Aquisição e desenvolvimento da linguagem com espectro do autismo.

          Alunos: RODRIGO ALVES TRINDADE, DAYANE FERNANDES RIBEIRO DE SOUSA, ANNA GABRIELA BRAZ DA SILVA, VIVIAN FREITAS,ANA CLÁUDIA

 

INTRODUÇÃO:

 

            O presente trabalho visa responder o seguinte problema “Como se dá o desenvolvimento da linguagem na criança com autismo?”.

            Partindo da hipótese de que o processo de aquisição de linguagem da criança com autismo tem sido descrito em termos de défices e analisado de forma individual. Esse trabalho objetivou analisar a aquisição da linguagem de uma criança com diagnóstico de síndrome autística. Este desenvolvimento é resultante da interação entre suas capacidades potenciais e a influência de seu ambiente.

            Por fim partimos do objetivo de que a presente pesquisa propõe avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na criança com o espectro do autismo. O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo. Deste modo, iremos procurar entender e avaliar de perto esse transtorno, onde o aspecto principal avaliado será a aquisição da linguagem.

JUSTIFICATIVA

Visto que as criança que possuem essa patologia acabam sendo excluídas da sociedade pela sua dificuldade de interação e afetividade, verificou – se a importância da mudança nas práticas interativas com essas crianças, passando a considerar a criança com autismo como um sujeito que está imerso nas praticas sociais.

OBJETIVO GERAL

Avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na com espectro do autismo.

 

 

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

  1. Identificar a dificuldade da interação verbal da criança autista.
  2. Buscar verbalização através da introdução de objetivos desenhos, jogos interativos e visuais, etc.
  3. Verificar a afetividade da criança no contexto familiar e escolar.
  4. Investigar se os pais estão incentivando a criança e falar.
  5. Verificar se os pais tem um dialogo freqüentes com os filhos.
  6. Investigar se existe um apoio familiar para com a criança autista.
  7. Desenvolver mecanismos que estimule a criança autista na codificação de linguagem através da músico – terapia sons e tons leitura de áudio.

 

 

METODOLOGIA

 

          Essa pesquisa apresenta – se a partir de um estudo de caso onde o sujeito pesquisado será uma criança com diagnósticos de síndrome de autismo com dificuldade na aquisição da linguagem.

Participantes: crianças diagnosticadas com síndrome de autismo

  • Critérios de inclusão: Crianças autistas de 03 á 05 anos de idade, sexo, feminino e masculinos, que apresentem dificuldades de aquisição da linguagem: classe socioeconômica B,C e D.
  • Critérios de exclusão: crianças que tenham alguma outra comorbidade transtorno ou deficiência intelectual .

Instrumentos

 

  • Termo de livre esclarecimento.
  • Crachá identificação da Faculdade
  • Prancheta com folhas A4, para anotações
  • Lápis preto.

 Procedimentos

 

  • Conversaremos com pais e com funcionários da escola, para sabermos como é o comportamento e o desenvolvimento da criança .
  • Observaremos a criança em sua casa e em seu ambiente escolar, pelo período de dois dias
  • Após a observação será feito um relatório, com base nos dados e anotações colhidas nos dias da observação, onde analisamos tudo o que foi observado.
  • Depois da analise de método de observação naturalístico, orientar e estabelecer por meio de contingências e condicionamento no comportamento da criança autista.
  • Estabelecer estímulos de Condicionamento respondente e o operante.
  • Usaremos métodos de modelação de comportamento, estabelecer desenvolvimento de comportamento apreendido pela criança autista por observação de comportamento de outra pessoa.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

            O desenvolvimento da linguagem se dá durante os primeiros anos de vida e a própria linguagem em si, em todos os seus aspectos, acompanha praticamente todas as atividades do ser humano ao longo de sua vida.

            Para Geraldi (1995), a linguagem é fundamental ao desenvolvimento de toda e qualquer pessoa humana. Ela permite aos sujeitos compreender o mundo e nele agir, e  desta maneira é a forma mais usual de encontros, desencontros e confrontos de posições, porque é por ela que estas posições se tornam públicas.

O autismo, chamado de Síndrome (conjunto de sintomas) por ainda não ter uma causa específica definida. Foi primeiro classificado em 1943 por Leo Karner. Hans Asperger pesquisou e em 1944 classificou a Síndrome de Asperger, um dos espectros mais conhecidos do Autismo, um autismo brando.

