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Por que repetimos os mesmos sofrimentos?

Não importa em que tipo de relacionamento você se encontre, se familiar, afetivo, de amizade, profissional. Escuto esta pergunta o tempo todo: por que eu continuo sofrendo pelos mesmos motivos? Atraindo o mesmo tipo de pessoas? Passando pelos mesmos problemas?

A resposta é bastante simples, embora sua solução demande um bocado de esforço: O responsável é seu Eu Machucado.

Todos nós temos dois EUS ou, se preferir, dois SELFS. Temos o Eu Machucado (ou Self Inferior) e o Eu Superior (ou Self Superior).

O Eu Machucado é sua parte incompleta, é sua porção que questiona seu valor próprio, que não se sente completo, se sente inferior. Seu Eu Machucado vive se perguntando por que você não é suficiente, por que não consegue isso ou aquilo, por que não merece o que deseja. É seu Eu Machucado que não se conforma em não ser amado.

Por outro lado, você também tem um Eu Superior. Talvez ele esteja mais próximo do que chamamos de alma. É sua parte ligada ao amor mais puro e verdadeiro, à sabedoria, à verdade, à sua paz interior. Seu Eu Superior sabe exatamente seu valor, conhece suas forças e aceita que você seja do jeitinho que você é. Este Eu Superior não precisa que outros nos valorizem, nos amem, nos reconheçam; ele já faz tudo isso por você. Ele reconhece sua completude em si mesmo.

Em muitos momentos, operamos a partir de um ou de outro. Mas muitos de nós operamos na maior parte do tempo a partir do Eu Machucado. Ou seja, acreditam que são inferiores, frágeis, incompletos e que precisamos de algo externo para compensar essa falta.

O Eu Machucado procura lá fora (nos outros, nas coisas, nos relacionamentos, no emprego, no dinheiro…) algo que te faça encontrar validação e reconhecimento. Ele acredita que quanto mais você tem (repito: um parceiro melhor, um emprego melhor, uma casa melhor, mais férias, mais dinheiro…) aí sim você será feliz.

Mas … o vazio não é preenchido e você nunca consegue essa felicidade pronta e sem fim.

Na verdade, nos primeiros momentos em que você obtém esse algo externo (dinheiro, amor, férias…) você até se sente muito animado, como se não precisasse de mais nada. É uma falsa completude, porque é da própria natureza do Eu Machucado: ele nunca se sente completo, nunca é o suficiente.

Portanto, quando você vive através da perspectiva do seu Eu Machucado, você está destinado a se sentir como se algo estivesse sempre faltando.

Em relacionamentos afetivos o Eu Machucado fica altamente ativo, pois é nos relacionamentos onde vivemos mais situações em que podemos experimentar sofrimento.

Todos nós já vivenciamos chateações, decepções, dores num relacionamento passado. Muitas vezes essa memória (tantas vezes inconsciente) é originada lá na infância, nos nossos primeiros relacionamentos (pai, mãe, responsáveis, avós, tios, irmãos, primos, professores, coleguinhas…).

Se uma ferida da infância ainda está ativa dentro de você, é provável que você atraia pessoas que lhe farão reviver esse mesmo sentimento. Quer um exemplo? Se você foi rejeitado, é possível que atraia relacionamentos que, no fim, te façam se sentir invisível, rejeitado, sem valor, abandonado.

Seu inconsciente está programado para atrair pessoas que ativam essas feridas. E você pode me perguntar: por que isso acontece? Até quando preciso passar por isso?

A razão para isso é simples e muitas vezes difícil e dolorida: Para você aprender com essa experiência e crescer.

Por exemplo, se você precisa desenvolver sua autoestima, é provável que você atraia todo tipo de pessoas que irão intimidá-lo, desvalorizá-lo, que serão agressivos com você, que irão se opor ao que você pensa e sente, que não reconhecerão o que você faz ou fez por elas. Essa, então, poderá ser sua oportunidade de praticar e desenvolver sua autoestima.

Sei que essa é justamente a parte mais dura de um processo terapêutico, justamente quando você se percebe nessa repetição. Inicialmente quando a repetição é inconsciente talvez você sofra menos. Mais difícil é quando já sabe as origens da repetição, quando já começou a se trabalhar, mas ainda se vê envolta nos mesmos sentimentos. Essa é a parte mais difícil de aceitar.

Mas tente pensar da seguinte forma: Você está repetindo essas experiências e sentimentos para que possa finalmente curar-se.

