Projeto de Pesquisa, sobre Autismo

FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ – GOIÁS

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Equipe em exercício:

Rodrigo Alves

Dayane Ribeiro Fernandes de Souza

Vivian Freitas

Anna Gabriela Braz da Silva

Ana Cláudia

AUTISMO

Goiânia, 2016

Desenvolvimento da linguagem na criança com autismo
Trabalho desenvolvido durante a disciplina
de Pesquisa em psicologia, como parte da
avaliação referente ao Semestre.

Professora: Otilia Aida Monteiro Loth.

     INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa responder o seguinte problema “Como se dá o
desenvolvimento da linguagem na criança com autismo?”.
Partindo da hipótese de que o processo de aquisição de linguagem da criança com
autismo tem sido descrito em termos de déficits e analisado de forma individual.
O autismo é um transtorno que acomete a qualidade do desenvolvimento infantil,
provocando alterações nas esferas do relacionamento social, comunicação e comportamentos
de interesse restritos e estereotipados (DSM-V – American Psychiatric Association). É
definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e suas manifestações variam
imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo.
Ainda não se tem uma causa específica, mas há várias suspeitas de possíveis causas e
as pesquisas não param. Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala
intacta, outras parecem fechadas, distantes, presas a comportamentos restritos e rígidos
padrões de comportamento constituído por atos repetitivos e estereotipado; não suportam
mudanças de ambiente e preferem um contexto inanimado. Possui uma capacidade inata deestabelecer relações afetivas, bem como para responder aos estímulos do meio. Recentesestudos apontam a contaminação por mercúrio (Thimerosal) e ou metais pesados como possíveis causas. Em alguns países já é proibido o uso de vacinas com Thimerosal e outros agentes portadores de mercúrio na fabricação de vacinas. Os critérios de diagnósticos mais
aceitos são avaliações completas com base na DSM V (da Associação Americana de Psiquiatria) ou CID 10 (Publicado pela Organização Mundial de Saúde).A maioria das crianças não fala e, quando falam é comum à ecoaria (repetição de sons ou palavras), inversão pronominal etc.No que se refere à linguagem, em 50% dos casos de Kanner, ela estava completamenteausente aos 5 anos; esta mudez caminha ao lado de uma pobreza de comunicação gestual: acriança autista serve-se, algumas vezes, do adulto para obter o que deseja; está aí, sem dúvida,um esboço de comunicação, mas não existe, de maneira alguma, a troca gestual viva ecomunicante da criança deficiente auditiva. Algumas crianças autistas apresentam um esboço de linguagem, que surge entre 4 e 5 anos que, mais frequentemente, é reduzido a algumaspalavras deformadas (KANNER, 1997).

JUSTIFICATIVA

Visto que as crianças que possuem essa patologia acabam sendo excluídas da
sociedade pela sua dificuldade de interação e afetividade, verificou-se a importância da
mudança nas práticas interativas com essas crianças, passando a considerar a criança com
autismo como um sujeito que está imerso nas práticas sociais.

OBJETIVO GERAL

Avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na criança com o espectro do
autismo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Identificar a dificuldade de interação verbal da criança.

 Buscar a verbalização através da introdução de objetos (desenhos, jogos interativos e
visuais, etc.).

