O que é Saúde Mental para você? ja se perguntou?

de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) assegurou que não existe nenhuma definição oficial que diga respeito à saúde mental, já que esta é sempre influenciada pelas diferenças culturais e pela subjectividade.

Mas podemos definir da senguinte maneira saúde mental é definida como sendo o estado de equilíbrio entre uma pessoa e o seu meio sociocultural. Este estado garante ao indivíduo a sua participação laboral, intelectual e social para alcançar um bem-estar e alguma qualidade de vida. Ainda que o conceito de saúde mental surja por analogia à saúde física, trata de fenómenos mais complexos.

Em todo o caso, pode-se dizer que a saúde mental é um estado de bem-estar emocional e psicológico, mediante o qual o indivíduo é capaz de fazer uso das suas habilidades emocionais e cognitivas, funções sociais e de responder às solicitações ordinárias da vida quotidiana.

Convém destacar que a ausência de uma doença mental não implica que o indivíduo goze de boa saúde mental. O acompanhamento do comportamento diário de uma pessoa é a melhor forma de conhecer o estado da sua saúde mental.

Também há que ter em conta que a saúde mental não é uma dimensão que se possa dissociar da saúde física, tal como nos relembra a famosa expressão latina “mens sana in corpore sano” (uma mente sã num corpo são). Existem evidentes ligações entre as patologias mentais e as biológicas.

Os psicólogos defendem que a saúde mental deve ser promovida a nível individual (com a motivação dos recursos próprios da pessoa através de estímulos na auto-estima), a nível comunitário (com uma coesa inclusão social) e a nível oficial (com planos estatais e o acesso à saúde pública).

Do ponto de vista da psicologia positiva, corrente moderna que centra seu foco mais na questão da sanidade mental do que nas doenças psíquicas, a saúde da mente pode aliar o dom de um ser para avaliar a existência e a busca da harmonia entre as ações e as diligências necessárias a fim de se alcançar o que se entende por resiliência psicológica – a capacidade de transcender traumas e restituir as boas condições emocionais.

Se o Homem se revela hábil na gestão da própria existência e conduz positivamente suas diferentes emoções no interior de um vasto prisma de instabilidades, sem se deixar dominar por desvarios e fantasias, ele pode ser considerado mentalmente saudável. Mas o principal fator de determinação da sanidade mental é o nível de bem-estar, não só com o eu interior, mas também com os outros seres.

O bem-estar implica em admitir as adversidades da existência, aprender a trabalhar as emoções positivas e igualmente as negativas – alegrias, tristezas, tranquilidade, raiva, frustrações, entre outras -, bem como em conhecer as próprias limitações e, quando julgar necessário, pedir socorro a outrem.

Alguns elementos são fundamentais para que se possa identificar a presença da saúde mental em um determinado ser ou em uma dada comunidade. Dentre eles estão as ações positivas que o Homem pode direcionar para si mesmo; a evolução, o aprimoramento e a realização pessoal; a adaptação ao meio e as reações emocionais; independência e autodeterminação; recepção mais seletiva do real; conhecimento do contexto em que se vive e aptidão para uma melhor convivência na sociedade.

”Autismo Clássico Métodos de Ensino”

METODOLOGIAS DE ENSINO APLICADAS A CRIANÇAS AUTISTAS

ANDRESSA DE LIMA TELES

 ÁQUILLA KELLE LIMA E SILVA

 PATRÍCIA DE SOUSA WANDERLEY

 RANYELA DE SOUSA LIMA

 RODRIGO ALVES TRINDADE

 

 

Crianças diagnosticadas com a síndrome do espectro autista acabam sendo excluídas da sociedade pela sua dificuldade de interação e afetividade, por tanto verificamos a importância dos profissionais para a mudança e aprendizagem de novas práticas interativas com as crianças. O processo de aquisição de linguagem da criança com autismo tem sido descrito em termos de déficits. Na tentativa de se contrapor a esse olhar patologizante, considerado reducionista, esse trabalho objetivou analisar os métodos utilizados por profissionais no auxilio da aquisição da linguagem de crianças com a síndrome do espectro autista. Verificamos que existem mais de noventa e três tipos de métodos utilizados atualmente, porém em entrevista e pesquisa com profissional da área, podemos perceber que são dois métodos os mais utilizados, sendo eles o Método Teacch (Tratamento e Educação de Crianças Autistas E com Desvantagens na Comunicação) e o Método ABBA (Análise do Comportamento Aplicada), ambos com alta taxa de sucesso no auxilio da aquisição da linguagem em crianças autistas.

Palavras-chaves: Autismo, Método Teacch, Método ABBA, Linguagem.

[1] Graduandos do curso de Psicologia da Faculdade Estácio de Sá – FESGO, cursando o 5º período, matéria psicologia do pensamento e da linguagem. Andressa Teles, Aquilla Silva, Patrícia Wanderley, Ranyela Lima e Rodrigo Alves Trindade.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa responder o seguinte problema, quais métodos são utilizados por profissionais para auxiliar na aquisição da linguagem de crianças Autistas. A presente pesquisa propõe avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na criança. O autismo é um transtorno definido por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. As manifestações do transtorno variam, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo. Deste modo iremos procurar entender como profissionais podem auxiliar essas crianças para terem um desenvolvimento melhor na aquisição de sua linguagem, consequentemente em seu desenvolvimento pessoal e inclusão social também.

 

1.1 Justificativa

Crianças diagnosticadas com a síndrome do espectro autista acabam sendo excluídas da sociedade pela sua dificuldade de interação e afetividade, por tanto verificamos a importância dos profissionais para a mudança e aprendizagem de novas práticas interativas com as crianças.

 

 2 REFERENCIAL TEÓRICO

Para Geraldi (1995), a linguagem é fundamental ao desenvolvimento de toda e qualquer pessoa humana. Ela permite aos sujeitos compreender o mundo e nele agir, e  desta maneira é a forma mais usual de encontros, desencontros e confrontos de posições, porque é por ela que estas posições se tornam públicas.

A linguagem é, assim, dialógica por natureza; é vista como ação, como um trabalho do sujeito sobre a língua visando à significação. Através do processo de aquisição, a criança se constitui como sujeito da linguagem e, ao mesmo tempo, constrói o seu conhecimento do mundo sempre por intermédio do outro. Nesse processo, a criança tem um papel ativo, na medida em que a construção do conhecimento é vista como uma relação sujeito/objeto, que se evidencia a partir de um processo de objetivação solidário em direção a um processo de subjetivação, enquanto tomada de perspectiva do sujeito, operando um determinado fenômeno (De Lemos, 1982).

Franchi (1976) sobre a aquisição da linguagem. Para o autor, adquirir a fala significa muito mais do que adquirir um conjunto de regras. Quando se aprende a falar não se adquire apenas um conjunto de “funções” e os modos e características de expressá-los, nem isso ocorre em consequência do exercício de diferentes atos efetivos de linguagem ou de assimilação de convenções e do domínio de um formulário de policiamento da prática “comunicativa”. Aprender a falar é também dominar e desenvolver sistemas de regras formais recursivas que permitem, a partir de elementos iniciais mais simples, construir as estruturas abstratas que se realizam em infinitas orações, servindo às mais diversas necessidades de manifestação das experiências humanas. O autor ainda complementa que a função comunicativa da linguagem depende do sucesso com que se exerça a sua função construtivo-representativa e imaginativa. A linguagem é uma atividade constitutiva, um processo contínuo de elaboração e reelaboração de categorias, de valores, de pensamentos. É com base nessas concepções que Franchi (1976) considera a linguagem um trabalho, pois os interlocutores “trabalham” ativamente na constituição do sentido.

Lier-de Vitto (1995) afirma que o papel do outro é bastante significativo, pois esse outro é determinante ou responsável pela entrada da criança na linguagem. É através do outro e da interação com ele estabelecida que se assume o termo “matriz intersubjetiva” para a noção de interação. Não obstante, não é apenas a interação que é imprescindível para a aquisição de linguagem.

Para Albano (1990), a criança depende de quatro condições básicas e imprescindíveis para o desenvolvimento da linguagem. A primeira seria a presença de um interesse subjetivo na criança, isto é, uma disposição de brincar. Crianças embrutecidas ou emocionalmente desorganizadas não aprendem a falar. A segunda seria a existência de pelo menos um sistema sensório-motor íntegro (audiovisual ou visomanual). A terceira seria a inserção em um meio onde a linguagem faça parte de rotinas significativas. Crianças negligenciadas ou severamente institucionalizadas não aprendem a falar. A quarta e última seria a presença de uma língua minimamente autorreferenciada que contenha alguns mecanismos gramaticais, sinalizando a própria organização para que a descoberta da sua estrutura possa se proceder eficientemente, seguindo uma direção mais ou menos determinada. Nessa direção, tomando para discussão a criança com autismo, ela não teria a primeira condição: interesse subjetivo em interagir com o outro.

Para Fernandes (2006), a partir dos dois anos de idade a criança passa a diferenciar perguntas de não-perguntas e também passa a ajustar suas respostas. Essa participação nas trocas verbais requer habilidades conversacionais básicas como capacidade de iniciar e interagir e de responder apropriadamente e manter a interação.

A questão da dificuldade de interação é um sintoma da síndrome autística que vem sendo descrito na literatura desde o descobrimento dessa síndrome por Kanner, em 1947. As crianças com autismo estudadas pelo autor apresentavam falha no contato afetivo, obsessividade na manutenção da rotina e movimentos repetitivos, sendo que algumas delas não desenvolviam fala, e as que o faziam não apresentavam intenção de se comunicar. Kanner (1947) afirma que o retraimento social é frequentemente, acompanhado da impossibilidade da criança de desenvolver linguagem de maneira funcional, ou seja, ela consegue pronunciar palavras, mas não apreende conceitos.

Fernandes (2006) relata que o foco terapêutico evoluiu de considerações e motivações comportamentais para uma abordagem que enfatiza os aspectos pragmáticos da linguagem. Com relação às técnicas comportamentais, uma das grandes críticas referiu-se à sua pouca transferência para situações cotidianas, ou seja, não havia generalização dos aspectos enfocados em situações naturais de interação. Isso levou pesquisadores e clínicos a buscarem procedimentos terapêuticos mais naturais e que promovessem não apenas a adequação da linguagem, mas também questões como melhores competências interacionais, levando o interlocutor em consideração. Alguns estudos focalizaram a eficácia terapêutica em termos de medidas padronizadas, mas não enfocaram a ação direta do terapeuta. Com relação a esta ação, algumas diretrizes são relatadas como importantes aspectos da ação do terapeuta de crianças do espectro autístico, entre elas: maior simetria na relação com o paciente; adoção de um posicionamento real quanto à comunicação do outro, no qual não entender e não ser entendido fazem parte do processo comunicativo; consistência entre funções e meios; e o trabalho com as funções e meios comunicativos, tornando-os cada vez mais funcionais.

Wing (1985) relata que estas crianças mostram dificuldade de programar e estruturar um discurso e podem apresentar apenas um jargão ininteligível, caracterizado por estruturas gramaticais e fonologia imatura na evocação. Como as estruturas gramaticais são geralmente imaturas, o uso de estereotipias e repetições constitui muitas vezes  uma linguagem metafórica. Evidenciam-se também alterações na estrutura do discurso, inadequação no uso da prosódia, desvios das normas gramaticais e dificuldades na manutenção de tópicos.

O aspecto sintático, segundo Rapin (2005), é o mais afetado em crianças com autismo. Essas crianças, conforme o autor geralmente apresenta uma fala com vocabulário sem elementos coesivos, característicos de uma fala telegráfica. Tal alteração, na maioria das vezes, causa a ininteligibilidade para o interlocutor, uma vez que os enunciados da criança tornam-se curtos e sem estrutura sintática. De modo geral, o domínio de estruturas linguísticas flexíveis essenciais para a compreensão da linguagem falada, como pronomes, verbos, adjetivos e conjunções, geralmente estão prejudicados na criança com autismo. Uma das características mais marcantes é a dificuldade na aquisição do pronome “EU”. A criança com autismo utiliza frequentemente a terceira pessoal para referir-se a si mesma.

Para Gauderer (1980), existem algumas crianças com autismo que falam com volubilidade, porém com atraso linguístico significativo. A maior parte dessas crianças representa sua linguagem por meio de ecolalia, com elementos decorados e produzidos fora do contexto.

O enfoque sócio-histórico da psicologia à teoria desenvolvida por Vygotsky tem como base a construção sócio-histórica ou histórica-cultural da mente. A sua preocupação centrava-se na questão de como os fatores sociais e culturais influenciavam o desenvolvimento intelectual, ou seja, a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito como o meio. O núcleo central de sua teoria trata de como os indivíduos, interagindo com agentes sociais mais instruídos (professores/as, colegas), constroem e internalizam o conhecimento. Enfatizou o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. A linguagem, sistema simbólico dos grupos humanos, representa um salto qualitativo na evolução da espécie. É ela que fornece os conceitos, as formas de organização do real e a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. Os fatores sociais, de acordo com esse psicólogo, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. Quando o conhecimento existente na cultura é internalizado (construído) pelas crianças, as funções e as habilidades intelectuais são provocadas a desenvolver. Desse modo, a aprendizagem conduz ao desenvolvimento. Identificar o método utilizado pelos profissionais em crianças Autistas com auxílio do governo foi atribuído uma lei 12.764, de 27 de dezembro 2012, onde devido às dificuldades dos professores em lidar com tipo de criança autista estabelecendo essa lei que institui uma Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista que incentiva os professores a ter uma capacitação para lidar com crianças Autistas.

Na concepção vygotskyana, todo homem se constitui ser humano pelas relações que estabelece com os outros sujeitos. O sujeito não é apenas ativo, mas interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. Trata-se de um processo que caminha do plano social (relações interpessoais) para o plano individual (relações intrapessoais). Em outras palavras, é na troca com outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais, o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência.

O presente trabalho visa responder o seguinte problema, quais métodos são utilizados por profissionais para auxiliar na aquisição da linguagem de crianças Autistas. A presente pesquisa propõe avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na criança. O autismo é um transtorno definido por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. As manifestações do transtorno variam, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo. Deste modo iremos procurar entender como profissionais podem auxiliar essas crianças para terem um desenvolvimento melhor na aquisição de sua linguagem, consequentemente em seu desenvolvimento pessoal e inclusão social também.

 

2.1 Objetivo Geral

Identificar quais os métodos utilizados por profissionais da saúde para auxiliar na aquisição da linguagem em crianças Autistas.

 

2.2 Objetivos Específicos

Identificar os métodos utilizados pelos profissionais em crianças autistas

 

2.3 Hipótese

A falta de um ambiente adequado ou barulho, o tom de voz inadequado dos  professores estressados, pode influenciar no aprendizado e no desenvolvimento das crianças autistas no ambiente em escolar.

  1. METOLOGIA

Essa pesquisa apresenta-se a partir de um levantamento, onde os sujeitos pesquisados serão profissionais que trabalham diretamente com crianças autistas que possuem dificuldades na aquisição da linguagem.

 

 

3.1 Participantes

Participarão desta pesquisa, profissionais do sexo feminino e masculino, que trabalham em instituições públicas, diretamente com crianças autistas.

3.2 Instrumentos

  • Termo de livre esclarecimento
  • Prancheta com folhas A4, para anotações
  • Lápis preto e caneta
  • Entrevista semi-estruturada

 

3.4 Procedimentos 

Uma entrevista semi-estruturada, que será realizada no ambiente escolar, onde os professores serão conduzidos para uma sala da escola. O entrevistador fará as perguntas e anotará as respostas, os professores apenas responderão as perguntas.

 

4  RESULTADOS E DISCUSSÕES

A profissional entrevistada atua há 16 anos na Educação (AEE) Atendimento Educação Especializado. Segundo a profissional as maiores dificuldades enfrentadas no acompanhamento de crianças autistas é na adaptação do aluno na escola, na organização do ambiente para que o aluno se sinta confortável, e o envolvimento da família na adaptação da criança. Uma das maiores satisfações desse trabalho para ela é traças as metas e notar que o aluno com autismo conseguiu avançar de acordo com as suas possibilidades e observar que a criança se adapta ao meio escolar se desenvolvendo ao longo do processo do método de ensino especial, interagindo mesmo com suas limitações cognitivas. Os métodos mais utilizados pela profissional são a utilização de fichas de comunicação alternativa, rotina estabelecida antecedentes, avisar o aluno antes de começar o método de ensino especial, observar que tipo de atividade que chama mais atenção da criança jogos interativos, quebra-cabeça jogos lúdicos, investigar se a criança tem habilidades sociais escondidas, para estimular tais desenvolvimentos e talentos, porém um importante método é utilizado, chamado Método Teacch nas baterias de testes com crianças com autismo esse método e caracterizado como a difícil arte de ensinar por meios desenhos com cores, fichas interativas e a adaptada para os alunos, o procedimento minucioso, pois deve-se atentar para um ambiente adequado e separado do ensino regular e o Método Teacch tem dado êxito nos resultados aplicados e desenvolvidos com Crianças Autistas Clássicos.   Não se pode determina um tempo de melhora para crianças autistas, pois cada um é único e estimulado de forma diferenciada. Quanto mais cedo se aplica o método de intervenção educativo adaptativos, maior a chance de resultados proeminentes positivos.