Você não vai conseguir curar qualquer coisa se não puder senti-la ou enxergá-la. Não podemos curar as coisas que são inconscientes! Essa sensação de desconforto tem de vir à tona para que você consiga crescer a partir disso, a partir do aprendizado.

E como você consegue crescer a partir dessas feridas?

Mais uma vez dou uma resposta simples, mas também difícil: Identificando-se com seu Eu Superior.

Lembra que falei que seu Eu Superior é aquela sua parte que conhece sua essência, sua verdade, seu valor? Pois é. Ele sabe o quanto você é inteligente, digno, capaz, poderoso, engraçado, justo, amoroso. É isso e mais ainda que seu Eu Superior sabe sobre você e ele quer (e quer muito!) que você também saiba disso.

Seu Eu Superior sabe que você é completo, é pleno. Ele também sabe que você tem defeitos (afinal, todos temos!), mas sabe que é justamente essa imperfeição que te faz humano.

Quando você se identifica com seu Eu Superior, sua compulsão por repetir os padrões do passado vão se dissipando. E, aos poucos, desaparece. Mas esse é um processo, não é um evento. Não ocorre em dias ou em meses, pode durar de meses a anos.

E por que demora? Por que tem de ser tão sofrido assim?

Outra resposta simples, mas difícil de encarar: Por que você passou anos e anos vivendo assim, repetindo essa ferida. E não é de um dia para o outro que tudo isso se dissipa. Há um processo que se inicia em tornar tudo isso consciente (o que dói), depois encarar essa realidade, trabalhar em cima dela, lutar contra as auto Sabotagens (pois o Eu Machucado luta ferozmente para se manter ativo e poderoso), reconhecer suas qualidades e defeitos, perceber seu valor e a capacidade de mudar de pequenas a grandes coisas… Enfim, o processo pode demorar. Mas só quem viveu um resultado concreto pode dizer o quanto vale a pena manter-se confiante.

Quando você acorda para a verdade maior do seu Eu Superior, de repente você percebe que essas pessoas “erradas” eram apenas “professores da vida real”. Eles estavam ali, não à toa, para te ensinarem a fazer as pazes com sua Criança Interior.

Sabe aquela frase “A gente cresce no amor e na dor”? Infelizmente, na maioria das vezes, a gente acaba aprendendo na dor. Mas embora seja sofrido, o ponto ao qual devemos nos apegar é justamente o aprendizado, e não a dor do processo.

Esteja certo de que seu Eu Superior está doido para que você lhe dê forças, para que ele possa te mostrar o quanto você tem valor, quem você realmente é, e o que você de fato merece.

Mas recuperar esse amor dentro de você não é um trabalho fácil. Há de se ter persistência para lutar com o Eu Machucado. Por isso sempre digo que é um processo que ocorre de dentro para fora. E não de fora para dentro. Para que isso aconteça, você precisa reconhecer em si um mínimo de valor. Só depois de um “eu mereço” é que você acabará indo em busca de auxílio para significar esses padrões que, hoje, tanto te fazem mal.

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Ansiedade na Adolescência

”Apesar de todo adolescente enfrentar episódios de ansiedade uma vez ou outra, alguns parecem ser mais ansiosos que a média”

A ansiedade é uma reação normal do organismo a qualquer situação de estresse, podendo ocorrer desde uma prova na escola até a falar em público, marcar um encontro ou participar de uma competição. O problema começa quando a resposta a este estresse se torna tão intensa a ponto de comprometer seu desempenho ou seu relacionamento com outras pessoas no dia a dia.

Além de ser uma reação normal, a ansiedade também pode ser considerada uma ferramenta útil. Por exemplo, ao estudar para um teste, um pouco de ansiedade pode ser o tempero que faltava para lhe fazer estudar com mais afinco. Entretanto, quando excessiva, ela pode prejudicar a capacidade de raciocínio.

A partir de que ponto a ansiedade pode ser considerada excessiva?

Existem alguns sinais que sugerem que os níveis de ansiedade ultrapassaram os limites da normalidade. Os principais são:

– Você passa a ficar ansioso, preocupado ou assustado sem motivo aparente.

– Você se preocupa demais com situações ou atividades rotineiras, como preparar uma refeição ou fazer um telefonema.

– Você checa repetidamente se fez uma determinada coisa certa (p.ex.: volta várias vezes para ver se fechou a porta).

