreender a situação a que foi submetido. O que lhe causara ansiedade e angústia por ter perdido os laços de afeto com o outro progenitor (Simão, 2007).

Além de todo o sofrimento que a separação dos pais causa nos filhos, em que ainda poderão passar por processos traumáticos que iram gerar além das sequelas ditas anteriormente, poderão surgir psicopatologias como a SAP que iram prejudicar de forma parcial ou total a vida do sujeito, tudo isso muita das vezes por ter sido submetido acreditar que foi abusado sexualmente ou emocionalmente pelo outro genitor ou abandonado pelo mesmo.

Faz-se necessário nessas circunstâncias a atuação de uma equipe de psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, de forma bem estruturada, para que possa chegar de forma breve e o mais precisa possível em um diagnóstico, trabalhando assim, a psique e o social da prole, com mediação familiar, acompanhamento terapêutico para pais e filhos, a fim de evitar que se criem novos traumas sobre o sujeito. Pois a prole precisa de ambos os genitores para poder desenvolver suas referências, condutas, sentir se integrado na sociedade e protegido.

 

Referências:

BRASIL. Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12318.htm&gt; Acesso em: 11março 2014.

FONSECA, Priscila Maria Pereira Corrêa da. Síndrome de Alienação Parental. Pediatria, São Paulo, n. 28(3), 2006.

GARDNER, Richard. O DSM-IV tem equivalente para o diagnóstico de Síndrome

de Alienação Parental (SAP)? Tradução de Rita Rafaeli. Disponível em: < http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap-1/o-dsm-iv-tem-equivalente&gt;. Acesso em: 12 março de 2014.

SIMÃO, Rosana Barbosa Cipriano. Soluções judiciais concretas contra a perniciosa prática da alienação parental. In: APASE (Org.). Síndrome da Alienação Parental e a tirania do guardião: aspectos psicológicos, sociais e jurídicos. Porto Alegre: Equilíbrio, 2007. p. 15-28.

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Ciúme patológico: reflexo no cotidiano dos relacionamentos amorosos.

“Na realidade, o ser ciumento trava uma batalha consigo próprio, e não contra quem ama ou contra quem cobiça o bem amado. É no próprio núcleo do amor “ciumento que se engendra a inquietação e cresce a biotoxina que o envenena” (MYRA Y LÓPEZ, 1998, p. 174).

O ciúme não é uma emoção do mundo contemporâneo, ao contrário ele é atemporal e universal. Para algumas pessoas, o ciúme pode ser interpretado como “termômetro” do relacionamento amoroso, ou ainda como a “pimenta” da relação. No entanto, esse tipo de pensamento tem desdobramentos perigosos. Relacionamentos “adubados” com discussões, desrespeito, e agressões tanto física quanto moral podem não subsistir ao “até que a morte os separe”.

O risco está em reconhecer a linha tênue entre o normal e o patológico. O ciúme “normal” baseia-se em fatos (LEITE, 2000 apud COSTA, 2005, p.006) e “em função de uma ameaça real” (PINES, 1992 COSTA, 2005, p.006), “enquanto o “patológico” procura fatos e/ou sofre influência de delírios, (LEITE, 2000 apud COSTA, 2005, p.006) persistindo mesmo na ausência de qualquer ameaça real ou provável” (PINES, 1992 apud COSTA, 2005, p.006). Ou seja, o ciúme “normal” não produz necessariamente sofrimento psíquico, pois ele é transitório e específico, desaparecendo diante das evidências. Enquanto que o “patológico” gera significativo sofrimento psíquico além dos conflitos relacionais, sendo ele infundado e absurdo.

O ciúme patológico pode transformar relações harmoniosas, em pesadelos infernais. Quando excessivo, ele gera sofrimento, já que a pessoa experimenta emoções tais como: angústia, insegurança, culpa, raiva, ansiedade, depressão, baixa autoestima, humilhação, entre outras. O ciúme irracional, perturbador e prejudicial, têm registros bíblicos e também literários como o conhecido drama de Otelo – O Mouro de Veneza de William Shakespeare, que mostra a problemática dessa emoção chegando ao ápice da violência, o homicídio.

Cavalcanti (1997) ressalta que o ciúme corrói e destrói a base, permitindo que a dúvida invada e perturbe a alma, onde o ciumento ama e odeia ao mesmo tempo o (a) parceiro (a). O mesmo ainda elucida que o sofrimento maior se dá pela incerteza em que ele vive, pois sente-se constantemente ameaçado, vivendo uma relação carregada de tensão emocional negativa.

O ciúme patológico também pode ser sintoma de um quadro obsessivo compulsivo (TOC), levando a comportamentos compulsivos como, por exemplo, espionar o cônjuge; examinar os celulares, bolsos, agendas; surpreendê-lo no trabalho ou faculdade; verificar correspondências, e-mails ou mensagens; além de inúmeros questionamentos. O ciúme patológico pode ser enquadrado ainda como um subtipo de transtorno delirante como informa o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

É importante mencionar que pessoas que se reconhecem com esse tipo de comportamento, devem procurar ajuda profissional especializada em saúde mental. O tratamento pode ser individual ou em grupo, e tem como objetivo trabalhar a melhora da autoestima, assim como levar o paciente a sentir-se seguro com o próprio relacionamento. Em casos onde o cônjuge ignore sua própria doença, é possível que o casal faça terapia, visando facilitar a adesão do enciumado patológico ao processo terapêutico.

É necessário entender que a complexidade do ciúme aponta para a importância de se observar a relação amorosa com mais cuidado, pois ele pode ser um indicador de que algo não está bem. Aceitar a condição pode ser uma chance de ampliar a consciência, e refletir sobre o relacionamento de maneira mais profunda.


REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, A. M. O ciúme patológico. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997.

COSTA, N. Contribuições da psicologia evolutiva e da análise do comportamento acerca do ciúme. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 7, n. 1, p. 05-14, 2005.

MYRA Y LOPEZ E. Os quatro gigantes da alma: o medo, a ira, o dever, o amor. Rio de Janeiro: José Olímpio. 1998