As maiores dificuldades enfrentadas com as famílias de crianças autistas são em primeiro lugar a frustração, seguida da falta dos pais não acreditar que a criança seja capaz de desenvolver mesmo com suas limitações ela tem suas habilidades, não há grande compromisso por parte das famílias para com seus filhos Autistas, a maiorias dos pais acham que seus filhos não são capazes de fazer tais atividades diárias de uma pessoa normal. O trabalho com o autista deve ser troca entre interação do professor especializado, a família e o aluno autista. Deve-se haver um manejo do profissional rotineiro com a criança e o que é aplicado na escola deve ser repetido em casa, incentivado pelo os pais estimulando o desenvolvimento e evolução do seu filho. O profissional pode sugerir fichas de comunicação alternativas, um exemplo é uma ficha com a palavra beber ou comer todas as vezes que a criança pegar a ficha com a escrita beber, os pais automaticamente sabem que a criança quer beber água e assim todas as atividades diárias da casa da criança com autismo, o ambiente deve haver adaptações  para que a criança possa se comunicar com os pais, verbalmente ou não verbalmente por meio de fichas com palavras chaves de acordo com a vontade e a escolha da criança por meios de repetições de sua escolha, deve ser desenvolvido todos os dias  como na escola e na casa, o conjunto de ambos os ambientes é muito importante para desenvolvimento da a aquisição da linguagem do Autismo Clássico.

Conclui-se que a falta de profissionais para coleta e junção de dados e informações foi pequena, porém pode-se ter uma idéia de como o profissional e a família são indispensáveis e imensuravelmente importantes no desenvolvimento satisfatório da linguagem de uma criança com síndrome do espectro autista. Dos métodos pesquisados pelos alunos da presente pesquisa notou-se que o método mais utilizado é o Teacch, até por falta de coletas de informações de outros profissionais. Mesmo existindo mais de noventa e três métodos, o método Teacch e o método Abba são os métodos que mais aparecem em artigos científicos como sendo os mais utilizados na atualidade. O método ABA pode intencionalmente ensinar a criança a exibir comportamentos mais adequados no lugar dos comportamentos problemas.

Os objetivos da intervenção são:

  1. Trabalhar os déficits, identificando os comportamentos que a criança tem dificuldades ou até inabilidades e que prejudicam sua vida e suas aprendizagens.
  2. Diminuir a freqüência e intensidade de comportamentos de birra ou indesejáveis, como, por exemplo: agressividade, estereotipias e outros que dificultam o convívio social e aprendizagem deste indivíduo.
  3. Promover o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas, adaptativas, cognitivas, acadêmicas etc.
  4. Promover comportamentos socialmente desejáveis.

O Método TEACCH se baseia na adaptação do ambiente para facilitar a compreensão da criança em relação a seu local de trabalho e ao que se espera dela. Por meio da organização do ambiente e das tarefas de cada aluno, o TEACCH visa o desenvolvimento da independência do aluno de forma que ele precise do professor para o aprendizado de atividades novas, mas possibilitando-lhe ocupar grande parte de seu tempo de forma independente. Partindo do ponto de vista de uma compreensão mais aprofundada da criança e das ferramentas de que o professor dispõe para lhe dar apoio, cada professor pode adaptar as idéias gerais que lhe serão oferecidas ao espaço de sala de aula e aos recursos disponíveis, e até mesmo às características de sua própria personalidade, desde que, é claro, compreenda e respeite as características próprias de seus alunos.

            Na sociedade competitiva em que vivemos é natural, durante o período gestacional, que os pais anseiem por um bebê saudável, normal e que cresça como qualquer outra criança. Quando os pais se deparam com a realidade do filho desejado ter uma deficiência ou um tipo de síndrome como o espectro autista, muitos sentimentos podem aflorar. As respostas a essa realidade, tanto sociais como familiares, podem ser desde a proteção excessiva até a rejeição.

Os resultados encontrados no presente estudo sugerem que novas pesquisas sejam realizadas de forma quantitativas com mais participantes no processo da pesquisa, para mais aproveitamento e maior levantamento de hipóteses para que novas teorias possam surgir ao longo do tempo dentro da Psicologia, na discussão no contexto familiar e métodos de aprendizagem para ensino adaptativo para crianças que necessitam de um apoio profissional, orientação para os pais saberem como lidar com seu filhos especiais no decorrer da jornada de suas vidas escolar e familiar, proporcionando mais dados no campo da sociedade cientifica, contribuindo na construção de conhecimento e desenvolvimento da Psicologia. A importância de mais pesquisas a serem realizadas por profissionais da saúde e escolar no âmbito familiar, deve ser feita para que se quebre os tabus impostos pela sociedade sobre crianças que necessitam de um ensino especial e a sua inclusão social.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho nos possibilitou compreender a importância do profissional que trabalha diretamente com crianças autistas. Esse profissional pode auxiliar assertivamente na aquisição da linguagem e no auxilio a família dessa criança, os dando suporte e orientações para terem uma melhor visão de seus filhos e de suas potencialidades.

Apesar de termos colhido poucas informações com profissionais da área sobre esses métodos, nota-se que são muito eficazes e resultam em uma melhora notória nas crianças diagnosticadas com a síndrome do espectro autista. Esse campo de estudo se mostra muito enriquecedor, e deve-se ser pesquisado por mais tempo e com uma ampla lista de profissionais para melhores resultados.

 ANEXO I – ENTREVISTA COM PROFISSIONAL

Nome:­­­­­­­­­­­­­­­­ Maria Madalena Dias da Silva

Idade: 49

Sexo: Feminino

Formação: Pós Graduação em Educação Especial

  • Há quanto tempo atua na área?

Atua 16 anos na Educação (AEE) Atendimento Educação Especializado.

2) Quais as maiores dificuldades enfrentadas no acompanhamento de crianças autistas?

Adaptação do Aluno na escola, organização do ambiente para, que se sinta confortável, envolvimento da família para a progressão e adaptação da criança Autista.

3) Qual a maior satisfação em trabalhar com crianças autistas?

Traçar metas e notar que o aluno com autismo conseguiu avançar de acordo com as suas possibilidades observar e ver a criança se adaptando ao meio escolar, se desenvolvendo ao longo do processo do método ensino especial e interagir mesmo com suas limitações cognitivas.

4) Quais os métodos utilizados em seu trabalho para auxiliar no desenvolvimento da linguagem de crianças autistas?

Utilização de fichas de comunicação alternativa. Rotina estabelecida antecedentes, avisar o aluno antes de começar o método de ensino especial, observar que tipo de atividade que chama mais atenção da criança jogos interativos, quebra-cabeça jogos lúdicos, investigar se a criança tem habilidades sociais escondidas, para estimular tais desenvolvimentos e talentos.

5) Existem mais de 93 métodos diferentes utilizados para o auxílio do desenvolvimento da linguagem de crianças autistas hoje, eles são realmente utilizados? Quais são os mais utilizados? Existe um método que seja eficaz ou são utilizados uma bateria de testes?

Na Escola Estadual Dom Bosco nós usamos o Método Teacch nas baterias de testes com crianças com autismo esse método e caracterizado como a difícil arte de ensinar por meios desenhos com cores, fichas interativas e a adaptada para os alunos, o procedimento minucioso, pois temos que nos atentar para um ambiente adequado e separado do ensino regular e o Método Teacch tem nós dado êxito nos resultados aplicado e desenvolvidos com Crianças Autistas Clássicos.

6) Quanto tempo geralmente leva para se notar melhora nos comportamentos da criança autista e em quais aspectos, a partir do acompanhamento de um especialista?

Não se pode determina um tempo, pois cada um é único e estimulado de forma diferenciada. Quanto mais cedo aplicarmos método intervenção educativo adaptativos, maior a chance de resultados proeminentes positivos.

7) Quais as maiores dificuldades enfrentadas com as famílias da criança autista?

Em primeiro lugar e a frustração, seguida da falta dos pais não acreditar que a criança não seja capaz de desenvolver mesmo com suas limitações suas habilidades, não há grande compromisso por parte das famílias para com seus filhos Autistas, a maiorias dos pais acham que seus filhos não são capazes de fazer tais atividades diárias de uma pessoa normal.

8) Como a família da criança autista pode auxiliar no desenvolvimento de sua linguagem?

O trabalho com o autista deve ser troca entre interação do professor especializado entre o aluno autistadeve a ver o manejo do profissional rotineiro todos os dias com a  criança e o que e aplicado na escola deve ser repetido em casa, incentivado pelo os pais estimulando o desenvolvimento e evolução do seu filho especial.

9) O que o profissional pode fazer para ajudar a família da criança autista no seu desenvolvimento da linguagem?

Ele pode sugerir fichas de comunicação alternativas exemplo uma ficha com a palavra beber ou comer todas as vezes que a criança pegar a ficha com a escrita beber , os pais automaticamente sabem que a criança quer beber água e assim todas atividades diárias da casa da criança com autismo, o ambiente deve a ver adaptações  para que a criança possa se comunicar com os pais, verbalmente ou não verbalmente por meio de fichas com palavras chaves de acordo com a vontade e a escolha da criança por meios de repetições e sua escolha, deve ser desenvolvido todos os dias  como na escola e na casa do autista, o conjunto ambos os ambientes e muito importante para desenvolvimento da a aquisição da linguagem do Autismo Clássico.

 ANEXO II – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

CRONOGRAMA

DATAS FEVEREIRO MARÇO ABRIL MAIO JUNHO
Revisão bibliográfica X        
Confecção do projeto X X      
Coleta de dados     X X  
Análise de dados     X X  
Confecção de relatório       X  
Apresentação final do relatório         X

 REFERÊNCIAS

DEFRALTE, C. de B. Enfoque acerca da aquisição de linguagem em crianças psicóticas do espectro autístico: um estudo de caso. Distúrbios da comunicação. 2007. 111p. Mestrado, Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba.

DELFRATE, C. de B; SANTANA, A. P. de O; MASSI, G. de A. A aquisição de linguagem na criança com Autismo: um estudo de caso. Maringá 2009.

DIAS, Robson Batista. Educação especial e autismo. 1 ed. Campo Grande, MS: Perse, 2017.

Intervenção: método Teacch. Disponível em: http://www.universoautista.com.br/autismo/modules/works/item.php?id=8. Acesso em: 15 de Março de 2017.

Psicologia da pessoa com necessidades especiais. Disponível em: https://estaciowebaula.com.br/salafraame.asp?curso=2441&turma=778176&tópico=822909&shwmdl=1. Acesso em: 15 de março de 2017.

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma Perspectiva Histórico-cultural da Educação. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

ROCHA, L. C; BEFI-LOPES, D. M. Análise pragmática das respostas de crianças com e sem distúrbio específico de linguagem. Pró-fono revista de atualização científica. Barueri, vol.18, n.3, 2006.

RIBEIRO, Sabrina. Aba: uma intervenção comportamental eficaz em casos de autismo. Revista autismo: informação gerando ação. 1 ed. Abril, 2010.

VIGOTSKY, L. S. A formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

 

”O sentido da vida e simplesmente viver livremente Ser e Estar”

Ser e Estar ”Existencialismo”

Somos seres em constante construção, o ser se da na ação de como vive ou realiza seja você uma pessoa boa ou ruim, e de como você se lida em momentos de adversidades, não quer dizer que você precisa permanecer ou se encontrar ali, o fato que você pode ser um pessoa ruim hoje, mas esse modo de pensar não determina o seu resultado final de como pessoa na sua integra subjetiva como um todo, atitudes e modo de agir.

Você e um esboço não acabado:

Você pode se encontrar em harmonia com a vida ou desarmonia isso significa que você não apenas pode mudar a sua história mas pode apagar e reescrever novos capítulos, somos um esboço não acabado, pois temos possibilidades de o livre arbítrio de conduzir nossa vida da melhor forma possível, temos a liberdade de viver uma vida através de qual caminho seguir ou escolher, temos a capacidade decidir o verdadeiro valor da vida e o nosso julgamento moral de como vemos a nossa vida e a nossa própria existência verificando novas oportunidade de encontrar o verdadeiro significado de um vida.

Signos: não determina quem você realmente e?

Todo mundo já ouviu ou escutou em algum momento da vida sobre Signos, esse tipo de avaliação definitivo de capricórnio não se da bem com Áries e apenas uma projeção culturalmente idealizada pelas pessoas, Signos não define o caráter da pessoa e a sua personalidade vai muito mais além disso a personalidade de uma pessoa e construída a cada etapa da evolução do individuo pelas experiências vivenciadas, de como foi educado pelos os pais na infância até desenvolvimento do estágio adulto, isso significa que podemos ser ruim em algum aspecto da vida neste momento mas isso não significa que o caráter e a personalidade se definiu por completo, somos pessoas em constante movimento e mudança em construção a cada minuto a cada hora.

Determinamos ser ou estar ”quem somos e quem seremos”

Cada pessoa pode determinar o verdadeiro significado da sua própria existência, você é o que pensa de você mesmo o que prática do modo que age nas situações da vida, a sua ”existência autêntica eu não dependo de nada, seja qual situação socioeconômico eu me encontro ou pertenço, etnia, raça, cor. você pode realizar ou desejar tudo aquilo que você deseja através de atitude exercendo e executando em ação.

Ser e Estar não Individualista

Estar no mundo de maneira única e exclusiva de existir, ser uma pessoa flexível de compreender e entender outro de modo conservador e empático de se relacionar com as pessoas respeitando opiniões e diferenças não manipulando para seus próprios interesses pessoais, somos um esboço que não está completo mas em constante construção em todos estágios de vida.

Modo de pensar e agir

Ser doente – Limitações e conflitos ficar refém das nossas próprias escolhas de uma vida inteira sem saber o verdadeiro significado da nossa existência.

Ser Saudável – aceitar e enfrentar as possibilidades da vida, cultivando o pensamento resiliente de como agir e determinar em situações de adversidades enfrentadas na sua própria existência, de como ser e realizar tomados pelas suas próprias decisões escolhas, se dando a oportunidade do julgamento moral da sua própria vida e Subjetividade.

Transtorno de Esquizofrenia (Patológica)

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CURSO DE PSICOLOGIA

ESQUIZOFRENIA

 Por

Aparecida Solange Lisboa Cardoso

Karla Aparecida Rosa Araújo

Rodrigo Alves Trindade

Goiânia-Goiás

03/2017

Pesquisa elaborada com o objetivo de obter nota complementar na avaliação AV1 do curso de Psicologia, na Disciplina Psicopatologia I pesquisa realizada por acadêmicos da Estácio de Sá: Aparecida Solange Lisboa Cardoso, Karla Aparecida Rosa Araújo e Rodrigo Alves Trindade em cumprimento à solicitação e orientação do professor Dr. Daniel, turma 1001, A-61.

03-17

  1. Introdução……………………………………………………………………….
  2. História da esquizofrenia…………………………………………………..
  3. …………………………………………………………………………
  4. …………………………………………………………………
  5. Sinais e Sintomas……………………………………………………………
  6. Tipos da Esquizofrenia…………………………………………………….
  7. Teorias familiares……………………………………………………………
  8. Diagnóstico……………………………………………………………………
  9. …………………………………………………………………..
  10. Prognóstico…………………………………………………………………..
  11. Abordagem psicológica………………………………………………….
  12. Conduta terapêutica………………………………………………………
  13. Questões a serem estudadas………………………………………….
  14. Bibliografia
  15. Anexos:Fotos/vídeos

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1-INTRODUÇÃO

A esquizofrenia atinge 1% da população, raros casos são diagnosticados antes dos 25 anos, a doença será para toda sua vida, o tratamento e seu acompanhamento deve ser ao paciente e seus familiares; independe de classe social. Tanto o paciente como seus familiares devem receber cuidados necessários para suportar o ostracismo da população em geral, devido à falta de conhecimento pela população em geral. A doença engloba um grupo de transtornos com etiologias heterogenias incluindo os pacientes com a apresentação clínica; a resposta ao tratamento e curso da doença são diversos. O diagnóstico de esquizofrenia funda-se na história da psiquiatria, nos exames do estado mental e laboratorial na pesquisa desse diagnóstico.

Há três áreas que busca sua compreensão:

1º – nas técnicas de neuro imagens, nas Ressonâncias Magnéticas (IRM), nas técnicas neuropatológicas que mostram quando existe um refinamento – focam em áreas do cérebro para fisiopatologias da esquizofrenia no Lobo Frontal, Amígdalas, Hipocampo, giro-hipocampal e o cerebelo.

2º – Com o início do uso da Clozapina (Leponex), antipsicotrópico atípico com efeitos adversos mínimos, as pesquisam revelam esse agente e outros eficazes para redução dos sintomas negativos da esquizofrenia, com baixo efeito neurológico adverso.

3º – A melhora com o tratamento medicamentoso e a base biológica sólida é reconhecida; há maior interesse nos fatores psicossociais que tem influência no transtorno e no tratamento, ressalta-se a psicoterapia importante recurso terapêutico, associado ao tratamento farmacológico, na recuperação e na reabilitação do indivíduo esquizofrênico. Por meio de abordagens educativas, suportivas, interpessoais ou dinâmicas, visa-se recuperar o indivíduo no nível psíquico, interpessoal e social.

2- História da Esquizofrenia

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A história da esquizofrenia apresenta documentos escritos pelos faraós egípcios em 2000 A.C. Nestes escritos os distúrbios do pensamento, a loucura, esses transtornos inominados foram observados na esquizofrenia. Naquela época, pensava-se que esses transtornos mentais eram causados por demônios e espíritos malignos, e poderia ser curada no exorcizar.

Muitos sinais e sintomas de esquizofrenia são descritos em manuscritos antigos gregos, romanos e chineses.

A história da esquizofrenia é mais conhecida com registros desde 1700. Foi durante este período que um comportamento anormal mental, mais detalhadas e precisas foram registrados. Estas alterações incluíram na fala, gestos e emoções de uma pessoa.

O quadro clinico da esquizofrenia chamou a atenção de várias pesquisadores e médicos importantes da área da psiquiatria e da neurologia, teve seu início com o médicoBenedict Morel (1809-1873), psiquiatra francês, que denominou com o tremo DÉMENCE PRÉCOCE aos pacientes como início da doença ainda na adolescência.

Karl Ludwig Kahlbaum (1828-1899), trouxe a denominação os sintomas da Catatonia.

Ewold Hacker (1843-1909), ateve-se ao comportamento bizarro de doentes com a Hebefrenia.

O dois pesquisadores e estudiosos da esquizofrenia com maior destaque foram: Emil Kreapelin (1853-1926) e Eugen Bleuler (1857-1939).