Ainda não se tem uma causa específica, mas há várias suspeitas de possíveis causas e as pesquisas não param.

É um transtorno do desenvolvimento, que manifesta-se antes dos três anos de idade e compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação 13 (fala e entendimento) e o convívio social, apresentando em muitos casos um retardo mental, mutismo ou importantes atrasos no desenvolvimento da linguagem.

Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intacta, outras parecem fechadas, distantes, presas a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento. A maioria das crianças não fala e, quando falam é comum a ecolalia (repetição de sons ou palavras), inversão pronominal etc.

O comportamento delas é constituído por atos repetitivos e estereotipados; não suportam mudanças de ambiente e preferem um contexto inanimado. Possui uma capacidade inata de estabelecer relações afetivas, bem como para responder aos estímulos do meio. Recentes estudos apontam a contaminação por mercúrio (Thimerosal) e ou metais pesados como possíveis causas. Em alguns países já é proibido o uso de vacinas com Thimerosal e outros agentes portadores de mercúrio na fabricação de vacinas. Os critérios de diagnósticos mais aceitos são avaliações completas com base na DSM IV (da Associação Americana de Psiquiatria) ou CID 10 (publicado pela Organização Mundial de Saúde).

No que se refere à linguagem, em 50% dos casos de Kanner, ela estava completamente ausente aos 5 anos; esta mudez caminha ao lado de uma pobreza de comunicação gestual: a criança autista serve-se, algumas vezes, do adulto para obter o que deseja; está aí, sem dúvida, um esboço de comunicação, mas não existe, de maneira alguma, a troca gestual viva e comunicante da criança deficiente auditiva. Algumas crianças autistas apresentam um esboço de linguagem, que surge entre 4 e 5 anos que, mais freqüentemente, é reduzido a algumas palavras deformadas.

As deformações são as mesmas que surgem habitualmente no início da instalação de uma linguagem normal. Este distúrbio de linguagem pode, naturalmente, ser distinguido dos déficts funcionais banais, em razão do contexto clínico: nestas formas de autismo, a etiologia psicótica não é colocada em dúvida. A aparição da linguagem ocorre em circunstâncias muito diversas. A criança autista pode, ao redor dos 5 anos, sair de seu silêncio e emitir sons verbais análogos às primeiras “palavras” da idade de um ano, quer sem um incidente novo, quer após um movimento emocional. Geralmente, é uma linguagem embrionária.

  1. a) Esta criança descobre suas possibilidades motoras bucais: assoprar, beijar, cuspir: verdadeiro prazer motor, que se acompanha da emissão de sons subseqüente. Ela exprime, então, por meio de gritos ou risos seu desprazer ou sua alegria; depois, esboços de palavras substituem os sons. Outra descobre o canto; outra, os gritos dos animais. Acontece da aprendizagem da escrita ser a primeira possível e desencadear na criança o desejo de designar em voz alta o que o adulto lhe comunica; parece, neste caso, que o símbolo escrito conforta a criança e dá a ela a “permissão” de chegar à linguagem oral. Estes primeiros esboços de linguagem (palavras de uma ou duas sílabas adulteradas) coincidem, frequentemente, com a aquisição de atividades motoras (salto, corrida) ou de um comportamento alimentar mais autônomo, com a tomada de consciência do esquema corporal e a possibilidade de se reconhecer no espelho. É nisto que uma educação psicomotora, associada algumas vezes a sons de instrumentos que acompanham as tentativas de expressão rítmica, pode mostrar-se benéfica.
  2. b) A ecolalia é muito freqüente; Kanner insistiu particularmente nisso: a criança repete passivamente palavras e frases que ouviu, mas o que ela diz não tem relação com a situação vivida Ela não olha o interlocutor: não é uma verdadeira comunicação verbal. Freqüentemente, estas repetições ecolálicas exprimem as 29 proibições do adulto: “é proibido”, “não pode”. Muito peculiares à criança psicótica são os discursos ecolálicos retardados, produzidos horas e dias depois do adulto ter falado: acreditava-se que a criança não estivesse ouvindo e se é surpreendido, ao escutá-la, muito mais tarde, redizer o que havia sido dito, quando ela está sozinha ou diante de qualquer um, sem que isto tenha qualquer sentido.