 Verificar a afetividade da criança no contexto familiar e escolar.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O desenvolvimento da linguagem se dá durante os primeiros anos de vida e a própria
linguagem em si, em todos os seus aspectos, acompanha praticamente todas as atividades do
ser humano ao longo de sua vida. Através do processo de aquisição da linguagem, a criança se
constitui como sujeito da linguagem e, ao mesmo tempo, constrói o seu conhecimento do
mundo sempre por meio do outro. Nesse processo, a criança tem um papel ativo, na medida
em que a construção do conhecimento é vista como uma relação sujeito/objeto, que se
evidencia a partir de um processo de objetivação solidário em direção a um processo de
subjetivação, enquanto tomada de perspectiva do sujeito, operando um determinado fenômeno
(DE LEMOS, 1982).
A partir dos dois anos de idade a criança passa a diferenciar perguntas de nãoperguntas
e também passa a ajustar suas respostas. Essa participação nas trocas verbais requer
habilidades conversacionais básicas como capacidade de iniciar e interagir e de responder
apropriadamente e manter a interação (FERNANDES, 2006).
A questão da dificuldade de interação é um sintoma da síndrome autística que vem
sendo descrito na literatura desde o descobrimento dessa síndrome por Kanner, em 1947. As
crianças com autismo estudadas pelo autor apresentavam falha no contato afetivo,
obsessividade na manutenção da rotina e movimentos repetitivos, sendo que algumas delas
não desenvolviam fala, e as que o faziam não apresentavam intenção de se comunicar. afirma
que o retraimento social é, frequentemente, acompanhado da impossibilidade da criança de
desenvolver linguagem de maneira funcional, ou seja, ela consegue pronunciar palavras, mas
não apreende conceitos (KANNER, 1947)
Existem vários tipos de autismo, entretanto, cada síndrome com a sua nomenclatura
especifica.
• AUTISMO CLÁSSICO: Caracterizada por problemas com a comunicação, interação social
e comportamentos repetitivos, autismo clássico é tipicamente diagnosticado antes dos três
anos. Sinais de alerta incluem o desenvolvimento da linguagem atrasada, falta de apontador
ou gesticulando, mostrando falta de objetos, e auto estimulação comportamento como
balançar ou bater as mãos. Na maioria dos casos, a doença provoca atrasos significativos no
desenvolvimento. No entanto, em casos de alto grau de funcionamento, a criança pode ser ter
cinco anos de idade ou mais, antes que ele ou ela receba um diagnóstico.
• AUTISMO CLÁSSICO DE ALTO FUNCIONAMENTO OU DE BAIXO
FUNCIONAMENTO: Autismo de alto funcionamento envolve sintomas como competências
linguísticas em atraso ou não funcional, comprometendo o desenvolvimento social, ou a falta
da capacidade de “role play” com os brinquedos e fazer outras atividades lúdicas que as
crianças imaginativas neurotípicas fazem. No entanto, a pessoa com autismo de alto
funcionamento tem um QI na faixa normal e podem exibir nenhum do comportamento
compulsivo ou autodestrutivo, muitas vezes visto em autismo de baixo funcionamento.
Autismo de baixo funcionamento é um caso mais grave da doença. Os sintomas do
autismo são profundos e envolvem déficits graves em habilidades de comunicação,
habilidades sociais pobres, e movimentos repetitivos estereotipados. Geralmente, o autismo
de baixo funcionamento está associado com um QI abaixo da média.
• SÍNDROME DE ASPERGER: Apesar de não ser incluída como um diagnóstico separado na
última revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), muitas
pessoas têm sido marcadas com Síndrome de Asperger. Este tipo de autismo de alto
funcionamento tem algumas características distintas, incluindo excepcionais habilidades
verbais, problemas com o jogo simbólico, problemas com habilidades sociais, desafios que
envolvam o desenvolvimento da motricidade fina e grossa, e intensa, ou mesmo obsessivos
interesses especiais.
Síndrome de Asperger se diferencia do autismo clássico em que não implica qualquer atraso
de linguagem significativo ou prejuízo. No entanto, crianças e adultos com Asperger pode
encontrar no uso funcional da linguagem, um desafio. Por exemplo, eles podem ser capazes
de rotular milhares de objetos, mas podem lutar para pedir ajuda usando um desses itens.
• TRANSTORNO INVASIVO DO DESENVOLVIMENTO: é outro transtorno do espectro
do autismo, que não mais realiza um diagnóstico oficial separado no DSM-V. Em vez disso,
profissionais de saúde mental irão diagnosticar esses indivíduos com autismo de alto
funcionamento ou de baixo. Também conhecido como autismo atípico, PDD-NOS envolve
alguns, mas não de todas as características clássicas de autismo. As pessoas diagnosticadas
com PDD-NOS podem lutar com a linguagem ou as habilidades sociais e comportamentos
repetitivos, mas eles não podem encontrar desafios em todas as três áreas. Esta desordem
difere de Síndrome de Asperger por causa das habilidades linguísticas; algumas pessoas com
PDD-NOS podem ter atrasos de linguagem.
• TRANSTORNO DE RETTRESPOSTAS (Síndrome de Rett): Uma vez considerado um
transtorno do espectro do autismo, Síndrome de Rett não será incluída no espectro do autismo
no DSM-V. Isto é porque Transtorno de Rett é causado por uma mutação genética. Apesar de
os sintomas da desordem, que incluem a perda de habilidades sociais e de comunicação,
imitar o autismo clássico, a doença passa por diversas fases diferentes. Normalmente, as
crianças diagnosticadas com este transtorno superam muitos dos desafios que são semelhantes
ao autismo. Podem enfrentar outros desafios, incluindo a deterioração de habilidades motoras
e problemas com a postura, que não afetam a maioria das pessoas do espectro do autismo.
• TRANSTORNO DESINTEGRATIVO DA INFÂNCIA: Outro transtorno do espectro do
autismo, que não vai levar um diagnóstico separado no DSM-V, Transtorno Desintegrativo da
Infância (CDD) é caracterizado por uma perda de comunicação e habilidades sociais entre as
idades de dois e quatro anos.
Os atuais critérios diagnósticos para autismo infantil, segundo a Organização Mundial
da Saúde (OMS) são os seguintes: A) um desenvolvimento anormal ou comprometido é
evidente antes da idade de três anos, em pelo menos uma das seguintes áreas: (1) linguagem
receptiva ou expressiva enquanto usada na comunicação social; (2) desenvolvimento de
vinculações sociais seletivas ou de interação social recíproca; (3) jogo funcional ou simbólico.
B) Anormalidades qualitativas na interação social recíproca.
Autismo e síndrome de Asperger são entidades diagnósticos em uma família de
transtornos de neurodesenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos
fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Esses transtornos são
coletivamente conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento (KLIN 2006).