Emil Kreapelin traduzia a Démence Precoce de Morel como Dementia Precox, termo que enfatizava o processo cognitivo distinto (dementia) e o início precoce (Precox) do transtorno. Os pacientes afetados apresentavam deteriorantes a longo prazo e sintomas clínicos comuns de alucinação e delírio, diferenciando dos pacientes classificados como portadores de psicose maníaca depressiva, que sofriam episódios destinos de doenças alternados com período de funcionamento normal.

Os sintomas principais dos pacientes com paranoia eram delírios persecutórios persistentes, não se via o curso deteriorante da dementia Precox, bem como, os sintomas intermitentes da psicose maníaco-depressiva. Reconheceu que cerca de 4% de seus pacientes se recuperavam completamente e 13% tinham remissão significantes. Alguns pesquisadores afirmavam, de modo errado, que a dementia Precox tivesse curso inevitavelmente deteriorante.

Eugen Bleuler, nasceu em Zollikon, uma pequena cidade perto de Zurique, na Suíça. Estudou medicina em Zurique e mais tarde em Paris, Londres e Munique. Retornou a Zurique para assumir um cargo no Burghölzli, um hospital universitário, onde se tornou professor de psiquiatria. Em 1886 foi nomeado diretor da clínica psiquiátrica de Rheinau, um hospital localizado em um monastério numa ilha do Reno. Rheinau era famosa pelo seu atraso e Bleuler melhorou as condições para os pacientes que viviam ali. Retornou para Burghölzli em 1898 para ser diretor e empregou Carl Jung (1875-1961) como interno.

Jung graduou-se em 1900, aos 25 anos, lendo nessa época o livro A interpretação dos sonhos de Sigmund Freud por sugestão de seu mestre Eugen Bleuler, do qual se tornou primeiro médico-assistente, no Hospital Psiquiátrico de Burghölzli que deu o nome atual à doença esquizofrenia e dividiu os sintomas em “positivo” e “negativo” em 1911. Ele criou o termo da divisão das palavras gregas significar a esquizo “e mente” phrene “significado, e que a doença é dividida em quatro categorias: 4” Para os ‘- roma’ hits ‘descolamento’ associações ‘,’ ambivalência “e” autismo “.Dessa forma foi ele quem nomeou o termo de esquizofrenia, mudou a dementia Precox na literatura médica.

Para Bleuler, o termo foi escolhido para expressar a presença de cisões (schimis) entre o pensamento, emoção e comportamento. Enfatizou ainda, que ao contrário de Kreapelin, a esquizofrenia não precisa ter curso deteriorante. Antes da publicação do DSM III, a incidência da doença era duas vezes maior nos EUA, que seguiam a Kreapelin, mas o termo de Bleuler tornou-se internacionalmente aceito para o transtorno. Esse termo é compreendido na maioria das vezes por leigos, como dupla personalidade, hoje denominada de transtorno dissociativo de identidade, presente no DSM IV-TR, diferindo da esquizofrenia.

Bleuler identificou sintomas fundamentais e específicos da esquizofrenia em sua pesquisa a respeito das cisões mentais.

Os sintomas incluíam perturbações associativas, em especial: frouxidão, perturbação afetiva, autismo e ambivalência, resumindo-as como os QUATRO AS, que são: Associações, Afeto, Autismo e Ambivalência.

Os sintomas secundários, incluíam os apresentados por Kreapelin como principais indicadores da dementia Precox: Alucinações e Delírios.

Há inúmeros outros teóricos, tais como: Adolf Meyer, Harry Sullivan, Ernst Kretschmer, Gabriel Langfeldt, Kurt Schneider e Karl Jasper, que acrescentaram e muito à compreensão da esquizofrenia.

Meyer, foi o fundador da Psicobiologia, via a esquizofrenia e outros transtornos mentais como reações ao estresse da vida, denominava a síndrome uma reação da esquizofrenia.

Sullivan, fundou a escola psicanalítica interpessoal, primava o isolamento social como causa e sintoma  na condição de cada paciente.

Kretschmer,  juntou dados de seus estudos para colaborar com a ideia de que a esquizofrenia ocorria com maior frequência entre pessoas com o tipo corporal astênico (físico esguio, com poucos músculos), atléticos ou displásticos do que o físico das pessoas com tipo corporal pícnicos (físico baixo e atarracado) com maior probabilidade de sofrer transtornos bipolares; foi observado com estranheza, mas não são inconsistentes com uma impressão superficial dos tipos corporais de muitas pessoas com a doença.

Langfeldt, classificou a doença em dois grupos, sendo os pacientes com sintomas psicóticos, e outros com esquizofrenia genuína, enfatizou diversos fatores, tais como: início insidioso, sentimentos de desrealização, despersonalização, autismo e embotamento emocional. Seus sucessores deram nome de esquizofrenia genuína como: esquizofrenia nuclear no curso do processo e sem remissão.

Schneider, contribuiu com a descrição de sintomas de primeira ordem, os quais enfatizavam que não eram específicos de esquizofrenia e não deveriam ser aplicados rigidamente, mas eram uteis para o diagnóstico.

Jasper, psiquiatra e filósofo, teve papel importante no desenvolvimento da psicanalise existencial, interessava pela fenomenologia da doença e pelos sentimentos subjetivos dos pacientes. Abriu caminho para a tratativa de entender o significado Psicologia dos Sinais e Sintomas Esquizofrênicos – delírios e alucinações.

Em 1911, Freud publica as Psychoanalytische Bemerkungen über einen autobiographisch beschreibenden Fall von Paranoia (Dementia Paranoides. Foi a primeira de várias contribuições de Freud sobre a psicose, obra na qual ele apresenta uma análise e interpretação do sentido do delírio paranoico e ao final (e que nos interessa no momento), ele comparavaa paranoia à esquizofrenia. Nessa obra Freud revoluciona a concepção que se tinha até então dos delírios em meros sintomas: A formação delirante, que se presume o produto patológico, é, na realidade, uma tentativa de restabelecimento, um processo de reconstrução.

Na esquizofrenia, diz Freud, as palavras estão sujeitas ao processo primário, processo igual ao dos sonhos.  As palavras passam por uma condensação, e por meio do deslocamento transferem integralmente suas catexias de umas para as outras. Nos sintomas de esquizofrenia haveria, portanto, uma dominância do que tem a ver com as palavras sobre o que tem a ver com as coisas.

Nos anos de 1911 a 1956, ocorreu uma revolução no campo da psicopatologia mudando completamente o modo como se via a psicose. A psicose, inclusive a esquizofrênica, que era até 1911 vista como uma doença degenerativa, ganhou o estatuto de estrutura e com isso pôde ser colocada junto à neurose em termos comparativos. Como apenas meio século anos nos separam da elaboração mais acabada da concepção estrutural das psicoses por Lacan, ainda há muito a ser pesquisado, principalmente no que tange à contribuição da noção de estrutura das psicoses para a compreensão da esquizofrenia.

A esquizofrenia tem a cada pesquisa realizada saltado para maior compreensão dos sintomas, sinais, tratamento e formas de convívio do paciente em curso, bem como, após, alta e manutenção de sua ressocialização na sociedade, que ainda, é muito estereotipada seu entendimento e aceitação. Deve-se levar em conta que essa doença, é severamente grave, com comprometimento inigualável a qualquer outro transtorno mental. Necessitando de um maior interesse sempre em estuda-la e redescobrir formas melhores para cada paciente portador da esquizofrenia.

Historicamente, resume-se o surgimento e os pesquisadores que maior destaque em seus estudos tiveram, vale ressaltar, que no Brasil, há inúmeros profissionais empenhados a capacitados para conduzir melhores meios para com os esquizofrênicos, independentemente de sua categorização. Mas necessita-se de muitos outras pesquisas e estudos para saber mais sobre a esquizofrenia.

  1. Etiologia

A etiologia é o ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno, aqui  interessa o conhecimento cujo objeto é a esquizofrenia.

A esquizofrenia é uma doença grave, é tida como uma doença única, embora, confunde-se seu diagnostico com outros grupos de transtornos mentais que são semelhantes, prejudicando de imediato o início do tratamento, até por exigir-se que o paciente fique em tratamento paralelo, por um período mínimo de seis meses para confirmar o diagnóstico correto.

As causas da esquizofrenia ainda é objeto de estudo até os dias atuais, para se poder confirmar o consenso existente em que atribui a desorganização da personalidade, a interação das variáveis culturais, psicológicas e biológicas, pensando assim, existem várias teorias que se destacam nas mais diversas pesquisas, quais sejam:

  1. Modelo do Diátese-estresse

A diátese (fatores de vulnerabilidade) ou estresse podem ser biológicos, ambientais ou ambos. O componente ambiental pode ser biológico, por exemplo uma infecção; ou psicológico, um estresse familiar, morte de uma pessoa próxima. Pode ainda, ser modelada por influencias genéticas, abuso de substancias, estresse psicossocial e traumas.

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b)Neurobiologia

A causa da es quizofrenia como já dito, é desconhecida, mas há pesquisas que indicam um papel fisiopatológico para determinadas áreas do cérebro, tais como, o sistema límbico, o córtex frontal, o cerebelo e os gânglios basais. Essas quatro áreas são interligadas, de modo que uma disfunção em uma delas pode apresentar um processo patológico primário em outras áreas. As neuro imagens de pacientes vivos e em exames neuropatológicos de tecidos cerebrais presentes nas autopsias (pacientes mortos) apresentam alterações no sistema límbico nos processos primários. Vale ressaltar que, duas áreas ativas de pesquisa são o momento da lesão neuropatológica em que aparece no cérebro e sua interação com estressores ambientais e sociais, no caso de migração anormal de neurônios ao longo das células gliais radiais durante o desenvolvimento, ou na degeneração desses neurônios após o desenvolvimento, morte celular pré-programada precoce, como na doença de Huntington. Gêmeos monozigotos apresentam taxa de 50% discordantes para esquizofrenia.

 

  1. c) A hipótese da dopamina

A teoria dopaminérgica da esquizofrenia foi baseada na observação de que certas drogas tinham habilidade em estimular a neurotransmissão da dopamina (DA). Na qual a droga psicoestimulante anfetamina, administrada em altas dose e repetidas, causa uma psicose tóxica muito semelhantes às da esquizofrenia paranoide em fase ativa. A semelhança é tão grande, que pode levar a erro o diagnóstico, caso o psiquiatra ignore que o paciente tenha ingerido anfetamina. Essa droga atua nos terminais dopaminérgicos aumentando a liberação de DA, impede sua inativação na fenda sináptica, inibindo o mecanismo neuronal de recaptação existente na membrana pré-sináptica.

Dessa forma, é possível que os sintomas esquizofrênicos – grande agitação psicomotora, alucinações auditivas, e ideias delirantes do tipo persecutório – sejam devidos ao excesso de atividade dopaminérgica determinado pela anfetamina. Essas manifestações cedem logo após a administração de neurolépticos bloqueadores dos receptores dopaminérgicos, sobretudo do tipo D2, ricamente distribuídos nos gânglios da base e áreas mesolímbicas. Além disso, alguns pacientes parkinsonianos tratados com L-DOPA, que aumenta a formação de DA, desenvolvem sintomas psicóticos semelhantes. Sabe-se ainda que o efeito antipsicótico de drogas como a clopromazina e o haloperidol deve-se a ação dessas drogas em bloquear a atividade dopaminérgica (Graeff, 1989, 2004).

  1. d) outros neurotransmissores

A dopamina teve maior atenção nas pesquisas, no entanto, há outros neurotransmissores; o primeiro aponta que a doença é um transtorno heterogêneo; o segundo – em neurociência – que um único neurônio que pode conter mais de um neurotransmissor e dispor de receptores para mais de meia dúzias de outros neurotransmissores. Tais como: serotonina, noradrenalina, gaba, glutamato, neuropeptídios, neuropatologia, sistema límbico, gânglios basais e cerebelo, neuroimagens, tomografia computadorizada, ressonância magnética, RM-funcional (Rmf), espectroscopia de ressonância de imagem, tomografia para emissão de pósitrons, eletrofisiológica aplicada, epilepsia parcial complexa, potenciais evocados, disfunção dos movimentos oculares, psiconeuimunologia, psiconeuroendocrinologia.

  1. e) Alterações Estruturais

Na metade da década de 1970, diversos estudos utilizando a tomografia computadorizada (TC) de crânio detectaram sinais consistentes de atrofia cerebral, incluindo alargamento dos ventrículos cerebrais (mais pronunciado em cornos posteriores) e aumento de sulcos corticais numa proporção considerável de pacientes esquizofrênicos crônicos e agudos, independentemente de fatores não-específicos como idade, uso de neurolépticos e eletroconvulsoterapia (ECT). Os achados pioneiros de TC de crânio renovaram também o interesse em estudos patológicos post-mortem em cérebros de esquizofrênicos, e, com os avanços metodológicos nesta área, novas evidências começaram a surgir. Estudos recentes sugerem que os cérebros de alguns pacientes esquizofrênicos são mais leves e menores em comparação a pessoa sem a doença. As áreas mais  implicadas têm sido as porções mediais dos lobos temporais, sobretudo hipocampo e giro para-hipocampal. Diminuições de volume em áreas frontais, tálamo, gânglios da base e corpo caloso têm sido também sugeridas. A descoberta de alterações estruturais nos lobos temporais mediais tem despertado particular interesse. A ideia de que alterações nestas áreas estão relacionadas com a gênese de sintomas esquizofrênicos já vinha sendo considerada uma vez que psicoses esquizofreniformes são frequentes em pacientes com epilepsia do lobo temporal (Hopkins & Lewis, 2000).

A partir da década de 1980, estudos com o uso da ressonância magnética nuclear (RMN), técnica de imageamento mais sofisticada que a TC, têm permitido a avaliação de pacientes esquizofrênicos vivos e não medicados com excelente resolução anatômica. Os achados de RMN confirmam a presença de reduções volumétricas especificamente em lobos temporais mediais, mais pronunciadas no hemisfério esquerdo. Outras áreas temporais têm sido também implicadas, principalmente aquelas envolvidas em produção de linguagem, como o giro temporal superior. A consistência dos achados de RMN e neuropatológicos tem levado diversos pesquisadores a sugerir que alterações estruturais nos lobos temporais estão invariavelmente presentes na doença, variando em intensidade de paciente para paciente.

  1. e) Fatores Genéticos

A esquizofrenia é uma desordem hereditária. Estudos epidemiológicos mostram que familiares que possuem parentes em primeiro grau com esquizofrenia possuem um risco acentuado em desenvolver a doença. As estimativas variam, a taxa de concordância para esquizofrenia em gêmeos idênticos é ao redor de 50 % e, para gêmeos dizigóticos, é da ordem de 12 %, sendo expressivamente maior que o 1 % de risco da população geral. Por um lado, estes estudos demonstram a existência do componente genético (quatro vezes maior a probabilidade em gêmeos monozigóticos do que em dizigóticos), também ressalta a participação do componente ambiental na expressão da esquizofrenia, já que o esperado é teoricamente 100 % de concordância para gêmeos monozigóticos, pois a carga genética é idêntica em ambos (Vallada Filho & Busatto Fillho, 1996). Nesse sentido, podemos afirmar que, há uma maior probabilidade do acometimento da doença quando já existem outros membros da família com o transtorno, pois estão associados entre os sítios dos cromossomos Loci de números 5, 6, 8, 11, 18 e 22.

  1. f) Fatores psicossociais

A esquizofrenia é uma doença do cérebro, pode ter seu curso afetado por estresse psicossocial; a terapia medicamentosa isolada raramente é suficiente para uma melhora adequada.

  1. g) Terias Psicanalíticas

Para Freud a esquizofrenia resultava de fixação evolutivas mais precoces do que as que apresentavam no desenvolvimento de neuroses, um defeito do ego contribuía para seus sintomas; esses defeitos afetavam a realidade e o controle dos impulsos internos, como sexualidade e agressividade, distorções entre bebê e mãe. Vários sintomas da doença têm sentido simbólico para cada paciente, exemplo: fantasias sobre o fim do mundo, sentimentos de grandeza, narcisismo reativado. As alucinações restitutivas para a incapacidade de lidar com a realidade objetiva; mostrando seus medos e desejos mais íntimos. Os delírios, iguais as alucinações, são tentativas regressivas e restitutivas de criar novas realidades ou expressar medos ou impulsos ocultos.

  1. h) Teoria da aprendizagem

Para a teoria da aprendizagem são crianças que tardiamente desenvolvem a doença aprendem reações e formas de pensar irracionais imitando os pais com problemas emocionais importantes.

 

  1. Dinâmica familiar

Muitos pais sofrem ressentimentos dos médicos psiquiatras que associam o desenvolvimento da doença devido o comportamento sociais dos pais ou familiares disfuncionais. Organizações de defesa dos direitos de paciente tem feito muito para educar os pais e familiares a não se culparem se seus filhos desenvolverem a esquizofrenia (NAMI), embora não se possa esquecer de observar comportamentos familiares patológicos, o que causa na maioria o estresse emocional ao paciente com esquizofrenia.

  1. j) Duplo vínculo

Para Gregory Bateson e Donald Jackson descrevem sobre as crianças que se retraem para o estado psicótico para escapar da confusão insolúvel do duplo vínculo. Ex.: pai que diz ao filho para oferecer biscoito aos amiguinhos e após o repreende por dar muitos biscoitos aos amiguinhos.

  1. l) Cisões e Famílias assimétricas

Theodore Lidz mostra dois padrões anormais de comportamento familiar. A cisão entre os pais, um é excessivamente próximo de um dos filhos do sexo oposto. No outro, relação assimétrica entre um dos filhos e um dos genitores envolve uma luta de poder entre os pais que resulta em domínio de um deles. Estressando paciente esquizofrênico.

  1. m) Emoção expressada

Pais ou cuidadores que são críticos ou hostis em excesso ou envolvimento exagerado com o paciente, são altos níveis de “EE” – trazendo grande taxa de recaída aos pacientes com esquizofrenia.