            A linguagem é, assim, dialógica por natureza; é vista como ação, como um trabalho do sujeito sobre a língua visando à significação. Através do processo de aquisição, a criança se constitui como sujeito da linguagem e, ao mesmo tempo, constrói o seu conhecimento do mundo sempre por intermédio do outro. Nesse processo, a criança tem um papel ativo, na medida em que a construção do conhecimento é vista como uma relação sujeito/objeto, que se evidencia a partir de um processo de objetivação solidário em direção a um processo de subjetivação, enquanto tomada de perspectiva do sujeito, operando um determinado fenômeno (De Lemos, 1982).

            Para Fernandes (2006), a partir dos dois anos de idade a criança passa a diferenciar perguntas de não-perguntas e também passa a ajustar suas respostas. Essa participação nas trocas verbais requer habilidades conversacionais básicas como capacidade de iniciar e interagir e de responder apropriadamente e manter a interação.

            A questão da dificuldade de interação é um sintoma da síndrome autística que vem sendo descrito na literatura desde o descobrimento dessa síndrome por Kanner, em 1947. As crianças com autismo estudadas pelo autor apresentavam falha no contato afetivo, obsessividade na manutenção da rotina e movimentos repetitivos, sendo que algumas delas não desenvolviam fala, e as que o faziam não apresentavam intenção de se comunicar. Kanner (1947) afirma que o retraimento social é, frequentemente, acompanhado da impossibilidade da criança de desenvolver linguagem de maneira funcional, ou seja, ela consegue pronunciar palavras, mas não apreende conceitos.

            Existem vários tipos de autismo, entretanto, cada síndrome com a sua nomenclatura especifica:

  • AUTISMO CLÁSSICO: Caracterizada por problemas com a comunicação, interação social e comportamentos repetitivos, autismo clássico é tipicamente diagnosticado antes dos três anos. Sinais de alerta incluem o desenvolvimento da linguagem atrasada, falta de apontador ou gesticulando, mostrando falta de objetos, e auto estimulação comportamento como balançar ou bater as mãos. Na maioria dos casos, a doença provoca atrasos significativos no desenvolvimento e os pais ou cuidadores notar que há algo acontecendo durante os anos da criança. No entanto, em casos de alto grau de funcionamento, a criança pode ser ter cinco anos de idade ou mais, antes que ele ou ela receba um diagnóstico.
  • AUTISMO CLÁSSICO DE ALTO FUNCIONAMENTO A GRAVE OU DE BAIXO FUNCIONAMENTO: Autismo de alto funcionamento envolve sintomas como competências linguísticas em atraso ou não funcional, comprometendo o desenvolvimento social, ou a falta da capacidade de “role play” com os brinquedos e fazer outras atividades lúdicas que as crianças imaginativas  neurotípicas fazem. No  entanto, as   pessoas  com  autismo  de  alto   funcionamento  tem um QI na faixa normal e podem exibir nenhum do comportamento compulsivo ou autodestrutivo, muitas vezes visto em autismo de baixo funcionamento.
    Autismo de baixo funcionamento é um caso mais grave da doença. Os sintomas do autismo são profundos e envolvem déficits graves em habilidades de comunicação, habilidades sociais pobres, e movimentos repetitivos estereotipados . Geralmente, o autismo de baixo funcionamento está associado com um QI abaixo da média.
  • SÍNDROME DE ASPERGER: Apesar de não ser incluída como um diagnóstico separado na última revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), muitas pessoas têm sido marcadas com Síndrome de Asperger. Este tipo de autismo de alto funcionamento tem algumas características distintas, incluindo excepcionais habilidades verbais, problemas com o jogo simbólico, problemas com habilidades sociais, desafios que envolvam o desenvolvimento da motricidade fina e grossa, e intensa, ou mesmo obsessivos interesses especiais.
    Síndrome de Asperger se diferencia do autismo clássico em que não implica qualquer atraso de linguagem significativo ou prejuízo. No entanto, crianças e adultos com Asperger pode encontrar no uso funcional da linguagem, um desafio. Por exemplo, eles podem ser capazes de rotular milhares de objetos, mas podem lutar para pedir ajuda usando um desses itens.
  • TRANSTORNO INVASIVO DO DESENVOLVIMENTO – SEM OUTRA ESPECIFICAÇÃO (PDD-NOS): é outro transtorno do espectro do autismo, que não mais realiza um diagnóstico oficial separado no DSM-V. Em vez disso, profissionais de saúde mental irão diagnosticar esses indivíduos com autismo de alto funcionamento ou de baixo. Também conhecido como autismo atípico, PDD-NOS envolve alguns, mas não de todas as características clássicas de autismo. As pessoas diagnosticadas com PDD-NOS podem lutar com a linguagem ou as habilidades sociais e comportamentos repetitivos, mas eles não podem encontrar desafios em todas as três áreas. Esta desordem difere de Síndrome de Asperger por causa das habilidades linguísticas; algumas pessoas com PDD-NOS podem ter atrasos de linguagem.
  • TRANSTORNO DE RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE O DSM-5: Uma vez considerado um transtorno do espectro do autismo, Síndrome de Respostas não será incluída no espectro do autismo no DSM-V. Isto é porque Transtorno de Respostas é causado por uma mutação genética. Apesar de os sintomas da desordem, que incluem a perda de habilidades sociais e de comunicação, imitar o autismo clássico, a doença passa por diversas fases diferentes. Normalmente, as crianças diagnosticadas com este transtorno superam muitos dos desafios que são semelhantes ao autismo. Podem enfrentar outros desafios, incluindo a deterioração de habilidades motoras e problemas com a postura, que não afetam a maioria das pessoas do espectro do autismo.
  • TRANSTORNO DESINTEGRATIVO DA INFÂNCIA: Outro transtorno do espectro do autismo, que não vai levar um diagnóstico separado no DSM-V, Transtorno Desintegrativo da Infância (CDD) é caracterizado por uma perda de comunicação e habilidades sociais entre as idades de dois e quatro anos.