METODOLOGIA

Essa pesquisa apresenta-se a partir de um estudo de caso onde o sujeito da pesquisado foi uma criança com diagnóstico de síndrome de autismo e que aos 2 anos de idade ainda não adquiriu a linguagem. Primeiramente conversamos com a mãe para conhecermos melhor sobre o dia a dia daquela criança. Descobrimos então que ela falava algumas palavras como “mama” e “papa”, vezes e outra produzia sons de ecoaria. Observamos a criança por três dias seguidos, pela parte da tarde, indo e voltando todos os dias. A criança reside em Nerópolis, 60km de Goiânia. Vimos que a parte motora também foi comprometida pelo autismo, a criança só consegue andar segurando nos moveis ou em alguém. Quando queria alguma coisa, apontava o dedo e produzia o som de “a”, logo a família já entende o que ela quer. Tivemos certa dificuldade em nos aproximar dessa criança, pois como somos desconhecidos para ela, a mesma ficou com medo ou receio de se aproximar. Evitamos extremamente o contato com os olhos e nos aproximamos da forma mais devagar e delicada possível, até que ela começou a simpatizar.

CRONOGRAMA

DATAS FEVEREIRO MARCO ABRIL MAIO JUNHO

Revisão bibliográfica X X X X X

Confecção do projeto X X

Apresentação do projeto X

Coleta de dados X X

Análise de dados X

Confecção do relatório X

Apresentação final do relatório X

Conclusão

Iniciamos este trabalho refletindo sobre o processo de aquisição de linguagem da criança com autismo. Uma das questões que nos intrigaram foi a descrição dos sintomas patológicos na síndrome do autismo em termos de déficits. No decorrer deste estudo evidenciou-se que a ecolalia é uma característica que pode ser considerada como indício da entrada da criança na linguagem, quando se analisa a linguagem na interação. O processo de construção da subjetividade pode ser considerado, assim, singular em cada criança, tenha ela diagnóstico de autismo ou não. Essa singularidade é própria ao processo de aquisição de linguagem e faz parte da relação particular que se estabelece entre o sujeito, a linguagem e suas interações sociais.

No fim da observação da criança com autismo, percebemos que ela já estava interagindo mais com o meio, com a nossa presença e emitindo mais sons, o que é de grande importância e extremamente difícil quando se trata de autista, não generalizando.

Não obstante, porém, os limites de nossas conclusões, acreditamos que esse trabalho aponta para a importância da mudança nas práticas interativas das crianças que possuem alguma patologia de linguagem; ou seja, é necessário que nos afastemos da doença, dos défices, e passemos a considerar a criança (com autismo ou não) como um sujeito que está imerso na linguagem e nas práticas sociais.

REFERÊNCIAS

 Autismo na Infância. Disponível em:
<http://saladerecursoseautismo.blogspot.com.br/p&gt;. Acesso em: 22 set. 2016
 Espaço Autista. Disponível em: <http://ateac.org.br/tipos-de-autismo&gt;. Acesso em:
21 set. 2016
 FERNANDES, F.M. (2006). Análise de funções comunicativas expressas por
terapeutas e pacientes do espectro autistico. POÓ-FONO- Revista de atualização
cientifica. Vol.18, num.3, 239 a 248.
 GERALDI, J.W. Portos de Passagem. 1995. Martins Fontes. São Paulo. Disponível
em: < file:///C:/Users/Suelen/Downloads/5763-12286-1-SM.pdf >. Acesso em: 21 set.
2016
 KANNER, L.. In P.S. Rocha, (org.). Os Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo.
São Paulo, 1997, 11 – 170 p. Editora Escuta. Título original: Autistic Disturb of
Affective Contact, 1943.
 KLIN, A. (2006). Revista Brasileira de Psiquiatria, v.28, supl. 1, São Paulo.
 LEMOS C. (1982). Sobre a Aquisição de linguagem e seu dilema (pecado)
original. Boletim de ABRALIM 3.

* Geraldi, J.W. (1995). Portos de Passagem. Martins Fontes. São Paulo.

* Lemos C. (1982). Sobre a Aquisição de linguagem e seu dilema (pecado) original. Boletim de ABRALIM 3.

* KANNER, L. Os Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo. In P.S. Rocha, (org.) Autismos. São Paulo: Editora Escuta, 1997, pp. 11- 170.(Título original: Autistic Disturbance of Affective Contact, 1943)

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