  1. n) Teorias sociais

A industrialização e urbanização estão envolvidos nas causas da doença, devido seus altos níveis de estressores.

  1. o) Esquizofrenia como Distúrbio do Neurodesenvolvimento

 Existem vários estudos sugerindo que eventos de ocorrência precoce, durante a vida intrauterina ou logo após o nascimento, podem ser de importância fundamental na etiologia de uma parcela dos casos de esquizofrenia, interferindo no desenvolvimento normal de determinadas estruturas cerebrais e tornando o indivíduo vulnerável ao surgimento mais tardio dos sintomas da doença.

A má nutrição do feto, envolvendo especialmente redução no suprimento de oxigênio, iodo, glicose, e ferro podem levar a prejuízos no desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC). As condições maternas que causam a má nutrição do feto e parecem aumentar o risco de desenvolvimento da esquizofrenia incluem diabete, doença pulmonar crônica, anemia, inanição maternal durante o primeiro trimestre de gestação (Akil &Weinberger, 2000).

O nascimento prematuro extremo (ex. antes de 33 semanas gestacionais) parece aumentar o risco para a esquizofrenia.Eventos perinatais e complicações durante o parto podem causar danos ao hipocampo e córtex cerebral por causar hipóxia ou isquemia. Assim, eventos que afetam o desenvolvimento cerebral durante a gestação e o período perinatal estão relacionados à esquizofrenia. Além disso, a perturbação do meio intrauterino que tem sido ligado à esquizofrenia também pode aumentar os riscos para ocorrência de outros transtornos psiquiátricos (Akil &Weinberger, 2000).

3 –  EPISTEMOLOGIA

 

Segundo Kaplan e Sadok, cerca de 1% é a prevalência da esquizofrenia nos EUA, comprometimento que é para a vida toda; significa que uma para cada cem pessoas vai desenvolver o transtorno durante sua vida. Estudos na área de captação epidemiológica (ECA), realizado pelo Instituto de saúde mental, demonstra um domínio para a vida toda de 0,6% a 1,9%. Para o DSM-IV-TR, a incidência anual de esquizofrenia fica entre 0,5% a 5% por 10 mil, com variações geográficas, em que é mais alta entre pessoas nas áreas urbanas de países industrializados. A doença é encontrada em todas as sociedades e áreas geográficas no mundo inteiro.

Nos EUA, 0,05% da população é tratada para essa condição todos os anos, somente ½ dos doentes obtém tratamento, apesar da gravidade da doença.

  • ) Gênero de idade

A esquizofrenia acomete tanto no homem quanto na mulher, a diferença está no início e ao curso da doença. No homem a doença pode aparecer mais precocemente, enquanto que na mulher somente 1/3 dos pacientes têm sua baixa em hospitais psiquiátricos antes de 25 anos; o pico para o homem está entre 10 a 25 anos e entre 25 e 35 para as mulheres; com distribuição bimodal, com segundo pico na meia-idade; sendo de 3% a 10% após 40 anos que corresponde aproximadamente a 90% dos pacientes em tratamento estão entre 15 e 55 anos. O início antes dos 10 anos ou após 60 anos é bastante raro. Nos homens a maior probabilidade é a de sofrer sintomas negativos, e nas mulheres a maior probabilidade é de ter melhor funcionamento social antes da doença. A doença quando inicia após 45 anos, é caracterizada como início tardio.

  • Infecções associadas à sazonalidade do nascimento

As pesquisas apontam com maior probabilidade aos nascidos no inverno e início da primavera; e maior aos nascidos da primavera e no verão. Sendo no hemisfério norte/EUA, maior nos meses de janeiro a abril; no hemisfério sul é maior nos meses de julho a setembro, devido a um fator de risco especifico da estação, um vírus ou alteração alimentar sazonal. As hipnoses virais incluem vírus lentos, retrovírus e reações autoimune ativadas por esses vírus, tendo sua elevação após a exposição à influenza – (no inverno) – durante o segundo trimestre de gravidez. Outro dado é a predisposição genética.

  • Distribuição Geografia

         A esquizofrenia não é distribuída de modo uniforme nos EUA ou em outros países do mundo. No entanto, na Irlanda têm altíssimos casos, e as pesquisas apontam como uma causa possível confirmação devido as causas infecciosas, por exemplo, as virais.

  • Fatores reprodutivos

         As formas em que atualmente é realizado o tratamento é com uso de drogas psicoterapêuticas, as políticas de portas abertas dos hospital, a reabilitação e o atendimento comunitário propiciaram ao aumento de casamentos e relacionamentos entre os pacientes, aumentando a taxa de fertilidade entre os pacientes, o que ocorreu e ocorre um aumento crescente ao longo de cada ano do nascimento de crianças de pais portadores da doença. A taxa de fertilidade é próxima à taxa da população geral.

  • Doenças médicas

         O paciente tem uma taxa de morte mais alta devido aos acidentes e causas naturais do que a população em geral; o diagnóstico e o tratamento de condições médicas e cirúrgicas ainda representam um desafio clinico. Estudos apontam 80% dos pacientes tem doenças médicas concomitantes significativas, e até 50% destas podem não ser diagnosticadas.

  • Risco de suicídio

         O suicídio é a causa principal de morte entre os pacientes esquizofrênicos. 15% morrem devido a tentativa de suicídio com sucesso. O risco é alto entre os jovens, logo após a alta e no início do curso da doença.

  • Uso de substancias

         Os pacientes com esquizofrenia normalmente são dados ao uso de uma ou de várias substancias químicas, tais como:

  1. Tabagismo – 75% dos pacientes fumam, a nicotina diminui sintomas positivo

Como as alucinações, o efeito da nicotina atua nos receptores nicotínicos do cérebro, produzem a percepção de estímulos externos, tais como ruídos. O fumar é uma forma de automedicação.

  1. Outras substancias – 30% a 50% dos pacientes fazem uso do álcool; de 15% a 25% usam maconha; de 5% a 10% usam cocaína. Os pacientes relatam que essas substancias dão prazer e reduz a depressão e a ansiedade.

  • Fatores populacionais

         A prevalência maior da doença foi associada à densidade populacional com mais de um milhão de habitantes. É menor em cidades com 100 a 500 mil pessoas, ausente em cidades com menor de 10 mil pessoas. O acometimento da doença é expressamente maior nas comunidades urbanas, nas zonas rurais são raros. Os estressores sociais urbanos desencadearam mais a doença.

  • Fatores socioeconômicos e culturais

A esquizofrenia está presente em todas as culturas e grupos socioeconômicos, tendo maior numero ao grupo de baixo nível socioeconômico, que devido a doença não conseguem mudar seu padrão social, essa é a hipótese do declínio social; a causa social deve-se ao estresse vivido em baixas rendas; e ainda, ao estresse da industrialização, da migração, e principalmente entre os povos do terceiro mundo com contato com tecnologias avançados.Nos países em desenvolvimento os pacientes são reintegrados de forma bem mais consistente do que nas sociedades altamente desenvolvidas.

4- Sinais e Sintomas da Esquizofrenia ( por: Aluno Rodrigo)

As síndromes psicóticas caracterizam se por sintomas típicos como alucinações e delírios, pensamento desorganizado e comportamento claramente bizarro, como fala e risos imotivados (Janzarik, 2003).

 Os sintomas paranoides são muito comuns, como ideias delirantes e alucinações auditivas de conteúdo persecutório. E alguns casos, observa – se uma desorganização profunda da vida mental e do comportamento, qualidade diversas à que ocorre nos quadros demências, no delirium ou nos quadros de retardo mental grave (Schimid, 1991). A principal forma de psicose, por sua frequência e sua importância clínica, e certamente a esquizofrenia (Tsuang; Stone; Faraone, 2000). Considera-se que alguns sintomas são muito significativos para o diagnósticos da esquizofrenia (Tandon; Grenden,1987), particularmente aqueles que Kurt Schneider (1887- 1967) denominou “ sintomas de primeira ordem’’.

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4.1) Sintomas de primeira ordem de Kurt Schneider

Percepção delirante – Uma percepção absolutamente normal recebe uma significação delirante, que ocorre de modo simultâneo ao ato perceptivo, em geral de forma abrupta como uma espécie de “revelação”.

  1. Alucinações auditivas – características. São as vozes que comentam e/ou comandam a ação do paciente.
  2. Eco do pensamento ou sonorização do pensamento

(Gedankenlautwerden). O paciente escuta seus pensamentos ao pensa-los.

  1. Difusão do pensamento – Neste caso, o doente tem a sensação de que seus pensamentos são ouvidos ou percebidos claramente pelos outros, no momento em que os pensa.
  2. Roubo do pensamento – Experiência na qual o indivíduo tem a sensação de que seu pensamento e inexplicavelmente extraído de sua mente, como se fosse roubado.

Vivências de influência na esfera corporal ou ideativa. Aqui dois tipos de vivências de influência são mais significativos.

  • Vivências de influência corporal. São experiências nas quais o paciente sente que uma força ou um ser externo age sobre seu corpo, sobre seus órgãos, emitindo raios influenciado as funções corporais, etc.
  • Vivencias de influência sobre o pensamento. Referem-se a experiência de que algo influência seus pensamentos, o paciente recebe pensamentos impostos de fora, pensamentos feitos, postos em seu cérebro, etc. também as vivências corporais ou ideativas têm a qualidade de serem experimentadas como feitas, como impostas de fora.

Os sintomas de primeira ordem indicam a profunda alteração da relação Eu -mundo, dano radical das ‘’membranas’’ que delimitam o eu em relação ao mundo, uma perda marcante da dimensão  da intimidade. Ao sentir que algo e imposto de fora. Feito a sua revelia o doente vivencia a perda do controle sobre si mesmo, a invasão do mundo sobre seu íntimo. Esse tipo de experiência psicótica, pensamentos mais íntimos. Serem imediatamente percebidos por outras pessoas, expressa a vivencia de uma considerável ‘’Fusão’’ com mundo, um avançar terrível do mundo público sobre o privado, assim como um extravasamento involuntário da experiência pessoal e interior sobre o mundo circundante.

4.2) Sintomas de segunda ordem

Para Schneider são menos importantes para o diagnóstico de esquizofrenia. Apenas em certos contextos nos quais outros aspectos do quadro clinico e o todo da história clinica indicam esquizofrenia eles devem ser considerados contributivos para tal diagnóstico. São eles perplexidade, alterações do senso percepção excluído aqueles da primeira ordem, vivencias de influência no campo dos sentimentos, impulsos ou vontade, vivencia de empobrecimento afetivo, intuição delirante e alterações do ânimo de colorido depressivo ou maniatiforme.

 

4.3) Subtipos da Esquizofrenia

i-Paranoide – caracterizada por alucinações e ideias delirantes, principalmente de conteúdos persecutório.

ii-Catatônica – marcada por alterações motoras hipertonia, flexibilidade cerácea e alterações da vontade, como negativismo, mutismo e impulsividade.

iii-Hebefrênica – caracterizada por pensamento desorganizado do comportamento bizarro e afeto pueril.

iv-Simples – no qual, apesar de faltarem sintomas característicos, observa – se um lento e progressivo empobrecimento psíquico e comportamental, com negligência quanto aos cuidados de si higiene, roupas, saúde, embotamento afetivo e distanciamento social.

4.4) Síndrome negativa ou deficitária sintomas negativo

Os sintomas negativos das psicoses esquizofrênicas caracterizam – se pela perda de certas funções psíquicas na esfera da vontade, do pensamento, da linguagem, etc. e pelo empobrecimento global da vida afetiva, cognitiva e social do indivíduo. Os principais sintomas ditos negativos ou deficitários nas síndromes esquizofrênica são:

  1. Distanciamento afetivo

Em graus variáveis até o completo embotamento afetivo; perda da capacidade de sintonizar afetivamente com as pessoas, de demonstrar ressonância afetiva no contato interpessoal.

  1. Diminuição da vontade – (avolição) e hipopragmatismo, ou seja, dificuldade ou incapacidade de realizar ações, tarefas, trabalhos, minimamente organizados, que exijam o mínimo de iniciativa, organização e monitorização comportamental e persistência.
  2. Retração social – O paciente vai se isolando progressivamente do convívio social. Empobrecimento da linguagem e do pensamento (alogia). Diminuição da fluência verbal.
  3. Negligência quanto a si mesmo – que revela pelo descuido consigo mesmo, pela falta de higiene, por desinteresse em relação à própria aparência, própria saúde e vestimentas, etc.
  4. Lentificação e empobrecimento psicomotor – com restrição do repertório da esfera gestual e motora. O distanciamento e o embotamento afetivo, assim como retração social, correspondem, até certo ponto, ao que Eugen Bleuler (1857 – 1939) denominou Autismo do Esquizofrênico. Para Bleuler, a síndrome autística da esquizofrenia inclui, além de dificuldade ou incapacidade de estabelecer contato afetivo com outras pessoas e retração do convívio social, inacessibilidade do mundo interno do paciente, em casos externos, mutismo e comportamentos negativista, atitudes  e comportamentos rígidos, pensamento formalmente bizarro ou idiossincrático e perda de hierarquia em valores, objetos e ambições ( Parnas; Bovet, 1991).

4.5) Síndrome positiva ou produtiva sintomas positivos

Ao contrário dos sintomas negativos, que se manifestam pelas ausências e pelos déficits comportamentais, os sintomas positivos são manifestações novas, floridas e produtivas do processo esquizofrênico. Os principais sintomas positivos das síndromes esquizofrenia são:

  1. Alucinações – ilusões ou pseudo alucinações auditivas mais frequentes, visuais ou de outro tipo.
  2. Ideias delirantes – de conteúdos paranoide, autorreferente, de influência ou de outra natureza.
  3. Comportamento bizarro – atos impulsivos agitação psicomotora ideias bizarras, não necessariamente delirantes. Produções linguísticas novas como neologismos e parafasias.

4.6) Síndrome desorganizada com predomínio de desorganização mental e comportamental

Esta síndrome corresponde, de alguma forma, ao subtipo classicamente denominado esquizofrenia hebefrênica. Assim, nas formas desorganizadas de síndromes esquizofrênica, temos:

  1. Pensamento progressivamente desorganizado – de um leve afrouxamento das associações até a total desagregação e produção de um pensamento totalmente incompreensível.
  2. Comportamentos desorganizados – e incompreensíveis, particularmente comportamentos sociais e sexuais inadequados, agitação psicomotora, vestimenta e aparência bizarras.
  3. Afeto inadequado – ambivalente; descompasso entre as esferas afetivas, ideativas e volitivas.
  4. Afeto pueril – paciente reage globalmente de forma infantil, “Boboca”
  5. Paranoia – caracteriza – se, portanto, por um delírio geralmente organizado e sistematizado, às vezes com temática complexa, que permanece como que “ encistado, cristalizado, em um domino da personalidade do doente, sem compreender todo o resto. Ocorre em sujeitos com ais idade geralmente após os 40 anos, e geralmente tem curso crônico e estável. O termo moderno transtorno delirante corresponde ao que kraepelin, denominava paranoia que curiosamente, no linguajar popular é usado como sinônimo de ideias de perseguição.
  6. Parafrenias – são formas de psicose esquizofreniformes, de aparecimento tardio, em que surgem delírios, em geral acompanhados de alucinações, mas nas quais, semelhantemente à paranoia, há relativa preservação da personalidade do doente. Alguns autores consideram a Parafrenias uma forma tardia de esquizofrenia, surgindo comumente após os 45 ou 50 anos de idade (Howard; Almeida; Levy, 1994).
  7. Psicoses Breves, reativas ou psicogênicas

A psiquiatria clinica registra alguns casos de pacientes com quadros psicóticos, esquizofreniformes ou não, de surgimento agudo, com remissão rápida dias ou semanas que não causam sequelas no psiquismo do doente ou deterioração da personalidade. Um porcentagem desses casos menos 50% surge após traumas psiquismo mais o menos intensos, como um assalto, perder – se em uma floresta, um acidente de trânsito ou de trabalho, morte de parentes ou amigos queridos, etc. Nesses casos, clinicamente predominam sintomas floridos, como ideias delirantes ou deliróides em geral paranoides, alucinações visuais e/ou auditivas, intensa perplexidade, confusão mental, ansiedade acentuada e medos difusos. Pode confundir – se com transtorno de estresse pós – traumáticos ou com quadros graves de histeria alguns denominam a ocorrência de sintomas psicóticos na histeria de psicose histérica.

  1. Sintomas psicológicos – alucinação, delírio persecutório, delírio religioso, depressão, medo, paranoia, desconfiança ou ouvir vozes.

4.6) Sinais de esquizofrenia

 

  1. a) Comportamento: agitação, agressão, automutilação, comportamento compulsivo, excitabilidade, hiperatividade, hostilidade, isolamento social, movimentos repetitivos, repetição de sem sentido, comportamento desorganizado, falta de moderação ou repetição persistente de palavras ou ações.
  2. b) Cognição: amnésia, confusão mental, crença de que os pensamentos não são seus, crença de que um evento comum tem um significado especial e pessoal, delírio, desorientação, invenção de coisas, lentidão durante atividades ou transtorno de pensamento.
  3. c) humor: ansiedade, apatia, descontentamento geral, excitação, perda de interesse ou prazer nas atividades, raiva, sentindo-se separado de si mesmo, entusiasmo ou resposta emocional inadequada.
  4. d) fala: distúrbio da fala, fala circunstancial, fala incoerente ou fala rápida e frenética.

5- Teorias Familiares:Esquizofrenia genéticos ou hereditários

 

Em primeiro lugar convém fazeruma distinção entre o que é genético e o que e hereditário:

1 – Se uma doença e genética, isso quer dizer que antes de nascer uma pessoa pode ter um gene ou uma programação que a conduza em direção, mas em forma de probabilidade e não de certeza. Cada um de nós carrega genes de diferentes doenças, mas não as desenvolvemos obrigatoriamente.