            Os atuais critérios diagnósticos para autismo infantil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são os seguintes: A) Um desenvolvimento anormal ou comprometido é evidente antes da idade de três anos, em pelo menos uma das seguintes áreas: (1) linguagem receptiva ou expressiva enquanto usada na comunicação social; (2) desenvolvimento de vinculações sociais seletivas ou de interação social recíproca; (3) jogo funcional ou simbólico. B) Anormalidades qualitativas na interação social recíproca.

            Autismo e síndrome de Asperger são entidades diagnósticas em uma família de transtornos de neurodesenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Esses transtornos são coletivamente conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento (Klin, 2006)

            Assim, acompanhamos uma descrição das alterações da linguagem na criança com autismo, sendo tais alterações apresentadas em termos de déficits e em comparação com a linguagem de uma criança dita normal; mas entendemos que as características linguísticas presentes nessas crianças podem ser analisadas por outro viés, não se levando em conta o que ela não tem, e sim, procurando-se entender o que ela consegue apreender do mundo e das interações, apesar de suas particularidades.

            A partir dessas considerações, o que pretendemos discutir neste trabalho é o processo de aquisição de linguagem de uma criança com autismo. Para tanto, apresentamos um estudo de caso, procurando explicitar que a entrada do sujeito na linguagem ocorre de maneira singular e que essa entrada depende de interações sociais estabelecidas entre a criança com autismo e outra pessoa – neste caso, uma fonoaudióloga.

REFERÊNCIAS

  • Geraldi, J.W. (1995). Portos de Passagem. Martins Fontes. São Paulo.

 

  • Lemos C. (1982).Sobre a Aquisição de linguagem e seu dilema (pecado) original. Boletim de ABRALIM 3.

 

  • KANNER, L. Os Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo. In P.S. Rocha, (org.) São Paulo: Editora Escuta, 1997, pp. 11- 170.(Título original: AutisticDisturbanceofAffectiveContact, 1943)

 

  • Klin, A. (2006). Revista Brasileira de Psiquiatria, v.28, supl. 1, São Paulo.

 

 

CRONOGRAMA

DATAS MARÇO ABRIL MAIO JUNHO      JULHO
Revisão bibliográfica      x       x      x      x  
Confecção do projeto         x      x      x  
Coleta de dados         x      x       
Análise de dados          x      x  
Confecção de relatório          x      x  
Apresentação final do relatório               x
Comitê de ética               x
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