– Você simplesmente tem ataques de pânico em certas situações corriqueiras (p.ex.: treme e sente náuseas ou vontade de desmaiar durante uma prova na escola).

Todos estes sintomas significam que, provavelmente, seu nível de ansiedade está além do normal.

Quais os tratamentos da ansiedade?

Uma vez reconhecido o problema, é hora de descobrir como superá-lo. Aprenda com suas emoções: o que lhe traz paz e o que lhe causa ansiedade? Em muitos casos, apenas admitir para si que uma determinada situação pode causar angústia excessiva, e preparar-se antecipadamente para ela, já pode ser o suficiente para liquidar o problema da ansiedade.

Algumas pessoas podem se beneficiar de técnicas simples de relaxamento. Por exemplo: para reduzir seus níveis de ansiedade, dedique diariamente um período de 20 minutos voltado para o relaxamento. Procure um lugar calmo, longe de outras distrações. Desligue o som do computador e do telefone, e sente-se em silêncio, o mais quieto possível, por 20 minutos. Mantenha o foco dos pensamentos naquele momento, eliminando da mente qualquer outra idéia capaz de desviar sua atenção. Enquanto medita desta forma, procure perceber qual ou quais partes do seu corpo se encontram relaxadas ou tensas.

A medida em que você for avançando na meditação, tente imaginar que cada pequeno músculo do seu corpo está se tornando relaxado e livre de tensões. Concentre-se em manter a respiração lenta, e a cada expiração imagine seus músculos ainda mais relaxados – como se, a cada movimento respiratório, você exalasse a tensão para fora de si.

Findo o período de 20 minutos, procure sustentar o estado de serenidade por mais tempo. Após algumas semanas de prática diária, a maioria dos adolescentes é capaz de manter o relaxamento prolongado por várias horas, reduzindo significativamente os efeitos nocivos da ansiedade sobre sua vida.

Quem precisa tomar remédio para controlar a ansiedade?

Cerca de 13% dos adolescentes apresentam uma ansiedade tão intensa que é necessário iniciar algum tipo de remédio específico para controlar o distúrbio.

Existem vários medicamentos que podem ser utilizados para reduzir a ansiedade. A escolha entre um e outro dependerá do tipo e da intensidade dos sintomas.

Distúrbios generalizados da ansiedade ou ansiedade relacionada a certas situações sociais costumam ser tratados com os mesmos medicamentos empregados no tratamento da depressão (p.ex.: fluoxetina, paroxetina, venlaflaxina, amitriptilina, etc). Os efeitos destes remédios em geral levam cerca de 15-30 dias para serem percebidos.

Os benzodiazepínicos são considerados os medicamentos mais específicos contra ansiedade. O diazepam, o lorazepam e o alprazolam, são os benzodiazepínicos mais conhecidos. Eles podem ser utilizados sozinhos ou associados a outros remédios.

Na maioria dos casos, os médicos optam por associar o tratamento medicamentoso com técnicas de psicoterapia (p.ex.: terapia cognitivo-comportamental) para aumentar as chances de melhora e acelerar a recuperação.

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Como atua o musicoterapeuta?

Neste Artigo: A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.

A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.

De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.

Como atua o musicoterapeuta?

O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.

A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a “afinação” do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.

O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.

Indicações da musicoterapia

Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados.

Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.

Que música é a mais indicada?

Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.

Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.

Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.

Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.

A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.

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O papel do arteterapeuta

Olá pessoal, hoje eu gostaria de escrever um pouco sobre o papel do arteterapeuta. Primeiramente, quero ressaltar que a arte como instrumento terapêutico ainda é vista por algumas correntes da psicologia mais conservadoras com certas reservas. Entretanto, a prática da arteterapia existe em torno de 30 anos e dentro da abordagem junguiana a arte sempre esteve presente, pois é uma prática rotineiramente incluída nas condutas terapêuticas. O principal objetivo da arteterapia é de oferecer um apoio e uma assistência às pessoas em dificuldades de aprendizado, sociais e pessoais, de maneira que as atividades artísticas desenvolvidas pelo indivíduo possa induzi-lo para um processo de transformação de si mesmo, assim ajudando-os a integrar-se à grupos sociais de forma mais saudável, crítica e criativa. Ao meu ver, a arteterapia também pode nos ajudar no nosso autoconhecimento, contribuindo para que nos tornamos pessoas melhores.