Exemplo: Claro disso e o câncer de pulmão, identificado em genes de pessoas sadias não fumantes. Uma pessoa que tenha este gene teria uma predisposição acometida genética a desenvolver a doença, mas isso não quer dizer que esta pessoa vá desenvolver obrigatoriamente. De fato, não fumar, levar uma vida não estressante, enfim, se não cumprir os requisitos necessários para o desenvolvimento da doença não terá câncer no pulmão.

2 – Uma doença hereditária e uma doença genética que se transmitirá, com certeza, de uma geração a outra e, além disso, terá uma porcentagem fixa e calculada de novos casos de doença na geração seguinte.

Exemplo: de uma doença hereditária e a Coréia de Huntington. Esta doença crônica supõe um degeneração corporal e metal se passa de uma geração a outra, desenvolvendo – se em 50% dos filhos. Quer dizer que um paciente de Huntington que decide ter filho sabe. De antemão, que a cada dois filhos que nascerem, no mínimo desenvolverá a enfermidade. Até o momento, têm sido inconclusivos os estudos de afirmam; indubitavelmente, se a esquizofrenia e genética ou hereditária, embora já se tenha certeza absoluta de que a probabilidade de que filhos esquizofrênicos e maior se um dos pais for esquizofrênico e, muito maior, se ambos forem. Na população geral a esquizofrenia aparece numa de cada cem pessoas (fator de risco de 1%).

  1. Se ambos os pais sofrem de esquizofrenia o risco é de 40% – 50%.
  2. Hereditário o avô tiver quadro esquizofrênico o fator de risco sobe para 3%.
  3. Os pais ou irmão sofre de esquizofrenia o risco é de 10% – 20%.

7- CID-10

 

Alteração das funções mais básicas que dão à pessoa senso de individualidade, unicidade e de direção de si mesmo.

Eco, inserção, irradiação ou roubo do pensamento, delírios de influência, controle ou passividade vozes que comentam a ação

  1. Delírios persistentes culturalmente inapropriados

Alucinações persistentes de qualquer modalidade, sem claro conteúdo afetivo (não – cata tímicas).

Interceptação ou bloqueio do pensamento Comportamento catatônico, com flexibilidade cerácea, negativismo, mutismo etc.

Sintomas negativos empobrecimento afetivo, autonegligência, diminuição da fluência verbal, etc. Alteração na qualidade global do comportamento pessoal, perda de interesse, retração social, os sintomas devem estar presentes por, pelo menos, um mês.

  1. Sintomas Positivos

Delírios

Alucinações

Pensamento Desorganizado

7.1- Sintomas Negativos

Embotamento afetivo

Pensamento empobrecido

Falta de motivação

Isolamento social

7.4 – DSM-4

Critérios Diagnósticos

Dois ou mais dos seguintes sintomas (de 1 a 5) devem estar presentes com presentes com duração significativa por período de, pelo menos, um mês:

  1. Delírios
  2. Alucinações
  3. Discurso desorganizado
  4. Comportamento amplamente desorganizado ou catatônico.
  5. Sintomas negativos (embotamento afetivo, alogia, avolição).
  6. Disfunções sociais, trabalho e/ou no estudo denotando perdas nas habilidades interpessoais e produtivas.

Duração dos sintomas principais (de 1 a 5) de pelo menos , um mês e do quadro deficitário ( sintomas negativos, déficit funcional, etc.) por, pelo menos seis meses.

7.5 – DSM-5

 

Critérios Diagnósticos

A Dois (ou mais) dos seguintes, cada um presente durante uma parte significativa do tempo durante o período de um mês (ou menos se tratado com sucesso). Pelo menos um destes deve ser (1), (2) ou (3):

  1. Delírios
  2. Alucinações
  3. Discurso desorganizado
  4. Comportamento grosseiramente desorganizado ou catatonia
  5. Sintomas negativos (diminuição da expressão emocional ou avolia.

8- Diagnostico

Os critérios do diagnóstico da esquizofrenia, consta do DSM-TR, que são listados em uma tabela, seguido dos critérios de outros sistemas do diagnostico conforme apresentados pelos pesquisadores e estudiosos da esquizofrenia. Pg 509/510; 511/521 incluir pg,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

Os critérios incluem especificadores de curso-prognostico-que dão aos clínicos diversas opções e situações clínicos. A presença de alucinações ou delírios não são necessários para um diagnóstico de esquizofrenia. A doença é diagnosticada como tal quando o paciente exibe dois sintomas de três a critério “A”. O critério “B” requer que o funcionamento comprometido esteja presente na fase ativa da doença.

Os sintomas devem permanecer no mínimo por seis meses e ser descartado o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo* ou transtorno de humor*

8.1. Subtipos da esquizofrenia

São classificados no DSM-IV-TR – como:

  1. Esquizofrenia paranoide;
  2. Esquizofrenia desorganizada;
  3. Esquizofrenia catatônica;
  4. Esquizofrenia indiferenciada;
  5. Esquizofrenia residual;

Ambas estão baseadas na apresentação clínica, e os subtipos devem ser correlacionados com prognostico diferente; essas diferenças devem ser observadas os fatores que provocaram ou seja, desencadearam um bom ou um mau prognostico na esquizofrenia.

O CID-210 – constam nove subtipos:

  1. Esquizofrenia paranoide;
  2. Esquizofrenia hebefrênica;
  3. Esquizofrenia catatônica;
  4. Esquizofrenia indiferenciada;
  5. Depressão pós-esquizofrenia;
  6. Esquizofrenia residual;
  7. Esquizofrenia simples;
  8. Outras esquizofrenias;
  9. Esquizofrenia não especificadas;

         Para classificar o curso do transtorno são oito possibilidades, podendo variar de contínua à remissão completa.

         8.1. Outros Subtipos para o diagnostico

O Subtipo da esquizofrenia vem de longa história, aparecem em outras literaturas da saúde, bem como em outros países que não os EUA. Tais como:

1.Bouffeé delirante (psicose delirante aguda);

  1. Latente;
  2. Oniróide;
  3. Parafrenia;
  4. Esquizofrenia pseudoneurótica
  5. Transtorno deteriorante simples (esquizofrenia simples;
  6. Transtorno depressivo pós-psicótico da esquizofrenia;
  7. esquizofrenia de início precoce;
  8. esquizofrenia de início tardio.

8.2. Outros critérios de diagnósticos

         Vários clínicos e pesquisadores, tais como: Kurt Schneider, Gabriel Langfeldt, New Haven, Sistema flexível, critérios diagnósticos de pesquisa, St. Louis, Exame do Estado Atual,Tsuang e Winokur; criaram seus próprios critérios para descrever as caraterísticas principais da esquizofrenia, vale ressaltar que muitos desses critérios são utilizados em nossos dias, sendo o mais utilizado o Exame do Estado Atual.

9- Tratamento da esquizofrenia ( KARLA)

 

O tratamento consiste no controle dos sintomas com medicamentos e terapia para a reintegração do paciente, sendo necessário por toda a vida e geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e serviços de cuidados especializados.

O tratamento tem boa eficácia para fazer regredir os sintomas negativos. Em muitos casos de adultos jovens e adolescentes, é possível conseguir que eles não interrompam suas atividades e mantenham boa reintegração social, o que evita muitos danos causados pela esquizofrenia.

Passado o surto agudo, os pacientes podem beneficiar-se participando de diferentes programas que vão ajudá-lo a reintegrar-se na sociedade. São programas que incluem desde terapia cognitiva específica para transtornos esquizofrênicos a fim de ensiná-los a lidar com os sintomas e a doença, até um treinamento de profissionalização para aqueles que não conseguem retomar as atividades que exerciam antes ou treinamento em oficina abrigada para ajudá-lo a reintegrar-se na sociedade.

A esquizofrenia é um transtorno de evolução crônica. Costuma comprometer a vida do paciente, torná-lo frágil diante de situações estressantes e aumentar o risco de suicídio. Assim, exige um acompanhamento do paciente em longo prazo e que o psiquiatra faça um planejamento para segui-lo ao longo do tempo.

9.1 Abordagem Farmoterápica

 

No passado, o tratamento da esquizofrenia era precário. Hoje, houve um grande avanço farmacológico nessa área. Começou no início dos anos 1950 com a introdução do primeiro medicamento antipsicótico. Provocando um esvaziamento dos hospitais psiquiátricos que eram usados como asilos para esses pacientes no passado. De lá para cá, esses medicamentos evoluíram muito. Hoje existem medicamentos com poucos efeitos colaterais que atuam nos sintomas negativos da doença.

Essa é a questão-chave. O paciente com psicose esquizofrênica nem sempre tem consciência crítica de seu estado mórbido. Por que iria, então, tomar remédios para o resto da vida, ainda mais se têm efeitos adversos. Por isso, a principal causa de recaída da doença era o abandono do tratamento. Com o advento de novos medicamentos que são mais bem tolerados, aumentou a aderência do paciente ao tratamento e sua continuidade mesmo depois que desaparecem os sintomas.

Além disso, como qualquer doença na medicina, quanto mais precocemente começar o tratamento, melhor. Não só porque o início precoce impede que a doença provoque danos mais sensíveis na personalidade do paciente, mas também evita que ele abandone sua rotina de vida, os estudos, sua atividade profissional, preservando a estrutura socioeconômica que melhora muito o prognóstico.

Existem estudos denominados “Intervenção Precoce” que defendem o início do tratamento antes da manifestação completa da doença. Um deles está em andamento no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. As estratégias do tratamento variam conforme o paciente, sua família, a fase e a gravidade da doença.

 

9.1.2 Fase aguda

O paciente chega ao psiquiatra no momento de crise. É quando se inicia o acompanhamento psiquiátrico. Na primeira consulta é importante atender antes o paciente e depois o familiar, pois é o primeiro momento para se trabalhar o vínculo. Não importa que o paciente esteja desorganizado, desagregado, agitado ou catatônico. É a primeira oportunidade para mostrar que se está ao lado dele e não da família. O acompanhante deve ser introduzido na sala de consulta na segunda metade, para prestar esclarecimentos complementares e ser orientado sobre a conduta a ser tomada. Quando se detecta alto risco para a psicose, e existem critérios para determinar isso, prescreve-se o tratamento precoce a fim de evitar o desenvolvimento completo da doença.

 

9.1.3 Fase de estabilização

Durante a fase de estabilização, a adesão ao tratamento deve ser trabalhada em cada consulta.

O psiquiatra deve utilizar todos os recursos disponíveis para mostrar que a esquizofrenia é uma doença crônica, que necessita de tratamento por prazo indeterminado. Deve-se mostrar que não vale a pena interromper a medicação, pois cada recaída comprometerá a vida do paciente um pouco mais. Depende de cada situação, e da sensibilidade do médico em escolher o momento adequado, discutir as causas, a evolução e confrontar o delírio. A discussão e a revelação do diagnóstico só devem ser feitas quando o paciente estiver preparado e a aliança terapêutica estiver bem estabelecida. Deve-se trabalhar a conscientização e a aceitação da doença. A experiência clínica mostra que a aceitação da doença e o insight resultam em um prognóstico melhor. O objetivo final da conscientização da doença é a colaboração do paciente com o tratamento. Quando ele aceita tomar a medicação responsavelmente e busca os caminhos para sua reabilitação, as possibilidades de controle da doença aumentam. Torna-se possível, então, ajudá-lo a recuperar as habilidades sociais perdidas, diminuir seu isolamento, incentivá-lo a cuidar das atividades da vida diária (higiene, banho, alimentação, horas de sono, lazer) e até promover a volta ao trabalho. Nesse momento, o encaminhamento para abordagens psicossociais pode ser muito útil.

Abordagens psicossociais

A esquizofrenia é uma doença ampla que, além da psicopatologia, compromete a vida de relação do seu portador. Exige, em geral, o tratamento em equipe multidisciplinar. O psiquiatra deve ponderar que a abordagem exclusivamente médica não dá conta da questão. O tratamento psicossocial é imprescindível para voltar a organizar a vida do paciente. A modalidade da abordagem psicossocial deve ser escolhida de acordo com a evolução do quadro e das possibilidades do paciente.

 

Psiquiatra

Trata transtornos mentais, principalmente com medicamentos.

Psicólogo clínico

Trata transtornos mentais, principalmente com terapia pela fala.

Clínico geral

Previne, diagnostica e trata doenças.

 

9.1.4 – Medicação

 

Esses medicamentos ainda produzem alguns efeitos colaterais. A primeira geração de medicamentos, que continuam sendo usados inclusive porque são mais baratos, atua bloqueando o sistema cerebral da dopamina. Esse bloqueio simula os sintomas da doença de Parkinson, uma patologia causada exatamente pela falta de dopamina no cérebro, e ocorrem problemas motores, tremores, torcicolos violentos e rigidez muscular.

Esses efeitos colaterais mais graves da primeira geração foram amplamente abolidos com os medicamentos introduzidos na última década. São mais caros, embora não custem muito se comparados com outros métodos terapêuticos na medicina. Alguns deles provocam ganho de peso, que pode ser controlado com a troca do remédio.

A administração é cômoda, uma dose tomada por dia. Atualmente, estão sendo introduzidos antipsicóticos injetáveis, isto é, uma injeção que o paciente toma a cada duas ou quatro semanas. Isso facilita muito o tratamento e sua manutenção.

Quando há predominância de sintomas positivos e de agitação psicomotora deve-se escolher um antipsicótico de alta potência. A dose ideal deve ser tateada, sendo importante lembrar que a melhora é lenta. Deve-se evitar um rápido aumento da dose, pois o aparecimento do efeito antipsicótico é gradual. Estudos de PET (tomografia por emissão de pósitrons) e de nível plasmático mostram que a dose do antipsicótico deve variar entre 10 mg e 20 mg de haloperidol ou doses equivalentes. Nessas doses, todos os receptores ficam ocupados, e doses maiores só aumentam as possibilidades de distonias e discinesias. No primeiro surto, a dose deve ser menor ainda. Tratando-se de paciente que nunca tomou medicação antipsicótica, doses de 2 mg a 5 mg de haloperidol ou equivalentes são suficientes. Igualmente, em pacientes idosos as doses devem ser as mais baixas possíveis. Para o controle da agitação, enquanto não houver melhora pela lenta ação do antipsicótico, é melhor associar o lorazepam ou clonazepam de 2 mg/dia a 6 mg/dia, que devem ser retirados assim que haja melhora clínica. Os anticolinérgicos podem ser associados no início do tratamento para prevenir distonias agudas, que podem levar à não-adesão ao tratamento. Após a remissão do surto, com a redução da dose do antipsicótico, o anticolinérgico deve ser retirado, pois sua manutenção em longo prazo facilita a instalação da discinesia tardia. Deve-se procurar a dose mínima eficaz do antipsicótico de manutenção.

Quando há predominância de sintomas negativos, a escolha pode recair nos novos antipsicóticos: risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, amisulprida etc. Esses e a tioridazida são indicados para os pacientes que não responderam aos antipsicóticos convencionais ou apresentaram efeitos colaterais indesejáveis. Para os casos refratários, a clozapina deve ser sempre considerada.

 

9.1.5 Psicoterapia

 

Deve ter por finalidade melhorar os sintomas, prevenir as recaídas e evitar a institucionalização. Entretanto, nos momentos de crise, deve ajudar a encarar uma internação necessária como medida protetora.

Principais objetivos são:

  1. interromper a perda da capacidade mental, preservando o contato com a realidade;
  2. Restaurar a capacidade de cuidar de si e de administrar sua vida, e manter o máximo de autonomia para promover o melhor ajustamento pessoal, psicológico e social possível;
  3. diminuir o isolamento;
  4. reconhecer e reduzir a natureza ameaçadora dos eventos da vida, para os quais existe uma sensibilidade particular;
  5. conscientizar o portador sobre a realidade de seus recursos e limitações, tanto ajudando a descobrir e realizar seu potencial, quanto ajudando na aceitação de suas limitações;
  6. aumentar suas defesas diante de situações estressantes, liberando recursos que, eventualmente, estejam obstruídos pela psicose e desenvolver fontes alternativas para a solução de seus problemas;
  7. recuperar e promover a auto-estima, a auto-imagem e a autoconfiança, proporcionando contínuo progresso;
  8. estimular a independência, os cuidados consigo mesmo em questões de higiene e capacitar o paciente para as atividades da vida diária.

A psicoterapia pode ser individual ou de grupo. A psicoterapia individual deve priorizar o apoio, por se tratar o portador de esquizofrenia de pessoa com dificuldades específicas que necessitam de suporte que o capacite a obter melhora em sua qualidade de vida. Não se recomendam psicoterapias baseadas em interpretações, com várias sessões por semana e por longos anos.

Na psicoterapia de grupo, o terapeuta deve ser ativo e monitorar o ambiente do grupo. Deve buscar temas, estimular e organizar a conversação, oferecer suporte e proteção, favorecendo a coesão grupal.

Uma modalidade de psicoterapia de grupo é o grupo operativo (GO), em que o terapeuta organiza a discussão em torno dos assuntos agendados pelos próprios participantes. O GO passa a ter função psicopedagógica para capacitar o portador da doença a ficar instruído a respeito de suas limitações, ajudando-o na adaptação social e contribuindo para conciliar sua situação de doença com as posturas de convivência que o universo social requer.

A psicoterapia tem se mostrado um importante recurso terapêutico, associado ao tratamento farmacológico, na recuperação e na reabilitação do indivíduo esquizofrênico.

Os pacientes esquizofrênicos geralmente apresentam pouca condição de suportar altos níveis de tensão. Por isso, o terapeuta deve ser ativo e monitorar a expressão dos afetos no encontro terapêutico, criando, assim, um clima de compreensão, respeito e empatia. Sua fala deve ser concreta e de fácil entendimento, aproximando-se ao máximo do universo e da linguagem dos pacientes. O terapeuta deve ser habilidoso ao colocar suas intervenções para não confrontar demais ou desautorizar os pacientes.

