Ser feliz para ser grato, ou ser grato para alcançar a felicidade?

Todos os seres humanos desejam e perseguem a felicidade. Tenta-se alcançá-la por meio de objetivos, coisas ou pessoas. Mas, o que muitos não sabem ou esquecem, é que um dos disparadores para ser feliz, está bem dentro de nós, e chama-se gratidão. A gratidão não é inata, ou seja, ela não nasce conosco, e, é ainda na infância que começamos o processo de aprendizado de tal emoção.

Segundo Paludo (2008, p.36) “a gratidão é uma emoção agradável, vinculada a sentimentos e estados psicológicos positivos como, por exemplo, a felicidade, o orgulho e a esperança”. A mesma autora entende que “altos escores de gratidão estão correlacionados a altas medidas de comportamento pró-sociais, empatia, perdão, religiosidade e espiritualidade” (PALUDO, 2008,p.37).

Partindo deste pressuposto, entende-se que a gratidão é gatilho também para felicidade, pois proporciona satisfação pessoal, interpessoal, social e espiritual. Enfim, a gratidão não é estática, ou um fim em si mesmo, ao contrário, ela é ação, motivação, incentivo e reciprocidade. E os ganhos vão além; conforme alguns estudos observaram, “sentimentos de gratidão aumentaram a resiliência, a saúde física e a qualidade de vida diária” das pessoas. (EMMONS; MCCULLOUGH, 2003 apud PIETA; FREITAS, 2009, p. 102). Vale ressaltar que essa emoção sempre será positiva desde que não seja confundida com obrigação, sendo que, sentimentos de dívida se tornam um peso, já que vem carregada de culpa.

Entre algumas definições de felicidade, considerada também uma emoção, está a de que “a felicidade autêntica requer uma maneira coerente de viver” (CLONINGER, 2004 apud FERRAZ; TAVARES; ZILBERMAN, 2007, p. 237). Todavia, essa coerência não está ligada a fatores externos, como por exemplo, ter mais dinheiro, ou menos; ser solteiro ou casado; ter filhos ou não; ser um executivo ou operário; ou ainda ter fama ou ser anônimo. De fato, a questão é subjetiva, já que fatores externos podem ser alterados a qualquer momento da existência. Deste modo, atitude positiva diante da vida e gratidão real mesmo na adversidade pode resultar em saúde mental, física e espiritual.

Referências

FERRAZ, Renata Barboza; TAVARES, Hermano; ZILBERMAN, Monica L. Felicidade: uma revisão. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 34, n. 5, p. 234-242, 2007.

PALUDO, S. Emoções morais e gratidão: Uma nova perspectiva sobre o desenvolvimento de jovens em situação de risco pessoal e social.(Unpublished Doctoral Dissertation). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.[Links], 2008.

PIETA, Maria Adélia Minghelli; FREITAS, Lia Beatriz de Lucca. Sobre a gratidão. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 61, n. 1, p. 100-108, 2009.

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