Os arteterapeutas podem vir de diversas áreas do conhecimento:
Educação: professores, pedagogos etc.
Social: assistentes sociais, educadores etc.
Arte: artistas plásticos, dançarinos, pintores, atores, músicos, fotógrafos, etc.
Saúde: enfermeiros, médicos, psicólogos, psicanalistas etc.
A arteterapia pode ser trabalhada em grupo ou individualmente.

O trabalho com a arteterapia tem crescido muito nos últimos tempos e tem sido trabalhada em diversas instituições da sociedade como, por exemplo: hospitais, prisões, comunidades carentes e empresas.

Uma frase de Jung que me toca muito durante todo o meu trabalho e também uma postura que eu procuro ter e manter é esta aqui: “Conheças todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana – Carl Gustav Jung”.

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Alienação parental e os efeitos psicológicos nos filhos ?

O termo Alienação Parental, foi criado por um psiquiatra Dr. Richard Gardner na década de 80. A pesar das grandes ocorrências antes e depois da criação do termo, ainda não existia uma lei que assegurasse os direitos e deveres desses genitores e que amenizasse os possíveis traumas psicológicos que o filho poderia vir a ter. Em 26 de agosto de 2010, foi publicada a Lei 12.318 de Alienação Parental, em que o seu objetivo era de conferir maior poder ao juiz, para que o mesmo pudesse assegurar a prole uma proteção e seus direitos, mediante ao abuso emocional, psicológico, ou mesmo físico exercido pelos pais sobre os filhos (Fonseca, 2006).

Alienação Parental, não é exercida somente pelos progenitores, mas também por terceiras, como avós, tios, irmãos ou durante o matrimônio dos pais. Nesse contexto de disputa e abusos, a criança começa a se apegar excessivamente em um dos genitores ou protetores, alienando o outro. Por não conseguir elaborar o luto da separação um dos pais, irá utilizar do filho como uma forma de vingança, ou chantagem e até mesmo como um troféu de vitória e soberania. Isso se afirma na fala de Fonseca, (2006): “[…] Essa alienação pode perdurar anos seguintes, com gravíssimas consequências de ordem comportamental e psíquica, e geralmente só é superada quando o filho consegue alcançar certa independência do genitor guardião, o que lhe entrever a irrazoabilidade do distanciamento do genitor”.

Desejo dos Pais Gerando Sofrimento nos Filhos

No início da discussão sobre a Alienação parental há alguns anos atrás, vê-se que a primeira ideia era de que a guarda prioritariamente deveria ser da mãe, julgando que a mesma por ter um instinto materno, seria a mais indicada para um cuidado ideal da prole. Porém com o novo conceito de família e da igualdade de direitos e deveres implantados na nova era, faz-se repensar nesse conceito, onde o instinto de cuidar e proteger pode vim não somente da mãe (Simão, 2007).

Com essas mudanças e o próprio desejo do genitor que gera a Alienação Parental, faz com que além das atitudes de repulsa do filho para com o outro genitor, gera no mesmo, psicopatologias como a SAP (Síndrome da Alienação Parental), cujo filho passara também a promover situações e consciência nele e em outros de que o outro progenitor não possui boa índole ou que foi abandonado, fazendo assim esforços para realmente se afastar do mesmo. Ou seja, o filho passa a ser como uma arma para atingir o outro, pois passa a conviver diariamente com um abuso que muita das vezes é feito em atos sutis quase imperceptíveis (Fonseca, 2006).

Por lei é de responsabilidade dos pais cumprirem as sanções impostas pelo estatuto da criança e adolescente, onde o abuso por meio de correção e disciplina pode gerar crime de maus tratos, pois no artigo 3º do ECA assegura o desenvolvimento físico, psíquico, social, moral e espiritual do sujeito, oferecendo liberdade e dignidade. O não cumprimento dessas normas, principalmente nos casos de Alienação Parental, gera no sujeito vários traumas, que podem levá-lo a desenvolver baixa autoestima, transtornos de identidade, dificuldade de adaptação biopsicossocial, transtorno de condutas, sentimentos de rejeição, dentre outros. Segundo Simão, (2007):

“O pai ou a mãe que, autoritariamente, inviabiliza ou dificulta o contato do filho com o outro genitor exercer abusivamente seu poder parental, especialmente, quando há prévia regulamentação de visitas. […] o pai ou a mãe que frustra no filho a justa expectativa de conviver com o outro genitor, com o qual não reside, viola e desrespeita os direitos da personalidade do menos em formação […].”