Esses pacientes podem fazer projeções no terapeuta e distorcerem a realidade. Um terapeuta menos neutro ajudará o paciente a discriminar o que é fantasia do que não é. É mais adequado trabalhar com o momento atual, no aqui e agora, e fazer pouca investigação ou alusões ao passado. Muitos pacientes têm dificuldade em discriminar memória de fantasia.

É necessário ao terapeuta conter, compreender, processar e devolver em palavras ou atitudes o que está sendo vivenciado na sessão. Só assim haverá uma maior chance da psicoterapia ser eficaz.

Algumas intervenções possíveis do terapeuta são: afirmação, conselho, validação, encorajamento, reforço, clarificação, confrontação, elaboração e atribuição de significado.

9.1.6- Eficácia da psicoterapia

 

A eficácia da psicoterapia exige que o diagnóstico seja um passo essencial no processo. Uma avaliação e um diagnóstico cuidadosos ajudam a determinar se o paciente é adequado para a psicoterapia e, se for, qual o tipo de abordagem que lhe será de maior benefício.

Para avaliação e fornecimento de informações, é interessante que sejam feitas entrevistas individuais com cada paciente antes do ingresso numa psicoterapia. Essa prática contribui para o aumento da taxa de adesão ao tratamento.

Desse modo, devem-se considerar no paciente o diagnóstico nosológico, o grau de comprometimento e o tempo de evolução da doença, os sintomas psicopatológicos predominantes, a fase da doença, a capacidade de adaptação a situações de estresse, as circunstâncias de vida, a forma habitual de relacionar-se, as defesas predominantemente usadas, a eficácia ou não no controle e expressão dos impulsos e dos afetos, a capacidade de distinguir os sentimentos ou emoções como provenientes do seu mundo interno ou externo, a capacidade de expressão verbal, o estilo de comunicação e a existência de um tema ou área problemática que se destaque dentre outras.

 Uma família mobilizada pode contribuir estimulando o paciente, facilitando o seu acesso ao tratamento ou reforçando a sua importância.

A partir desses elementos, pode-se ter uma ideia da condição do paciente, qual sua demanda e suas necessidades primordiais, e fazer uma avaliação da capacidade de tolerância ou suportabilidade do paciente ao setting terapêutico (seja ele em grupo ou individual).

Também é necessário considerar, nas intervenções grupais. Para a formação de grupos novos é interessante buscar a maior homogeneidade possível, seja nas características individuais de cada paciente ou nas suas necessidades, para assim facilitar a coesão.

Para cada intervenção, dependendo dos seus objetivos, haverá diferentes critérios de inclusão e de exclusão. Utilizando-se o modelo tridimensional para a classificação de sintomas psicopatológicos em negativos, positivos e de desorganização, sugerimos que:

a)Pacientes com predomínio de sintomas positivos intensos podem não se beneficiar de intervenções grupais. Enquanto não haja estabilização de seu quadro clínico, com a consequente redução dos sintomas, esses pacientes, em geral, não devem ser incluídos em grupos. Uma possibilidade, nesses casos, pode ser a intervenção psicoterápica individual. O terapeuta poderá acompanhar o paciente durante sua recuperação, oferecendo suporte e continência e, posteriormente, encaminhá-lo a um grupo. Entretanto, em grupos coesos é possível a inclusão de pacientes com sintomas positivos moderados. Os outros pacientes podem funcionar como auxiliares daqueles mais sintomáticos. Um certo conteúdo psicótico, abertamente apresentado, pode ser útil para estimular debates.

  1. b) Pacientes com predomínio de sintomas negativos podem se beneficiar de grupos psicoterápicos e de intervenções individuais. É importante avaliar o grau de ameaça que o paciente sente no contato com o outro antes de encaminhá-lo a um grupo.
  2. c) Para pacientes com predomínio de sintomas de desorganização, são mais indicadas intervenções em terapia ocupacional.

Pacientes estáveis com razoável controle dos sintomas podem se beneficiar de diferentes formas de intervenções psicoterápicas. O enfoque poderá estar na recuperação das habilidades sociais, na aceitação da doença, na diminuição do isolamento, no desenvolvimento emocional, no resgate da história individual, entre outros. Os vários objetivos poderão se distribuir em diferentes tipos de intervenções individuais e grupais, como por exemplo, grupos operativos, grupos interpessoais, psicoterapia individual, terapia ocupacional individual ou grupal. A psicoterapia grupal pode combinar-se à psicoterapia individual em diferentes momentos no decurso do tratamento. Os efeitos terapêuticos de uma abordagem adicionam-se à outra e amplificam-se.

É recomendado, portanto, que a equipe terapêutica organize um plano de tratamento moldado para cada paciente.

 

9.1.7 -Terapia ocupacional

É uma terapia centrada em atividades. A atividade não deve ser encarada como tendo função meramente recreativa. Sua finalidade é recuperar a capacidade de voltar a fazer algo e combater a falta de vontade. É indicada para aquelas pessoas que estão em estado de desorganização, isoladas e com a vontade comprometida. A atividade faz com que a pessoa se organize e possa desenvolver sua criatividade. Não se trata meramente de fazer uma tapeçaria, uma peça de cerâmica ou um desenho. Trata-se de concluir uma tarefa objetiva, propiciando à pessoa a constatação concreta de que ela tem capacidade para executá-la.

9.1.8 Acompanhante terapêutico

Nessa abordagem, o acompanhante terapêutico (às vezes designado como “amigo qualificado”) é um profissional de saúde mental que vai ajudar o portador a recuperar habilidades perdidas, acompanhando-o em seu dia-a-dia. O acompanhante vai à casa da pessoa, sai com ela, vai ao shopping, ajuda-o a voltar a dirigir etc. É uma atividade “corpo a corpo”, em que as inadequações são denunciadas até mesmo vivenciando, em conjunto, situações de constrangimento e de vergonha. Tem a finalidade de ajudar o portador a locomover-se pela cidade, estar inteirado dos preços, buscar o lazer. O acompanhante terapêutico ajuda a pavimentar o caminho para a volta à realidade. Em circunstâncias especiais, a atuação do acompanhante terapêutico pode prestar-se, em fases críticas, como uma alternativa viável a eventuais internações.

9.1.9- Orientação familiar

Toda doença crônica dificulta a vida do portador e sua relação com a família. Se de um lado é importante a conscientização do portador da doença para que tenha os meios para combatê-la, por outro, se a família não for igualmente conscientizada, os choques serão inevitáveis. Estudos internacionais mostram que as recaídas são mais freqüentes quando o ambiente familiar é estressante. Assim, as intervenções definidas como programas de tratamento psicopedagógico das famílias têm a finalidade de diminuir as tensões presentes no ambiente familiar e de melhorar o funcionamento social do portador. Há programas familiares que são realizados com a presença conjunta dos portadores e dos demais membros da família, enquanto outras metodologias propõem a realização de programas de orientação aos familiares sem a presença conjunta dos portadores. Em ambos os casos, esses programas são orientados para os seguintes objetivos principais:

  1. reduzir o custo da doença (por exemplo, uma família bem orientada contribui para reduzir as possibilidades de recaídas e reinternações);
  2. orientar a família sobre o programa medicamentoso e de atividades da vida diária;
  3. ajudar o portador a colaborar com o tratamento e a assumir responsabilidades, dentro do possível;
  4. verificar se está havendo resposta ao tratamento e comunicar as mudanças que surgirem;
  5. estar informado sobre os sinais e os sintomas precoces de recaídas;
  6. encorajar o portador a tornar-se independente, para suprir suas necessidades básicas como casa, comida e dinheiro;
  7. familiares muito exigentes devem ser orientados a serem menos exigentes;
  8. familiares ausentes devem ser orientados para serem mais participantes.

9.1.9 – Abordagem psicossocial em instituições

A evolução dos medicamentos antipsicóticos transformou o tratamento da esquizofrenia de hospitalar em ambulatorial. No entanto, em determinados momentos de crise a internação ainda pode ser útil. Caso seja necessária, a internação deve ser em curto prazo. Em geral, de 15 a 30 dias são suficientes para controlar os sintomas mais evidentes. Nesse período, é importante que a família fique em contato com o doente, leve-o para casa nas licenças de fim de semana e assim que receba alta. Em alguns casos, nos momentos críticos, o hospital-dia pode ser uma alternativa à internação hospitalar.

Após a alta hospitalar, igualmente, há casos em que o hospital-dia pode ser uma boa alternativa até a remissão completa do surto. A recuperação vai sendo alcançada com a internação parcial. O doente fica durante o dia em atividades de grupo ou terapia ocupacional e, à noite, volta para casa. A alta do hospital-dia pode ser realizada de maneira gradual, com a diminuição do número de dias frequentados por semana. A família é orientada para a sequência dos passos até a remissão do surto e a volta do equilíbrio na vida familiar.

Os centros de atenção psicossocial (CAPS) ou os núcleos de atenção psicossocial (NAPS), centros de convivência e algumas associações de portadores e familiares estão organizados para atividades de reabilitação social do portador.

 

9.1.10 –  Grupos de auto-ajuda

Ao longo da vida, grupos de auto-ajuda como os Psicóticos Anônimos (PA) e os Amigos e Parentes dos Psicóticos Anônimos (APPA) contribuem para que os portadores e seus familiares troquem experiências, encontrem-se, apóiem-se e busquem alternativas para melhor conviver com a doença.

Para as pessoas nas quais a doença teve uma evolução mais crônica são indicadas pensões protegidas e/ou oficinas de trabalho protegidas.

Essas últimas modalidades de equipamentos sociais mencionadas são essenciais e imprescindíveis para a melhor qualidade de vida de parcela significativa dos portadores de esquizofrenia. Constituem-se como recursos indispensáveis para se atingir o ideal de que as internações hospitalares ou em hospital-dia sejam reservadas apenas para situações efetivamente críticas

Por meio de abordagens educativas, suportivas, interpessoais ou dinâmicas, visa-se recuperar o indivíduo no nível psíquico, interpessoal e social.

9.1.11 Grupo de apoio

Um fórum para aconselhamento e troca de experiências entre pessoas com uma condição ou objetivo similar, como depressão ou perda de peso.

9.1.12- Reabilitação Neuropsicológica

Readaptação do raciocínio para melhorar o funcionamento físico e mental depois de uma doença ou lesão como, por exemplo, depois de uma pancada na cabeça (concussão).

9.1.13- Terapia cognitiva

Psicoterapia que se concentra na substituição de pensamentos negativos e distorcidos por pensamentos positivos e precisos.

9.1.14 -Psicoeducação

Aprendizado sobre saúde mental que também serve para apoiar e valorizar pacientes e dar autonomia a eles.

9.1.15- Terapia familiar

Aconselhamento psicológico que ajuda as famílias a resolverem conflitos e terem uma comunicação mais eficaz.

9.1.16- Terapia comportamental

Terapia que tem como foco a modificação de comportamentos prejudiciais associados a um distúrbio psicológico.

9.1.17- Terapia de grupo

Psicoterapia na qual o terapeuta trabalha com clientes em grupo, em vez de individualmente.

 9.1.18- Objetivos da psicoterapia

 1-Oferecer continência e suporte.

2-Oferecer informações sobre a doença e modos de lidar com ela.

3-Restabelecer o contato com a realidade. O paciente deve ser capaz de reconhecer experiências reais e diferenciá-las das alucinatórias ou delirantes. Isso pode ser alcançado por meio do teste de realidade, feito pela intervenção direta do terapeuta ou pelos próprios pacientes no caso da psicoterapia de grupo.

4-Integrar a experiência psicótica no contexto de vida do paciente, ou seja, dar um sentido à experiência psicótica.

5-Identificar fatores estressores e instrumentalizar o paciente a lidar com os eventos da vida. Os fatores desencadeantes de crises estão intimamente relacionados com as recaídas e o prognóstico da doença. Discutir formas de suportar, modificar ou compreender melhor as situações vividas pelos pacientes, com algumas estratégias na busca de solução de problemas.

6-Desenvolver maior capacidade de diferenciar, reconhecer e lidar com diferentes sensações e sentimentos.

7-Crescimento emocional associado à mudança nos padrões de comportamento, resultando em melhora na qualidade de vida e na adaptação social fora do setting terapêutico.

8-Conquista de maior autonomia e independência.Aumentando-se a capacidade de gerenciar a própria vida, melhora-se também a auto-estima.

9-Diminuição do isolamento. Outro sintoma proeminente nos pacientes esquizofrênicos é o autismo. Em geral, esses pacientes apresentam pouca possibilidade de troca e de registro de experiências negativas no contato com as pessoas – geralmente paranóides. A oportunidade de experimentarem contatos positivos, individualmente ou em grupo, pode possibilitar a diminuição do autismo.

10-Observação dos pacientes. Pode-se observar, durante o processo psicoterápico, o funcionamento e o comportamento dos pacientes – de esquiva, de inibição, de desconfiança ou de inadequação – como também, a presença de sintomas psicopatológicos – delírios, alucinações, auto-referência, depressão, entre outros. Essa observação pode ajudar o clínico na avaliação de determinado paciente. É mais aconselhável que a consulta clínica seja realizada por um psiquiatra que não seja o terapeuta do paciente. O que modifica as características dos diferentes tipos de intervenção será a ênfase dada a um ou outro objetivo.

 

10- PROGNÓSTICO.

A mortalidade na esquizofrenia é outra dimensão importante do prognóstico que não pode ser negligenciada. Altas taxas de mortalidade entre pacientes esquizofrênicos, comparadas às taxas da população geral, têm sido relatadas, sendo as taxas de suicídio particularmente altas, cerca de 20 vezes maiores que as observadas na população geral. Essas taxas altas foram atribuídas às condições de vida precárias encontradas nos asilos, e atualmente parecem estar associadas com o processo de transferência do cuidado para a comunidade, onde muitos pacientes não têm suporte social adequado, como habitação, renda e cuidado da saúde, e estão mais expostos ao abuso de substâncias. Os dados sobre mortalidade podem ajudar a identificar grupos de alto risco, a monitorar mudanças nos modelos de tratamento e de cuidado ao longo do tempo, a planejar estratégias de intervenção para prevenir mortes prematuras e a avaliar sua eficácia.

A investigação do prognóstico da esquizofrenia é fundamental para a prática clínica, para o planejamento de serviços de saúde e para a pesquisa científica.

Não há atualmente nenhuma cura conhecida para a esquizofrenia e uma recuperação completa da esquizofrenia é incomum, com o somente aproximadamente 15% que retornam às capacidades de funcionamento precedentes. Contudo, a esquizofrenia é uma doença incurável, embora as diversas formas de tratamento proporcionem um controle muito efetivo dos sintomas. A personalidade do paciente fica alterada após cada surto da doença ou se altera gradativamente nos casos de curso insidioso.

Após o prognóstico da esquizofrenia tem ou não uma estabilidade da doença?

Depois de alguns anos de doença e com o avançar da idade do paciente, a esquizofrenia se estabiliza, tendendo a não ocorrerem novos surtos ou a não mais evoluir.

 

11-  Abordagem Psicológica

Tratamento psicológico para esquizofrenia como oferece a psicoterapia  é usada como um complemento a um bom plano de medicamentos, podendo ajudar a manter o indivíduo em sua medicação, a aprender habilidades sociais necessárias e a se apoiar nas metas de atividades em sua comunidade.

Isso pode incluir aconselhamento, confiança, educação, modelagem, fixação de limites e teste de realidade. Incentivos na criação pequenas metas e alcançá-las também podem ser muito úteis.

As pessoas com esquizofrenia têm muita dificuldade em realizar habilidades comuns, como cozinhar e higiene pessoal, bem como a comunicação com outros membros da família e do trabalho. A psicoterapia pode ajudar essa pessoa a recuperar a confiança para cuidar de si e viver uma vida mais plena.

A psicoterapia pode diminuir significativamente as taxas de recaída da pessoa esquizofrênica. Isso porque o tratamento estimula a família a convoca uma reunião, sempre que surge um problema com o paciente, a fim de discutir e especificar a natureza exata do problema, para listar e considerar soluções alternativas e selecionar e implementar a melhor estratégia consensual.

12- Os pacientes esquizofrênicos geralmente apresentam pouca condição de suportar altos níveis de tensão. Por isso, o terapeuta deve ser ativo e monitorar a expressão dos afetos no encontro terapêutico, criando, assim, um clima de compreensão, respeito e empatia. Podem-se sugerir temas, estimular a participação e organizar a conversa, ou seja, coordenar ativamente a sessão. Sua fala deve ser concreta e de fácil entendimento, aproximando-se ao máximo do universo e da linguagem dos pacientes. Algumas intervenções possíveis do terapeuta são: afirmação, conselho, validação, encorajamento, reforço, clarificação, confrontação, elaboração e atribuição de significado.

O processo de interpretação é um caso especial de atribuição de significado. Ele tem, geralmente, o sentido de tornar conscientes pensamentos e sentimentos que, anteriormente, eram inconscientes. Os grupos terapêuticos não são tão eficazes como as sessões individuais na revelação de processos emocionais inconscientes. Na psicoterapia de pacientes esquizofrênicos, as interpretações são mais úteis quando se referem a sentimentos que estão obviamente presentes (como os inferidos diretamente de expressões faciais ou gestos), mas que não estão acessíveis à percepção consciente do indivíduo. A interpretação da transferência deve ocupar um pequeno espaço no tratamento. O terapeuta deve ser habilidoso ao colocar suas intervenções para não confrontar demais ou desautorizar os pacientes.

Esses pacientes podem fazer projeções no terapeuta e distorcerem a realidade. Um terapeuta menos neutro ajudará o paciente a discriminar o que é fantasia do que não é. É mais adequado trabalhar com o momento atual, no aqui e agora, e fazer pouca investigação ou alusões ao passado. Muitos pacientes têm dificuldade em discriminar memória de fantasia.

É necessário ao terapeuta conter, compreender, processar e devolver em palavras ou atitudes o que está sendo vivenciado na sessão. Só assim haverá uma maior chance da psicoterapia ser eficaz.