Traumas e Psicopatologias

 

A relação de abuso, de denegrir o outro, gera sofrimento e traumas não somente no filho, mas também nos genitores. Isso por que o sentimento de amor é substituído pelo o de ódio. Em que alcançado o seu objetivo o progenitor, não percebe que a recusa e a não interação do filho com o outro lhe causará sofrimentos e rupturas traumáticas. Prejudicando a socialização, o desenvolvimento da personalidade, o que posteriormente poderá levar o filho a se distanciar do alienador, por passar a compreender a situação a que foi submetido. O que lhe causara ansiedade e angústia por ter perdido os laços de afeto com o outro progenitor (Simão, 2007).

Além de todo o sofrimento que a separação dos pais causa nos filhos, em que ainda poderão passar por processos traumáticos que iram gerar além das sequelas ditas anteriormente, poderão surgir psicopatologias como a SAP que iram prejudicar de forma parcial ou total a vida do sujeito, tudo isso muita das vezes por ter sido submetido acreditar que foi abusado sexualmente ou emocionalmente pelo outro genitor ou abandonado pelo mesmo.

Faz-se necessário nessas circunstâncias a atuação de uma equipe de psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, de forma bem estruturada, para que possa chegar de forma breve e o mais precisa possível em um diagnóstico, trabalhando assim, a psique e o social da prole, com mediação familiar, acompanhamento terapêutico para pais e filhos, a fim de evitar que se criem novos traumas sobre o sujeito. Pois a prole precisa de ambos os genitores para poder desenvolver suas referências, condutas, sentir se integrado na sociedade e protegido.

 

Referências:

BRASIL. Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12318.htm&gt; Acesso em: 11março 2014.

FONSECA, Priscila Maria Pereira Corrêa da. Síndrome de Alienação Parental. Pediatria, São Paulo, n. 28(3), 2006.

GARDNER, Richard. O DSM-IV tem equivalente para o diagnóstico de Síndrome

de Alienação Parental (SAP)? Tradução de Rita Rafaeli. Disponível em: < http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap-1/o-dsm-iv-tem-equivalente&gt;. Acesso em: 12 março de 2014.

SIMÃO, Rosana Barbosa Cipriano. Soluções judiciais concretas contra a perniciosa prática da alienação parental. In: APASE (Org.). Síndrome da Alienação Parental e a tirania do guardião: aspectos psicológicos, sociais e jurídicos. Porto Alegre: Equilíbrio, 2007. p. 15-28.

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Ciúme patológico: reflexo no cotidiano dos relacionamentos amorosos.

“Na realidade, o ser ciumento trava uma batalha consigo próprio, e não contra quem ama ou contra quem cobiça o bem amado. É no próprio núcleo do amor “ciumento que se engendra a inquietação e cresce a biotoxina que o envenena” (MYRA Y LÓPEZ, 1998, p. 174).

O ciúme não é uma emoção do mundo contemporâneo, ao contrário ele é atemporal e universal. Para algumas pessoas, o ciúme pode ser interpretado como “termômetro” do relacionamento amoroso, ou ainda como a “pimenta” da relação. No entanto, esse tipo de pensamento tem desdobramentos perigosos. Relacionamentos “adubados” com discussões, desrespeito, e agressões tanto física quanto moral podem não subsistir ao “até que a morte os separe”.

O risco está em reconhecer a linha tênue entre o normal e o patológico. O ciúme “normal” baseia-se em fatos (LEITE, 2000 apud COSTA, 2005, p.006) e “em função de uma ameaça real” (PINES, 1992 COSTA, 2005, p.006), “enquanto o “patológico” procura fatos e/ou sofre influência de delírios, (LEITE, 2000 apud COSTA, 2005, p.006) persistindo mesmo na ausência de qualquer ameaça real ou provável” (PINES, 1992 apud COSTA, 2005, p.006). Ou seja, o ciúme “normal” não produz necessariamente sofrimento psíquico, pois ele é transitório e específico, desaparecendo diante das evidências. Enquanto que o “patológico” gera significativo sofrimento psíquico além dos conflitos relacionais, sendo ele infundado e absurdo.

O ciúme patológico pode transformar relações harmoniosas, em pesadelos infernais. Quando excessivo, ele gera sofrimento, já que a pessoa experimenta emoções tais como: angústia, insegurança, culpa, raiva, ansiedade, depressão, baixa autoestima, humilhação, entre outras. O ciúme irracional, perturbador e prejudicial, têm registros bíblicos e também literários como o conhecido drama de Otelo – O Mouro de Veneza de William Shakespeare, que mostra a problemática dessa emoção chegando ao ápice da violência, o homicídio.