Uma outra tarefa importante do terapeuta é a de estar atento para oferecer a intervenção adequada àquele determinado tipo de paciente, naquela determinada fase da doença.

 12- Condutas terapêuticas (rodrigo)

As principais características dos programas de intervenção que têm mostrado sucesso incluem: elementos de educação sobre a esquizofrenia; atitude positiva dos terapeutas em relação à família; foco da intervenção nos problemas atuais da família (procurando auxiliá-la a negociar soluções ou adotar novas formas para lidar com os problemas); e reconhecimento junto à família da importância da medicação no tratamento. Podem ser utilizadas várias estratégias de intervenção, como componentes psico-educacionais, uso de técnicas cognitivo-comportamentais, técnicas de resolução de problemas que visam a redução das tensões na família e aprimoramento das estratégias para lidar com situações difíceis.

Kuipers escreveu um guia prático para o trabalho com familiares de pessoas com esquizofrenia que sugere como abordar os problemas práticos e algumas questões emocionais comuns a esse grupo de familiares. Os programas com os familiares devem ser dirigidos às pessoas que convivem mais diretamente com o membro doente, em geral, pais, irmãos, cônjuges e filhos. Procuram-se oferecer formas de atendimento que permitam a participação de todos os familiares que convivem com o membro doente, a fim de se obter uma perspectiva ampla sobre os problemas da família, as distintas visões dos familiares sobre a situação do membro doente e as possíveis soluções dos problemas atuais da família. As necessidades da família devem ser avaliadas antes do início de qualquer programa de intervenção. Esse processo visa identificar os problemas específicos da família que deverão ser abordados durante o tratamento, e introduzir o modelo colaborativo e de resolução de problemas desde o início.

Após o engajamento da família, inicia-se a intervenção com o programa de educação. Familiares e pacientes têm direito à informação sobre a situação que estão vivendo e também a esclarecer as suas dúvidas sobre essa situação. O material utilizado nessa fase pode ser impresso. É importante que se crie um ambiente informal e que o terapeuta tenha conhecimento dos sintomas do paciente. Mesmo que os familiares apresentem ideias aparentemente absurdas sobre a esquizofrenia, elas devem ser respeitadas e discutidas por todos, sem que o terapeuta imponha uma visão oficial. Durante essa fase do tratamento, procura-se discutir com os familiares o que se conhece e o que não se conhece sobre a esquizofrenia, incluindo questões sobre o diagnóstico e prognóstico, principais sintomas e comportamentos de indivíduos com esquizofrenia, a importância do tratamento farmacológico, as perspectivas de duração do tratamento e a importância da família para o tratamento.

É importante deixar claro que aquilo que se sabe atualmente sobre a esquizofrenia limita ponderações sobre a etiologia da doença em casos individuais. Espera-se que, com as informações oferecidas, os familiares passem a identificar e entender que alguns comportamentos do parente doente devem-se à doença. Podem assim tornar-se mais tolerantes às mudanças no estado mental e funcionamento cotidiano do membro doente, e mais realistas quanto à duração do tratamento. Mesmo quando não são atingidos esses objetivos amplos, o programa de educação dos familiares é importante para facilitar o engajamento dos mesmos na terapia, promover uma relação de confiança com os profissionais e criar uma atmosfera em que o otimismo prevaleça. O programa de educação, apesar de geralmente acontecer no início da intervenção com os familiares, é apenas o começo do processo de educação que deverá acontecer continuamente durante todo o tratamento.

Após o programa de educação, iniciam-se as sessões com a família. Nesse processo, as dificuldades de comunicação da família serão apontadas pelo terapeuta quando existirem, e a melhora da comunicação será um dos tópicos tratados para que os objetivos da família sejam alcançados. As sessões podem seguir o formato da terapia cognitivo-comportamental na qual, no início da sessão, elabora-se uma agenda de trabalho colaborativo com todos os participantes, e se trabalha especificamente com alguns problemas escolhidos, utilizando técnicas como a de solução de problemas. No final da sessão, procura-se estabelecer alguma tarefa importante para um ou mais familiares realizarem sem o terapeuta. Nessas sessões, deve-se procurar conhecer as visões e os sentimentos de todos os membros da família sobre o tema em questão, inclusive, se estiver no local, do familiar doente. Respostas emocionais dos membros da família sobre a situação com o membro doente, como culpa, perda, raiva e depressão, geralmente surgem nas sessões. Famílias nas quais o parente com esquizofrenia é casado ou tem filhos pequenos podem apresentar questões específicas, como problemas do relacionamento do casal ou dificuldades das crianças em entender os problemas relacionados à doença.

Em vez de sessões individuais com famílias, o terapeuta pode organizar o tratamento com grupos de familiares, em que os pacientes não participam. Uma vantagem dos grupos é a ajuda de outros familiares que convivem ou já conviveram – dependendo da fase da doença do seu parente – com problemas semelhantes, sendo possível encontrar uma gama maior de soluções para os problemas de uma determinada família. A principal desvantagem do tratamento em grupo é que as interações da família com o paciente não podem ser observadas e assuntos íntimos muitas vezes deixam de ser discutidos. O ideal é que os familiares participem ao mesmo tempo de sessões apenas com os membros do seu grupo familiar e de sessões com outras famílias.

Estudos têm mostrado que intervenções breves com familiares, que incluam apenas estratégias educativas, podem resultar em mudanças sobre a quantidade de informação que os familiares têm sobre a esquizofrenia, mas muitas vezes não reduzem por um longo período as perturbações emocionais e a sobrecarga dos familiares, e não alteram a influência do ambiente familiar no curso da esquizofrenia. Porém, intervenções psicossociais que incluem, além do programa de educação, outras estratégias como as descritas neste artigo, têm se mostrado eficazes na prevenção de recaídas de indivíduos com esquizofrenia, independentemente da utilização da medicação. Além disso, os familiares geralmente aprovam estas intervenções, o que sugere que as mesmas também têm sua eficácia no que diz respeito à melhora da qualidade de vida de toda a família.

 

12.1 Teorias terapêuticas familiares

 

 As intervenções psicossociais com familiares de indivíduos com esquizofrenia se desenvolveram a partir de estudos que mostraram que a presença de um membro com esquizofrenia na família está relacionada à sobrecarga em diversos aspectos da vida da família e seus membros, como os relacionamentos, lazer, saúde física e mental. Também foram importantes estudos que mostraram que o clima afetivo familiar crítico, hostil e de alto envolvimento emocional pode afetar negativamente o curso da doença. Mais recentemente, observou-se que quanto maior o sentimento de sobrecarga relatado pelos familiares, maiores as chances dos mesmos serem críticos, hostis e muito envolvidos emocionalmente com o membro doente.

 As intervenções psicossociais se baseiam em alguns pressupostos sobre a etiologia da esquizofrenia e sobre o papel dos familiares em relação ao início e desenvolvimento da doença. Assim, a esquizofrenia é vista como uma doença que pode se manifestar em indivíduos biologicamente vulneráveis, nos quais um ambiente afetivo familiar pode colaborar para o início da doença ou para recaídas. No entanto, a família não é responsável ou culpada pela ocorrência da doença. Procura-se, ao contrário, reconhecer as dificuldades que a família passa a ter com a presença de um membro com grave incapacitação mental. Outra característica das intervenções familiares psicossociais é a ênfase no trabalho colaborativo entre familiares e profissionais, compartilhando, por exemplo, informações sobre a doença ou discutindo conjuntamente os objetivos e tarefas durante o tratamento. As intervenções psicossociais são parte do tratamento do familiar com esquizofrenia e devem ser planejadas conjuntamente com o tratamento medicamentoso e outros atendimentos clínicos específicos. Katsching&Konieczna nomearam estas intervenções como “trabalho com familiares”, pois suas estratégias apresentam características da terapia familiar (quando, por exemplo, procuram modificar atitudes e comportamentos críticos ou hostis dos familiares em relação aos pacientes) e características dos grupos de auto-ajuda (quando, por exemplo, é oferecida ajuda prática aos familiares para que eles lidem melhor com os problemas diários que envolvem os pacientes). Há características também dos grupos de auto-ajuda, quando, por exemplo, é oferecida ajuda prática aos familiares para que eles lidem melhor com os problemas diários que envolvem o paciente.

13- Cinco questões para responder referente a pesquisa.

1-  A esquizofrenia é um transtorno que a pessoa não sabe diferenciar a realidade é o imaginário. Vive uma real fantasia que são acometidos por dois sintomas: DELÍRIO E ALUCINAÇÃO. Justifique-os.

2- Descreva qual a eficácia da PSICOTERAPIA no tratamento da esquizofrenia.

3- A esquizofrenia é uma doença que acomete em qual porcentagem da população?

(  ) 1%    (  ) 15%   (  ) 50%   (  ) 98%

4- Qual a importância dos antipsicóticos no paciente esquizofrênico?

5- A esquizofrenia pode aparecer em pessoas que nunca apresentou comportamentos diferentes?

(  ) sim.                  (  ) não.

Referencias Bibliográficas

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Aquisição e desenvolvimento da linguagem com espectro do autismo.

          Alunos: RODRIGO ALVES TRINDADE, DAYANE FERNANDES RIBEIRO DE SOUSA, ANNA GABRIELA BRAZ DA SILVA, VIVIAN FREITAS,ANA CLÁUDIA

 

INTRODUÇÃO:

 

            O presente trabalho visa responder o seguinte problema “Como se dá o desenvolvimento da linguagem na criança com autismo?”.

            Partindo da hipótese de que o processo de aquisição de linguagem da criança com autismo tem sido descrito em termos de défices e analisado de forma individual. Esse trabalho objetivou analisar a aquisição da linguagem de uma criança com diagnóstico de síndrome autística. Este desenvolvimento é resultante da interação entre suas capacidades potenciais e a influência de seu ambiente.

            Por fim partimos do objetivo de que a presente pesquisa propõe avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na criança com o espectro do autismo. O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo. Deste modo, iremos procurar entender e avaliar de perto esse transtorno, onde o aspecto principal avaliado será a aquisição da linguagem.

JUSTIFICATIVA

Visto que as criança que possuem essa patologia acabam sendo excluídas da sociedade pela sua dificuldade de interação e afetividade, verificou – se a importância da mudança nas práticas interativas com essas crianças, passando a considerar a criança com autismo como um sujeito que está imerso nas praticas sociais.

OBJETIVO GERAL

Avaliar a aquisição e desenvolvimento da linguagem na com espectro do autismo.

 

 

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

  1. Identificar a dificuldade da interação verbal da criança autista.
  2. Buscar verbalização através da introdução de objetivos desenhos, jogos interativos e visuais, etc.
  3. Verificar a afetividade da criança no contexto familiar e escolar.
  4. Investigar se os pais estão incentivando a criança e falar.
  5. Verificar se os pais tem um dialogo freqüentes com os filhos.
  6. Investigar se existe um apoio familiar para com a criança autista.
  7. Desenvolver mecanismos que estimule a criança autista na codificação de linguagem através da músico – terapia sons e tons leitura de áudio.

 

 

METODOLOGIA

 

          Essa pesquisa apresenta – se a partir de um estudo de caso onde o sujeito pesquisado será uma criança com diagnósticos de síndrome de autismo com dificuldade na aquisição da linguagem.

Participantes: crianças diagnosticadas com síndrome de autismo

  • Critérios de inclusão: Crianças autistas de 03 á 05 anos de idade, sexo, feminino e masculinos, que apresentem dificuldades de aquisição da linguagem: classe socioeconômica B,C e D.
  • Critérios de exclusão: crianças que tenham alguma outra comorbidade transtorno ou deficiência intelectual .

Instrumentos

 

  • Termo de livre esclarecimento.
  • Crachá identificação da Faculdade
  • Prancheta com folhas A4, para anotações
  • Lápis preto.

 Procedimentos

 

  • Conversaremos com pais e com funcionários da escola, para sabermos como é o comportamento e o desenvolvimento da criança .
  • Observaremos a criança em sua casa e em seu ambiente escolar, pelo período de dois dias
  • Após a observação será feito um relatório, com base nos dados e anotações colhidas nos dias da observação, onde analisamos tudo o que foi observado.
  • Depois da analise de método de observação naturalístico, orientar e estabelecer por meio de contingências e condicionamento no comportamento da criança autista.
  • Estabelecer estímulos de Condicionamento respondente e o operante.
  • Usaremos métodos de modelação de comportamento, estabelecer desenvolvimento de comportamento apreendido pela criança autista por observação de comportamento de outra pessoa.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

            O desenvolvimento da linguagem se dá durante os primeiros anos de vida e a própria linguagem em si, em todos os seus aspectos, acompanha praticamente todas as atividades do ser humano ao longo de sua vida.

            Para Geraldi (1995), a linguagem é fundamental ao desenvolvimento de toda e qualquer pessoa humana. Ela permite aos sujeitos compreender o mundo e nele agir, e  desta maneira é a forma mais usual de encontros, desencontros e confrontos de posições, porque é por ela que estas posições se tornam públicas.

O autismo, chamado de Síndrome (conjunto de sintomas) por ainda não ter uma causa específica definida. Foi primeiro classificado em 1943 por Leo Karner. Hans Asperger pesquisou e em 1944 classificou a Síndrome de Asperger, um dos espectros mais conhecidos do Autismo, um autismo brando.

Ainda não se tem uma causa específica, mas há várias suspeitas de possíveis causas e as pesquisas não param.

É um transtorno do desenvolvimento, que manifesta-se antes dos três anos de idade e compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação 13 (fala e entendimento) e o convívio social, apresentando em muitos casos um retardo mental, mutismo ou importantes atrasos no desenvolvimento da linguagem.

Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intacta, outras parecem fechadas, distantes, presas a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento. A maioria das crianças não fala e, quando falam é comum a ecolalia (repetição de sons ou palavras), inversão pronominal etc.

O comportamento delas é constituído por atos repetitivos e estereotipados; não suportam mudanças de ambiente e preferem um contexto inanimado. Possui uma capacidade inata de estabelecer relações afetivas, bem como para responder aos estímulos do meio. Recentes estudos apontam a contaminação por mercúrio (Thimerosal) e ou metais pesados como possíveis causas. Em alguns países já é proibido o uso de vacinas com Thimerosal e outros agentes portadores de mercúrio na fabricação de vacinas. Os critérios de diagnósticos mais aceitos são avaliações completas com base na DSM IV (da Associação Americana de Psiquiatria) ou CID 10 (publicado pela Organização Mundial de Saúde).

No que se refere à linguagem, em 50% dos casos de Kanner, ela estava completamente ausente aos 5 anos; esta mudez caminha ao lado de uma pobreza de comunicação gestual: a criança autista serve-se, algumas vezes, do adulto para obter o que deseja; está aí, sem dúvida, um esboço de comunicação, mas não existe, de maneira alguma, a troca gestual viva e comunicante da criança deficiente auditiva. Algumas crianças autistas apresentam um esboço de linguagem, que surge entre 4 e 5 anos que, mais freqüentemente, é reduzido a algumas palavras deformadas.

As deformações são as mesmas que surgem habitualmente no início da instalação de uma linguagem normal. Este distúrbio de linguagem pode, naturalmente, ser distinguido dos déficts funcionais banais, em razão do contexto clínico: nestas formas de autismo, a etiologia psicótica não é colocada em dúvida. A aparição da linguagem ocorre em circunstâncias muito diversas. A criança autista pode, ao redor dos 5 anos, sair de seu silêncio e emitir sons verbais análogos às primeiras “palavras” da idade de um ano, quer sem um incidente novo, quer após um movimento emocional. Geralmente, é uma linguagem embrionária.

  1. a) Esta criança descobre suas possibilidades motoras bucais: assoprar, beijar, cuspir: verdadeiro prazer motor, que se acompanha da emissão de sons subseqüente. Ela exprime, então, por meio de gritos ou risos seu desprazer ou sua alegria; depois, esboços de palavras substituem os sons. Outra descobre o canto; outra, os gritos dos animais. Acontece da aprendizagem da escrita ser a primeira possível e desencadear na criança o desejo de designar em voz alta o que o adulto lhe comunica; parece, neste caso, que o símbolo escrito conforta a criança e dá a ela a “permissão” de chegar à linguagem oral. Estes primeiros esboços de linguagem (palavras de uma ou duas sílabas adulteradas) coincidem, frequentemente, com a aquisição de atividades motoras (salto, corrida) ou de um comportamento alimentar mais autônomo, com a tomada de consciência do esquema corporal e a possibilidade de se reconhecer no espelho. É nisto que uma educação psicomotora, associada algumas vezes a sons de instrumentos que acompanham as tentativas de expressão rítmica, pode mostrar-se benéfica.
  2. b) A ecolalia é muito freqüente; Kanner insistiu particularmente nisso: a criança repete passivamente palavras e frases que ouviu, mas o que ela diz não tem relação com a situação vivida Ela não olha o interlocutor: não é uma verdadeira comunicação verbal. Freqüentemente, estas repetições ecolálicas exprimem as 29 proibições do adulto: “é proibido”, “não pode”. Muito peculiares à criança psicótica são os discursos ecolálicos retardados, produzidos horas e dias depois do adulto ter falado: acreditava-se que a criança não estivesse ouvindo e se é surpreendido, ao escutá-la, muito mais tarde, redizer o que havia sido dito, quando ela está sozinha ou diante de qualquer um, sem que isto tenha qualquer sentido.

            A linguagem é, assim, dialógica por natureza; é vista como ação, como um trabalho do sujeito sobre a língua visando à significação. Através do processo de aquisição, a criança se constitui como sujeito da linguagem e, ao mesmo tempo, constrói o seu conhecimento do mundo sempre por intermédio do outro. Nesse processo, a criança tem um papel ativo, na medida em que a construção do conhecimento é vista como uma relação sujeito/objeto, que se evidencia a partir de um processo de objetivação solidário em direção a um processo de subjetivação, enquanto tomada de perspectiva do sujeito, operando um determinado fenômeno (De Lemos, 1982).