Cavalcanti (1997) ressalta que o ciúme corrói e destrói a base, permitindo que a dúvida invada e perturbe a alma, onde o ciumento ama e odeia ao mesmo tempo o (a) parceiro (a). O mesmo ainda elucida que o sofrimento maior se dá pela incerteza em que ele vive, pois sente-se constantemente ameaçado, vivendo uma relação carregada de tensão emocional negativa.

O ciúme patológico também pode ser sintoma de um quadro obsessivo compulsivo (TOC), levando a comportamentos compulsivos como, por exemplo, espionar o cônjuge; examinar os celulares, bolsos, agendas; surpreendê-lo no trabalho ou faculdade; verificar correspondências, e-mails ou mensagens; além de inúmeros questionamentos. O ciúme patológico pode ser enquadrado ainda como um subtipo de transtorno delirante como informa o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

É importante mencionar que pessoas que se reconhecem com esse tipo de comportamento, devem procurar ajuda profissional especializada em saúde mental. O tratamento pode ser individual ou em grupo, e tem como objetivo trabalhar a melhora da autoestima, assim como levar o paciente a sentir-se seguro com o próprio relacionamento. Em casos onde o cônjuge ignore sua própria doença, é possível que o casal faça terapia, visando facilitar a adesão do enciumado patológico ao processo terapêutico.

É necessário entender que a complexidade do ciúme aponta para a importância de se observar a relação amorosa com mais cuidado, pois ele pode ser um indicador de que algo não está bem. Aceitar a condição pode ser uma chance de ampliar a consciência, e refletir sobre o relacionamento de maneira mais profunda.


REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, A. M. O ciúme patológico. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997.

COSTA, N. Contribuições da psicologia evolutiva e da análise do comportamento acerca do ciúme. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 7, n. 1, p. 05-14, 2005.

MYRA Y LOPEZ E. Os quatro gigantes da alma: o medo, a ira, o dever, o amor. Rio de Janeiro: José Olímpio. 1998

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Como tratar a ansiedade ?

A ansiedade tem sido uma queixa cada vez mais comum nos dias atuais. E são muitos os problemas que a ansiedade pode trazer para a saúde, porém, existem meios de tratarmos e evitarmos este problema sem o uso de medicamentos que geralmente são controlados e geram dependência química e psíquica.

Uma das formas mais eficazes de combater a ansiedade está na atividade física diária. Isso ajuda a libertar o excesso de energia que acumulamos no corpo e também libera um hormônio muito importante para nós, a endorfina. Este hormônio é importante, principalmente para quem sofre de depressão e ansiedade porque ele é responsável por diminui a dor, e acredite, elevar a felicidade!

Técnicas e exercícios de relaxamento também ajudam muito para quem precisa diminuir a ansiedade. Algumas técnicas de respiração são ótimas para quem precisa se livrar dela onde quer que esteja. Basta inalar o ar através do nariz e direcioná-lo para a parte inferior do estômago onde fica o diafragma, de modo que a barriga incha. Depois o ar deve ser solto gradualmente pela boca. Esta é a respiração diafragmática. Respirar desta forma por mais ou menos 10 minutos, todos os dias, ajuda a aliviar a tensão, e assim a ansiedade diminui drasticamente.

Ouvir uma música relaxante ajuda a alcançarmos uma concentração favorável para a nossa mente, fazendo com que a aflição desapareça e o corpo relaxe e fique livre da tensão. Algumas técnicas como o Tai Chí e o Yoga, ajudam muito a diminuir a ansiedade. São técnicas, que aparentemente parecem não oferecer muitos benefícios, mas quando realizados corretamente ficam evidente o porquê delas serem tão adequadas para eliminar não apenas a ansiedade, mas também, a tensão e o stress acumulados no dia a dia.

Uma dica muito importante está em evitar o consumo de produtos que possuam cafeína, porque este elemento estimula a produção de adrenalina, ajudando a aumentar a ansiedade. A dica está em consumir ervas e plantas medicinais como a alfazema, camomila, anis e papoula. Especialmente a erva-cidreira, que produz no corpo um efeito calmante e sedativo. É importante ressaltar que, se a ansiedade começar a atrapalhar as tarefas do dia a dia é imprescindível à ida a um médico especializado.