            Para Fernandes (2006), a partir dos dois anos de idade a criança passa a diferenciar perguntas de não-perguntas e também passa a ajustar suas respostas. Essa participação nas trocas verbais requer habilidades conversacionais básicas como capacidade de iniciar e interagir e de responder apropriadamente e manter a interação.

            A questão da dificuldade de interação é um sintoma da síndrome autística que vem sendo descrito na literatura desde o descobrimento dessa síndrome por Kanner, em 1947. As crianças com autismo estudadas pelo autor apresentavam falha no contato afetivo, obsessividade na manutenção da rotina e movimentos repetitivos, sendo que algumas delas não desenvolviam fala, e as que o faziam não apresentavam intenção de se comunicar. Kanner (1947) afirma que o retraimento social é, frequentemente, acompanhado da impossibilidade da criança de desenvolver linguagem de maneira funcional, ou seja, ela consegue pronunciar palavras, mas não apreende conceitos.

            Existem vários tipos de autismo, entretanto, cada síndrome com a sua nomenclatura especifica:

  • AUTISMO CLÁSSICO: Caracterizada por problemas com a comunicação, interação social e comportamentos repetitivos, autismo clássico é tipicamente diagnosticado antes dos três anos. Sinais de alerta incluem o desenvolvimento da linguagem atrasada, falta de apontador ou gesticulando, mostrando falta de objetos, e auto estimulação comportamento como balançar ou bater as mãos. Na maioria dos casos, a doença provoca atrasos significativos no desenvolvimento e os pais ou cuidadores notar que há algo acontecendo durante os anos da criança. No entanto, em casos de alto grau de funcionamento, a criança pode ser ter cinco anos de idade ou mais, antes que ele ou ela receba um diagnóstico.
  • AUTISMO CLÁSSICO DE ALTO FUNCIONAMENTO A GRAVE OU DE BAIXO FUNCIONAMENTO: Autismo de alto funcionamento envolve sintomas como competências linguísticas em atraso ou não funcional, comprometendo o desenvolvimento social, ou a falta da capacidade de “role play” com os brinquedos e fazer outras atividades lúdicas que as crianças imaginativas  neurotípicas fazem. No  entanto, as   pessoas  com  autismo  de  alto   funcionamento  tem um QI na faixa normal e podem exibir nenhum do comportamento compulsivo ou autodestrutivo, muitas vezes visto em autismo de baixo funcionamento.
    Autismo de baixo funcionamento é um caso mais grave da doença. Os sintomas do autismo são profundos e envolvem déficits graves em habilidades de comunicação, habilidades sociais pobres, e movimentos repetitivos estereotipados . Geralmente, o autismo de baixo funcionamento está associado com um QI abaixo da média.
  • SÍNDROME DE ASPERGER: Apesar de não ser incluída como um diagnóstico separado na última revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), muitas pessoas têm sido marcadas com Síndrome de Asperger. Este tipo de autismo de alto funcionamento tem algumas características distintas, incluindo excepcionais habilidades verbais, problemas com o jogo simbólico, problemas com habilidades sociais, desafios que envolvam o desenvolvimento da motricidade fina e grossa, e intensa, ou mesmo obsessivos interesses especiais.
    Síndrome de Asperger se diferencia do autismo clássico em que não implica qualquer atraso de linguagem significativo ou prejuízo. No entanto, crianças e adultos com Asperger pode encontrar no uso funcional da linguagem, um desafio. Por exemplo, eles podem ser capazes de rotular milhares de objetos, mas podem lutar para pedir ajuda usando um desses itens.
  • TRANSTORNO INVASIVO DO DESENVOLVIMENTO – SEM OUTRA ESPECIFICAÇÃO (PDD-NOS): é outro transtorno do espectro do autismo, que não mais realiza um diagnóstico oficial separado no DSM-V. Em vez disso, profissionais de saúde mental irão diagnosticar esses indivíduos com autismo de alto funcionamento ou de baixo. Também conhecido como autismo atípico, PDD-NOS envolve alguns, mas não de todas as características clássicas de autismo. As pessoas diagnosticadas com PDD-NOS podem lutar com a linguagem ou as habilidades sociais e comportamentos repetitivos, mas eles não podem encontrar desafios em todas as três áreas. Esta desordem difere de Síndrome de Asperger por causa das habilidades linguísticas; algumas pessoas com PDD-NOS podem ter atrasos de linguagem.
  • TRANSTORNO DE RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE O DSM-5: Uma vez considerado um transtorno do espectro do autismo, Síndrome de Respostas não será incluída no espectro do autismo no DSM-V. Isto é porque Transtorno de Respostas é causado por uma mutação genética. Apesar de os sintomas da desordem, que incluem a perda de habilidades sociais e de comunicação, imitar o autismo clássico, a doença passa por diversas fases diferentes. Normalmente, as crianças diagnosticadas com este transtorno superam muitos dos desafios que são semelhantes ao autismo. Podem enfrentar outros desafios, incluindo a deterioração de habilidades motoras e problemas com a postura, que não afetam a maioria das pessoas do espectro do autismo.
  • TRANSTORNO DESINTEGRATIVO DA INFÂNCIA: Outro transtorno do espectro do autismo, que não vai levar um diagnóstico separado no DSM-V, Transtorno Desintegrativo da Infância (CDD) é caracterizado por uma perda de comunicação e habilidades sociais entre as idades de dois e quatro anos.

            Os atuais critérios diagnósticos para autismo infantil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são os seguintes: A) Um desenvolvimento anormal ou comprometido é evidente antes da idade de três anos, em pelo menos uma das seguintes áreas: (1) linguagem receptiva ou expressiva enquanto usada na comunicação social; (2) desenvolvimento de vinculações sociais seletivas ou de interação social recíproca; (3) jogo funcional ou simbólico. B) Anormalidades qualitativas na interação social recíproca.

            Autismo e síndrome de Asperger são entidades diagnósticas em uma família de transtornos de neurodesenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Esses transtornos são coletivamente conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento (Klin, 2006)

            Assim, acompanhamos uma descrição das alterações da linguagem na criança com autismo, sendo tais alterações apresentadas em termos de déficits e em comparação com a linguagem de uma criança dita normal; mas entendemos que as características linguísticas presentes nessas crianças podem ser analisadas por outro viés, não se levando em conta o que ela não tem, e sim, procurando-se entender o que ela consegue apreender do mundo e das interações, apesar de suas particularidades.

            A partir dessas considerações, o que pretendemos discutir neste trabalho é o processo de aquisição de linguagem de uma criança com autismo. Para tanto, apresentamos um estudo de caso, procurando explicitar que a entrada do sujeito na linguagem ocorre de maneira singular e que essa entrada depende de interações sociais estabelecidas entre a criança com autismo e outra pessoa – neste caso, uma fonoaudióloga.

REFERÊNCIAS

  • Geraldi, J.W. (1995). Portos de Passagem. Martins Fontes. São Paulo.

 

  • Lemos C. (1982).Sobre a Aquisição de linguagem e seu dilema (pecado) original. Boletim de ABRALIM 3.

 

  • KANNER, L. Os Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo. In P.S. Rocha, (org.) São Paulo: Editora Escuta, 1997, pp. 11- 170.(Título original: AutisticDisturbanceofAffectiveContact, 1943)

 

  • Klin, A. (2006). Revista Brasileira de Psiquiatria, v.28, supl. 1, São Paulo.

 

 

CRONOGRAMA

DATAS MARÇO ABRIL MAIO JUNHO      JULHO
Revisão bibliográfica      x       x      x      x  
Confecção do projeto         x      x      x  
Coleta de dados         x      x       
Análise de dados          x      x  
Confecção de relatório          x      x  
Apresentação final do relatório               x
Comitê de ética               x

Behaviorismo e a sua contribuição para a Psicologia atual

O behaviorismo, também designado de comportamentalismo (ou ainda comportamentalismo) é um ramo do estudo do comportamento que se baseia em experimentações de laboratório com animais. Trata-se de um…

Fonte: Behaviorismo e a sua contribuição para a Psicologia atual

Behaviorismo e a sua contribuição para a Psicologia atual

O behaviorismo, também designado de comportamentalismo (ou ainda comportamentalismo) é um ramo do estudo do comportamento que se baseia em experimentações de laboratório com animais. Trata-se de um conjunto de teorias psicológicas que procuram postular o comportamento como o objeto mais adequado da psicologia, uma vez que é visível e, portanto, passível de observação por uma ciência positivista. A palavra “behaviorismo” em si origina-se de “behavior”, que em inglês significa conduta. De forma resumida, é uma ciência que possui como principal finalidade a previsão e o controle do comportamento.

O behaviorismo nasceu de uma reação ao mentalismo, ao introspecionismo e à psicanálise que lidavam com o lado interior e não observável da mente, sendo inicialmente utilizada em 1913, em um artigo escrito por John B. Watson. A abordagem behaviorista é definida por meio das unidades analíticas S que corresponde ao estímulo produzido pelo meio e R de resposta ou comportamentos. O behaviorismo é uma área controversa da teoria comportamental, dada sua associação com o adestramento de animais, porém, ela aborda diversos conceitos relacionados ao mundo corporativo que o administrador moderno deve conhecer.

O behaviorismo metodológico de Watson

Reconhecido como o pai do behaviorismo clássico, J.B.Watson foi o principal porta-voz desse movimento, bem como seu precursor ao escrever em 1913, o artigo “Psychology as the Behaviorist views it“, que representava uma contraposição à tendência mentalista da psicologia do século XX.  O behaviorismo watson defendia a psicologia como um ramo objetivo e experimental, que deveria largar os estudos dos processos mentais e a análise psicológica da mente ao menos provisoriamente. Para ele, a psicologia deveria focar em prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo.
O behaviorismo clássico, partia do princípio de que o comportamento era modelado pelo paradigma pavloviano de estímulo e resposta. Conceito desenvolvido por Ivan Pavlov, que propôs o modelo de reflexo condicionado e que inspirou Watson em seus estudos sobre o comportamento. O condicionamento clássico se referia à troca de energia entre o ambiente e o indivíduo, já que um comportamento é uma resposta à um estímulo específico. Ele explicava que aprendizagens, quando associadas à um estímulo, gerava reflexos condicionados, que por sua vez não são controlados pelos sujeitos, nem dependem de sua consciência.
Watson defendia a concepção funcionalista do comportamento, afirmando que este deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio. Para ele o “meio” era um fator de extrema importância para a construção e desenvolvimento do indivíduo, pois acreditava fielmente que todo comportamento era consequência do meio que o organismo participava. Dessa forma, o comportamento é entendido como a interação entre o indivíduo e o ambiente, ou seja, é a unidade básica de descrição e o ponto de partida para a ciência comportamental, que percebe o organismo como produto e produtor dessas interações.

O behaviorismo radical de Skinner

Tipos de Behaviorismo
Outro grande nome do movimento behaviorista foi B. F. Skinner, criador do behaviorismo radical que atuou fortemente contra as causas internas, ou seja, mentais da conduta humana. Vale ressaltar que, esse movimento mais radical do behaviorismo teve grande aceitação nos Estados Unidos e nas faculdades daqui do Brasil também. Para Skinner, o comportamento de todo e qualquer indivíduo poderia ser moldado ao se controlar os estímulos do ambiente. Ele desenvolveu sua teoria não como um campo de pesquisa experimental, mas como uma proposta filosófica sobre o comportamento em sua forma mais natural.
As pesquisas constituíam a análise experimental, enquanto as aplicações práticas eram parte da análise aplicada do comportamento. Skinner foi fortemente anti-mentalista, considerando não pragmáticas as noções internalistas que permeiam as teorias psicológicas existentes. Uma de suas experiências mais famosa ficou conhecida como a Caixa de Skinner, o qual se resumia em experimentos com animais e que tornou possível a descrição dos tipos de estímulos. Os estímulos, em sua totalidade, foram identificados e classificados em três: o reforço positivo, o reforço negativo e a punição.
> Reforço (positivo e negativo): Os reforços positivos são estímulos ou resultados que na maioria das vezes trazem satisfação para o indivíduo. Eles são aplicados pelo pesquisador logo depois do indivíduo ter realizado um comportamento desejado, criando assim uma maior probabilidade de que o mesmo se repita. Os comportamentos que evitam situações indesejáveis, também tendem a ser repetidos pelo organismo, só que numa proporção menor. Estes são chamados de reforços negativos, ou sejam, retirando o estímulo aversivo, aumentando assim a probabilidade de repetição do comportamento desejado.
> Punição (consequências): podemos dizer que a punição (ou castigo), é a consequência desagradável que ocorre após um indivíduo realizar um comportamento indesejado, ou de certa forma proibido para o ambiente que esteja interagindo. Pode parecer que a punição é o oposto da recompensa, e que somente por ser passível de punição, o comportamento não irá se repetir. Entretanto, diversos estudos comprovam que não funciona sempre dessa forma, visto que apesar da recompensa aumentar a probabilidade de repetição, o castigo sozinho não aumenta as chances de evitar um determinado comportamento.

Condicionamento operante

Behaviorismo - Caixa de Skinner

Para muitos autores é considerado o principal conceito do behaviorismo. Desenvolvido por Skinner, o condicionamento operante procura explicar os comportamentos aprendidos durante a ontogenia do organismo (seu desenvolvimento). A principal diferença entre o condicionamento respondente (clássico) e o operante, é que o segundo pressupõe um ser ativo em relação ao ambiente do qual participa. De maneira mais simples, no comportamento operante, o mesmo é condicionado não por reflexo entre o estímulo e a resposta, mas sim pela probabilidade de um estímulo se seguir à resposta condicionada.
Para Skinner, o comportamento é reforçado por suas próprias consequências, ou seja, a medida que o organismo apresenta a necessidade de sobreviver, realizar algo, ou se proteger, o comportamento procurará atingir esse resultado. Caso o comportamento praticado, alcance o resultado que fora desejado, irá ocorrer a tendência dele se repetir. É justamente esse mecanismo de repetição que é chamado de operante, já que quando o comportamento é seguido da apresentação de um reforço (positivo ou negativo) existe maior probabilidade dele se repetir. Se for seguido de uma punição essa probabilidade diminui

Argumentos e críticas ao behaviorismo

Atualmente o behaviorismo não ocupa mais um espaço tão importante dentre as principais abordagens da psicologia moderna. Embora ainda seja muito influente, o behaviorismo perdeu seu espaço principalmente devido ao surgimento das neurociências. Os behavioristas acreditavam que todo comportamento é consequência de condicionamento, rejeitando assim, a ideia de habilidades inatas ao organismo. Muitos críticos consideravam o conceito do behaviorismo demasiadamente simplista, observando o ser humano como um autômato, e não como um indivíduo com vontades e metas.
Com o desenvolvimento da neurociência novas luzes apareceram sobre o funcionamento interno do cérebro, abrindo margens para a quebra de antigos paradigmas da psicologia. Vários críticos apontam que um comportamento não precisa ser necessariamente consequência de um estímulo. Por outro lado, os behavioristas defendem que as descobertas neurológicas apenas definem os aspectos físicos e químicos que fazem parte do comportamento, mas que não são práticos, já que a modificação das contingências ambientais seria mais eficaz do que uma modificação no sistema nervoso em si.
Noam Chomsky, um grande crítico do movimento, afirmava que o behaviorismo não consegue explicar bem os fenômenos linguísticos (comunicação), que para ele eram resultados das habilidades inatas do indivíduo. Habilidade que o behaviorismo negava. Independente do que os críticos afirmam, a abordagem behaviorista exerceu e ainda exerce uma grande influência na psicologia aplicada, uma vez que trouxe a possibilidade de realização de diversos estudos sobre problemas reais relativos ao comportamento humano. Estudos que foram de grande valia para o ramo da ciência humana, tais como administração, economia e negócios.

Conclusão – Behaviorismo 

Recapitulando o que expomos ao longo do texto, o behaviorismo se trata de uma abordagem teórica da psicologia, uma importante ciência centrada principalmente nos comportamentos específicos, observáveis e mensuráveis de um indivíduo. É uma abordagem baseada em estudos rigorosamente controlados, com base no levantamento de dados comportamentais, excluindo os conceitos subjetivos ligados à consciência, ao sentimento e à neurociência. Existiram grandes autores por trás do behaviorismo, porém, os três citados neste artigo foram os que tiveram maior destaque na época, sendo eles Pavlov, Watson e Skinner.

Importante lembrar que a grande diferença entre o reflexo condicionado de Pavlov e o condicionamento operante de Skinner é que o primeiro é uma resposta ao estímulo externo, enquanto o segundo é um hábito (comportamento operante) desenvolvido por uma ação que trouxe satisfação para o indivíduo. Vale ressaltar também que o behaviorismo em sua aplicação ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais, negligenciando também os dons inatos. Como resultado, ela não consegue explicar as realizações criativas de uma determinada pessoa (músico, artista, etc.).
Para o behaviorismo, o ser humano é um ser ativo que opera no ambiente, provocando modificações nele. Essas modificações retroagem sobre o sujeito, alterando os seus padrões comportamentais. Após trazer os principais pontos da cultura behaviorista, podemos notar ainda que a concepção da mesma acerca da aprendizagem do indivíduo é ambientalista, ou seja, tanto o comportamento quanto a aprendizagem são influenciados pelo meio ambiente. Por fim, trata-se de uma ciência que contribuiu de diferentes maneiras para o ramo cooperativo, uma vez que foi peça chave na elaboração de diversos estudos sobre o ambiente empresarial e o comportamento de seus indivíduos.

Até a próxima pessoal!

Referências Bibliográficas:
MAXIMIANO, Amaru. Teoria Geral da Administração. Atlas, 2012.
SKINNER, B. F. The Experimental Analysis of Behavior. Century, 1961
WATSON, J. B. Pysichology as the behaviorist views it. Review, pag.158-77, 1913.